sábado, 10 de junho de 2017

0-207 – ESTUDOS de ARTE

O PENSAMENTO de

OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA

nas ARTES do RIO GRANDE do SUL.
Fig. 01 –   O pensamento do  médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira (1866-1956) era motivado pelas Ciências e pelas Artes conforme suas próprias palavras. O seu pensamento e seu amor pelas Artes Visuais  aparecem nos seus textos uma década antes da criação do Instituto de Belas Artes  do Rio Grande do Sul. Ele foi a alma e uma direção segura para esta instituição da qual presidente de 1908 até 1920.  Como bom pediatra acompanhou e aconselhou, do seu posto do Ministério de Educação Pública, a adolescência e a afirmação definitiva desta instituição voltada para as Artes



. 1 –  Natureza do   PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA 2 –  Obstáculos sociais e culturais que  Olympio Olinto de OLIVEIRA teve de enfrentar no cultivo e divulgação do seu PENSAMENTO  estético 3 – O contexto social econômico e estético do PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA  no Rio Grande do Sul. .4 – Olympio Olinto de OLIVEIRA  afirma o seu  PENSAMENTO e cria uma instituição de arte no contexto republicano apesar das fragilidades,  resistências  e desistências. 5 – Leituras e narrativas  estilísticas de Olympio Olinto de OLIVEIRA em diversas manifestações da ARTE.  6 – O profissionalismo, a projeção e permanência   do PENSAMENTO  de Olympio Olinto de OLIVEIRA.. 7 – Etapas da transição do   PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA ao mundo prático e empírico. 8 -  Permanência do potencial do PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA apesar da sua ausência física, 09 – O pensamento de OLINTO MUDA de endereço  físico para ampliar o seu potencial. 10 - O PENSAMENTO de  Olympio Olinto de OLIVEIRA e o seu legado institucional  .

1 –  Natureza do   PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA.



O pensamento do médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira possui traços e expressões de autonomia na medida em que ele entendeu as competências possíveis na sua sociedade, lugar e tempo e nos limites nas quais ganhou forma e se socialização.

O pensamento de Olinto foi competente e fecundo na criação e na implementação  de sólidas pontes entre o grupo de dentro das artes sul-rio-grandense com a sociedade de sua época. Estas pontes foram criadas por TEMPO INDETERMINADO tornando-se duráveis e se projetam até os dias atuais Para tanto se valeu do pensamento escrito e o seu exemplo pessoal de profundas convicções dos meios institucionais.

O primeiro cronista e critico de artes do Correio do Povo, o planejador e efetiva ação na Academia de Letras do Rio Grande do Sul[1], fundador de um Instituto de Artes em 1897 e daquele criado em 22 de abril de 1908 do qual efetivo diretor e orientador até 1920. Três destas  instituições originadas do pensamento de Olinto de Oliveira continuam em plena atividade em Porto Alegre no inicio do século XXI: o Instituto de Artes, a Faculdade de Medicina e a Academia Sul-Rio-Grandense de Letras.

O seu pensamento e suas seguras narrativas confluíram para o esboço da Universidade Brasileira que se tornou realidade em 1931. Olinto contava com a sua experiência na Direção da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, do Instituto de Artes e a sua ação na Letras. O âmbito do Ministério da Educação e Saúde Publica (MESP) forneceu-lhe a oportunidade e as possibilidades para expandir para toda nação brasileira toda a sua sensibilidade, sua inteligência e o seu dinamismo. Entre estas estava a implementação da Universidade Brasileira e politica da assistência à saúde Infanto-Materna

O grande mérito do pensamento do médico e pediatra Olympio Olinto de Oliveira  para a Arte sul-rio-grandense foi o de estabelecer sólidas e duráveis pontes entre o grupo de dentro das artes com a sociedade. Para tanto se valeu do pensamento escrito e o seu exemplo pessoal de profundas convicções dos meios institucionais.

O primeiro cronista e critica de artes do Correio do Povo, o planejador e efetiva ação na Academia de Letras do Rio Grande do Sul, fundador de um instituto de Artes em 1897 e daquele criado em 22 de abril de 1908 do qual efetivo diretor e orientador até 1918.

O seu pensamento e suas seguras narrativas confluíram para a Direção da Faculdade de Medicina de Porto Alegre e sua participação do esboço da Universidade Brasileira que se tornou realidade em 1931. O seu pensamento, a ação silenciosa e segura ganharam uma dimensão nacional e internacional no âmbito do Ministério da Educação e Saúde Publica (MESP)


2 –  Obstáculos sociais e culturais que  Olympio Olinto de OLIVEIRA teve de enfrentar no cultivo e na divulgação do seu PENSAMENTO estético

É necessário ler o pensamento de Olinto contra a dependências estéticas e científicas e técnicas de uma sociedade recém saída da escravidão legal. Este médico, nascido e educado no Regime imperial, estava cercado de um mar de positivistas e de republicanos novatos.  Na medida em que ele se afirmava como profissional médico e esteta da alta estirpe, Olinto teve enfrentar e romper com tabus de cientistas improvisados e de estéticas de fachada.

Assim a nossa leitura necessita ir contra as concepções improvisadas de uma sociedade que importava o pensamento alheio, gerado e comandado pelos paradigmas europeus. Esta importação acrítica - sem filtro continuando em relação ao colonialismo cientifico, estético e técnico - limitava ou tolhia todo interesse numa pesquisa local e coerente. Assim Olinto tinha na sua frente as resistências, os silêncios ou, até, as francas hostilidades. O pensamento e a ação do médico pediatra Olinto de Oliveira estavam em prova permanente no campo das artes e da educação científica e estética do seu tempo e sociedade local.


[1] ELVO CLEMENTE « 95 anos de Academia» in Correio do Povo. Porto Alegre, ano 102, no  66, p.4, dia 05.12.1996

OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA  no mural de Aldo Locatelli para o CINQUENTENÀIO do INSTITUTO de ARTES do Rio Grande do Sul pintado, em 1958, na Sala do Conselho Universitário da UFRGS

Fig. 02 –   A imagem de  Olympio Olinto de Oliveira no mural do Conselho da Universitário da UFRGS é justa e verdadeira.  Com uma vida pública exemplar e alma de uma direção segura de uma instituição superior estadual, da qual presidente entre 1908 até 1920 e depois atuando no centro do poder nacional merecem esta exaltação e lembrança continuada nas sessões maiores da instância máxima desta universidade federal..  

Todo este conjunto estava mergulhado numa economia agrícola e pastoril e que comandava a política e as grandes decisões estaduais e nacionais. Política e economia que rapidamente foram rotulados como REPUBLICA VELHA. Olinto clinicava, há uma década, na Capital Federal quando da virada deste quadro político se deu com a Revolução de 1930. Sem aderir a qualquer facção ideológica e política não se negou a prestar os seus conhecimentos de médico pediatra e de agente educacional no âmbito do recém-criado MESP. Na saúde cuidou da sua especialidade infanto materna. Na educação foi conselheiro na criação da Universidade Brasileira  para todo território nacional.

Teve de contrariar as aspirações econômicas de sua própria categoria médica fascinada pelo retorno financeira de sua profissão. No âmbito institucional e oficial insurgiu-se contra um puro parasitismo burocrático e o progresso a qualquer preço como plataforma governamental de alguns políticos carreiristas e marqueteiros. Assim a sua figura e o seu nome são raramente lembrados no contexto nacional e mesmo sul-rio-grandenses.

Assim o pensamento de Olinto jaz sob esta lousa fria depois de ser  anatematizado como retrógrado e sem utilidade por modas de pensamentos importados, de impacto midiático e já caducos em outros ambientes.


3 – O contexto social econômico e estético do PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA  no Rio Grande do Sul.

     A alma que o Instituto precisou, para vir a mundo numa região econômica tão carente, foi encontrada no médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira. Ele assumiu integralmente o seu papel de animador cultural num ambiente carente de uma tradição  consciente e amadurecida. Assim foi uma figura presente na sua profissão, de médico pediatra, através da qual estabeleceu as conexões com a sociedade local, ao mesmo tempo, ajudando a consolidar a reprodução de sua profissão de médico de  qualidade e lhe dando os suportes para o seu exercício.
OLINTO de OLIVEIRA e CARLOS BARBOSA no mural de Aldo Locatelli para o CINQUENTENÀIO do INSTITUTO de ARTES do Rio Grande do Sul pintado, em 1958, no oitavo andar do prédio sede do IA-UFRGS
Fig. 03 –   A oportuna, justificada e decidida intervenção de Olympio OLINTO de OLIVEIRA no prodigioso governo de Carlos BARBOSA GONÇALVES (1851-1933) garantiram para este governo a posse e e a deflagração de um PROJETO CIVILIZATÒRIO COMPENSADOR da eventual VIOLÊNCIA necessária no exercício de suas funções e delegada e contratada  pelos cidadãos a todo e qualquer governo  No mural . No mural pintado por ocasião do cinquentenário - da realização e implantação deste projeto - o artista Aldo Locatelli associa as duas faces doi dois personagens. le foi a alma e uma direção segura para esta instituição da qual presidente de 1908 até 1920.  

Ao remeter o seu relatório de 1909-1912 ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul Olinto registrou que:

“Como deveis estar lembrados, foi esta associação fundada por iniciativa do Exmo. Sr. Dr. Carlos Barbosa, muito digno Presidente do Estado, pouco tempo depois de ter assumido o exercício do seu elevado cargo. A convite de S. Exª effectuou-se no dia 22 de abril de 1908, em uma das salas da Biblioteca Pública, uma sessão inicial”.

Olinto não esqueceu que a vida deve possuir uma motivação, que ele encontrou na arte, e que o seduziu, nas suas próprias palavras. Assim ele tomou todas as iniciativas, que estivessem a sua dispor na época, para consolidar as suas instituições. Entre elas estava o Instituto Livre de Belas Artes do Rio Grande do Sul.

Com estas motivações pessoas ele se comportou socialmente dentro da rígida etiquete da nobreza imperial[1], apesar de politicamente ser republicano, não só convicto, mas devotado à causa do novo regime. Coerente com as determinações deste novo regime Olinto escreve no seu relatório de 1909-1912 ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul que:

“Os estatutos foram publicados no jornal official A Federação, em 22 de agosto de 1908, e logo depois em edição especial, em folheto. A 28 do mesmo mez foram elles dados á inscripção no Registro Geral de Hypothecas, tendo sido lançados sob nº 90, a fls. do respectivo livro[2].

Como profissional, cultivou ideais  de cientista consciente e de alto nível que o levou a perceber a camisa de força que significava o positivismo. No plano cultural,  impôs-se uma formação a mais completa possível como amador. Conhecimento que lhe forneceu as bases de empreendimentos nos quais foi capaz de transmitir aos seus semelhantes valores que de fato dominava na sua própria pessoa


[1] - “ O que definitivamente, distinguiria a nobreza consistiria na relação peculiar do todo com as partes, ou seja, da nobreza como grupo social, com cada nobre em particular
                                              Abreu, 1996, p.58
[2] -Olinto se orientava pelas exigências da Lei nº 173 de 10.09.1893 que regulava as associações colocadas  sob a égide do Regime Republicano  pelo Art. 73 §3º  da  constituição de  1891  . A aprovação de uma associações, ao longo do Regime Imperial,  dependia do beneplácito do  trono.

Fig. 04 –   Olympio OOLINTO de OLIVEIRA ao lado de Carlos BARBOSA GONÇALVES[1] numa foto do dia  20 de setembro de 1911  no momento do lançamento da pedra fundamental do novo prédio da Faculdade de Medicina de Porto Alegre (fig. 09). Esta obra teve seu projeto original alterado e só concluída e inaugurada no dia 31 de março de 1924[2]. 


 Olinto historiou as iniciativas que trouxeram ao mundo real o Instituto de Belas do Estado do Rio Grande do Sul, no seu relatório de 1909-1912 ao Governo, ao escrever que:

“Como sabeis, lançada a idéa da organisação do Instituto, foram largamente distribuidas por todo o Estado listas, das quaes se encarregaram com a maior boa vontade pessoas de alto conceito publico. Estas listas foram sendo preenchidas com grande numero de assignaturas, muitas das quaes subscrevendo 2, 4 e até 20 contribuições. Cada contribuição representava a quantia de 50$000, e dava direito ao diploma de socio. Até agora já foram arrecadadas listas correspondendo a 150 socios, faltando ainda muitas outras cuja cobrança será feita com mais vagar, principalmente nas do interior”

 Assim ele reproduz em si  o que depois Arendt escreveu (1983, p. 288).

 O supremo critério para governar aos outros é, segundo Platão, como em toda tradição aristotélica do Ocidente, a capacidade de governar a si mesmo. Assim como rei-filósofo conduz a cidade, a alma conduz o corpo, a razão e as paixões

      Sua liderança progrediu para muito além de uma estreita  e amadora doutrina pessoal, mesmo quando deve discordar do filosofo  Aristóteles em artigo publicado[3] em 05.11.1898:

 O que não posso admitir de modo algum é a alienação do meu próprio  juízo, levado ao ponto de acreditar  sempre  nas afirmações dos gênios, mesmo quando eles parecem incompreensíveis, absurdos ou contraditórios  releve-me discordar do gênio de Aristóteles quando este profundo moralista justifica a escravidão pela degradação nativa de um parte da humanidade

  A amplidão de sua formação, das suas iniciativas profissionais e culturais, permitiram-lhe  retornar ao núcleo de sua competência e as suas motivações existenciais. Isto ele deixou evidente num artigo publicado[4] em 20.10.1898:



 Já por índole, já por temperamento, conservo-me sempre afastado das cogitações da política militante, da qual me arredam ainda mais as minhas ocupações favoritas: o estudo das ciências que cultivo e das artes que me seduzem”                      


[1] Carlos Barbosa como médico tentou sanar  Os desentendimentos entre os médicos formados e os setores que se diziam partidários dos positivistas foram uma constante enquanto duraram no poder governos com princípios comtianos. Entretanto, em certos momentos o conflito parece amainar, como no governo de Carlos Barbosa, de 1908 a 1913. Médico formado pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1875, tendo-se especializado em oftalmologia em Paris, Carlos Barbosa conseguiu mudar a orientação que o governo havia adotado sobre a faculdade em 1907, amparando-a financeiramente nesse período e doando, em parceria com a Intendência Municipal, um terreno no Campo da Redenção para a faculdade construir um novo prédio http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59701999000100003


[3] Olinto de Oliveira, Correio do Povo, 05.11.1898 (micro-filme Museu Hipólito da Costa)

[4] Olinto de Oliveira, Correio do Povo, 20.10.1898 (micro-filme Museu Hipólito da Costa)

OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA de pé com toga vermelha   no mural de Aldo Locatelli para o CINQUENTENÀIO do INSTITUTO de ARTES do Rio Grande do Sul pintado, em 1958, na Sala do Conselho Universitário da UFRGS
Fig. 05 –   O mural que preside as sessões do Conselho Universitário da UFRGS foi encomendada pelo médico e reitor Eliseu PAGLIOLI que aparece trajado como médico no lado esquerdo de quem olha a obra. Sentado ao centro está Manuel ANDRÉ DA ROCHA primeiro reitor de Universidade, membro da COMISSÂO CENTRAL do IBA-RS , seu vice e Presidente eleito. Em 1958 o Instituto era uma unidade autônoma e fora da UFRGS

4 – Olympio Olinto de OLIVEIRA  afirma o seu  PENSAMENTO e cria uma instituição de arte no contexto republicano apesar das fragilidades,  resistências  e desistências



Olympio nasceu em Porto Alegre no dia 05 de janeiro de 1866[1]. A sua formação médica foi feita, entre os anos de 1881 até 1886[2], na sede da corte. Retornou à província natal logo após a defesa da sua tese de doutorado intitulada ‘Das paralisias na infância’ em no dia 05 de janeiro de 1887[3]. Em Porto Alegre, onde é considerado como o primeiro pediatra com doutorado profissionalizado na sua especialidade. Mas, para o médico, a sedução eram as artes, não para um gozo egoísta, mas compartilhadas, para todo Estado, através de uma generosa socialização.

     A sociedade de Porto Alegre confiou duas tarefas básicas ao jovem médico. Uma de cuidar da saúde da sua infância e a de consolidar essa profissão. Outra era a de dar orientação cultural, consolidar e possibilitar a sua reprodução através de instituições. Como profissional da saúde[4] não se limitou a uma estreita atividade conformada e imediatista. Planta, através de sua associação, as condições para que outros profissionais pudessem continuar a sua tarefa.


[1] - Martins (1978: 407) indica as datas de Olinto como sendo a de 05.01.1865 e da morte a  de 26.05. 1956

[2] - Os dados biográficos mais precisos estão em ROCHA ALMEIDA, Gen. Antônio da. -  «Professor Dr. Olímpio Olinto de Oliveira» in Vultos da Pátria. Porto Alegre :  1964, vol.II, pp.233/39

[3] - Gonçalves Vianna, 1945, p. 21
[4] - “Pedalando a sua linda bicicleta em uniforme adequado atendia a sua clientela Gonçalves Vianna, 1945, p. 21
Sala do Desenho da Escola de Artes do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul
Fig. 06 –   Após adquirir o prédio próprio para o IBARS  Olympio Olinto de Oliveira determinou o acréscimo de um andar. Uma sala com luz zenital foi a primeira sala publica específica para de Artes Visuais  de Porto Alegre.. Os moldes de gesso eram modelos para o desenho dos moldes de gesso. Eram partes do corpo humano e que convergiam para as figuras inteiras comas estátuas do Apolo e Vênus que estavam na entrada do IBARS. Estes gessos foram moldados por Giuseppe GAUDENZI da Técnica Parobé e por Eduardo Sá da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro

  Com a ajuda de Pedro Porto conseguiu concretizar o primeiro lugar público permanente para a exposição das obras dos artistas plásticos -  na Rua da Praia[1], em 1893 - da capital do Rio Grande do Sul destinado. Essas obras foram objeto do primeiro cronista do Correio do Povo, que ajudou fundar em 01 de outubro de 1895, onde fluíram as suas crônicas  sob o pseudônimo Maurício Bœhm[2].

Por meio destes recursos públicos - e coerentes com a primeira ERA INDUSTRAIL – Olinto conseguiu levar, ao grande público do Rio Grande do Sul, o que existiu, na época, de melhor no teatro, na música e nas artes visuais na capital do Estado.


[1] - “Em 1893,por sugestão e empenho seu. Inaugura-se nas Ruas dos Andradas, em amplo compartimento envidraçado do bazar O Preço Fixo, de propriedade de Pedro Porto, a primeira Galeria de Artes Plásticas de Porto Alegre, destinada a expor peças s de pintura e escultura de autores famosos”   Damasceno, 1971,  p. 448  Loja “AO PREÇO FIXO PORTO ALEGRE” depois LOJAS AMERICANAS


[2] - “Na seção de crítica de arte do nosso Correio do Povo, onde Olinto, sob o temido pseudônimo de Maurício Bœhm, durante algum tempo revelou a sua extraordinária cultura musical” Gonçalves Vianna, 1945, p. 20
Fig. 07 –   O prédio da primeira Faculdade de Medicina de Porto Alegre está sendo ocupado e usado pelo Departamento de Arte Dramática (DAD)  do Instituto de Artes da UFRGS. Prédio no qual o  médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira foi diretor. O local é próximo ao Hospital da santa Casa. Sob a iniciativa de Olinto de Oliveiro foi lançado o projeto do novo Prédio na atual Rua Sarmento Leite. A convite de Olinto de Oliveira, este titular, do nome desta rua,  também pertenceu e atuou na Comissão Central do IBA-RS

Nas Ciências Médicas  foi um dos fundadores da primeira Faculdade de Medicina do Rio Grande do Sul da qual tornou-se diretor[1] acumulando esta função com a direção do Instituto de Belas Artes. Constatou e procurou sanar as deficiências do apoio logístico da profissão através da criação dos Institutos Pasteur e Oswaldo Cruz. O associativismo o fascinou na medida em que pode estender as sua benéfica ação humanitária. Assim integra a Diretoria da Associação Protetora da Infância[2]. Atento ao seu campo, não admite que os seus colegas se dobrem as doutrinas pseudocientíficas e aos compromissos políticos estranhos e comprometedores da autonomia profissional.


[1] - Anais da Faculdade de Medicina, jan. 1948.  {105b. Anais}
[2] - Reis, 1905, p. 221
Fig. 08 –   Os fortes antagonismos fazem parte da índole do sul-rio-grandense. Assim não é de estranhar as diferenças entre o pensamento de  Protásio Antônio Alves e o   pensamento do  médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira.  Estas diferenças são mais evidentes se comparamos as lideranças de Carlos BARBOSA GONÇALVES, em cuja política cultural  Olinto seguia e o “eterno” Antônio Borges de Medeiros cuja política econômica era o ambiente propício para Protásio Alves. Olinto preferiu o ambiente da capital federal quando Borges de Medeiros foi reeleito pela 4ª vez, em 1918. Borges consegiui se reeleger em 1922 pagando alto preço com a REVOLUÇÂO dos MARAGATOS que incendiou e ensanguentou as plagas sul-rio-grandenses.  


Entrou em confronto direto com Protásio Antônio Alves[1], seu colega de profissão e escola, que depois irá ser figura de relevo na administração de Borges de Medeiros. No ano de 1898 Olinto entrou em confronto direto e simultâneo com o positivismo castilhista, com A Federação e com Protásio Alves[2]. Em dois artigos publicados no Correio do Povo[3]ele deixou claro, sem pseudônimo, as suas desconfianças e as suas descrenças naqueles que desejavam transformar o positivismo em seita dogmática comportando-se como discípulos  de província. Ele escreveu  e publicou em 20.10.1896[4] que:

Dou-me por feliz, eminente patrício, de ter minha boa estrela me preservado sempre das imposições dogmáticas de quem quer que seja, assim como do espírito de seita, uma das causas mais funestas, no dizer de Turgot dos desvirtuamentos a que podem sucumbir as melhores inteligências e os melhores caracteres


[2] CONFLITO os médicos  PROTÀSIO ANTÒNUI ALVES e  OLYMPIO OLINTO de OLVEIRA

[3]  CORREIO do POVO , com as datas de 20.10.1898 e 05.11.11.1898,

[4] Olinto de Oliveira, Correio do Povo, 20.10. 1898 e in Gonçalves Vianna, 1945, p.36                     

Fig. 09 –   O projeto original da Faculdade de Medicina no Campo da Redenção lançado no dia  20 de setembro de 1911 na administração do  médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira em terreno cedido por CARLOS BARBOSA  presidente do Estado Projeto concebido no meio da polêmica na classe médica que se debatia entre o livre exercício da profissão defendida pelos positivistas ortodoxos contra a severa formação profissional com o controle do exercício rigoroso regulado por normas consensuais e oficiais  .  
No meio da polêmica na classe médica Olinto distinguiu claramente o comtismo do positivismo no contexto de duas escolas filosóficas. Como dono de uma inteligência em plena autonomia distinguiu o pensamento original do seu uso teórico e nas práticas realizadas por prosélitos[1] pois:

 A palavra positivismo tem evoluído e já não se apoia somente no ponto de vista exclusivo de Augusto Comte. Ela abrange os esforços de todas as escolas empíricas modernas, em contraposição as do idealismo e forma com esta a dupla corrente das especulações filosóficas moderna, cuja tendência convergente se torna cada vez mais acentuada apesar da aparente oposição em que se acham

   Esses dois artigos, e o contexto que os geraram, no âmbito do CONFLITO os médicos PROTÁSIO ANTÔNIO ALVES e  OLYMPIO OLINTO de OLVEIRA,  foram analisados amplamente pelo seu discípulo, cunhado, médico e confrade na Comissão Central no Instituto, o  doutor Gonçalves Vianna[2].

A pessoa e a memória de Olympio Olinto de Oliveira - fundador do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do SU -  foi descrito por Fábio de Barros[3] como  “Olinto de Oliveira é um desses homens felizes. Fez da sua própria vida o seu próprio monumento” Fábio era  médico, jornalista, membro da Comissão Central do Instituto e primeiro professor nomeado para reger a cadeira de História das Artes Visuais.


[1]  Olinto de Oliveira, Correio do Povo, 05.11. 1898 e in Gonçalves Vianna, 1945 ,pp.44/5 

[2] - in Gonçalves Vianna, 1945, pp. 21-49.

[3] - in Gonçalves Vianna, 1945, p.12.  
Fig. 10 –   O  antigo prédio da Loja Maçônica de Carlos von KOZERITZ (1830-1890)  Sociedade Beneficente Zur Eintracht foi construído pelo arquiteto Julius Weise Na sua reforma  Olympio Olinto de Oliveira aproveitou o salão das sessões para auditório . Nas laterais do palco são visíveis ainda as colunas da loja maçônica. O Auditório Tasso Corrêa do IA-UFRGS ocupa o mesmo lugar, transpões  tipologia semelhante cuidando de tratamento acústico adequado ao uso musical

5 – Leituras e narrativas  estilísticas de
Olympio Olinto de OLIVEIRA em diversas manifestações da ARTE.


    Como orientador cultural, esse pediatra polemista e com as credenciais de profissional realizada, circulou  tanto na música, nas letras e nas artes visuais,  nas quais deixou marcas indeléveis. Ele poderia ser apontado, nesta função, como o iniciador da ‘Kunstliteratur’ sul-rio-grandense[1]. O pensamento de Olinto é responsável pela emergência da primeira expressão escrita do pensamento da nossa literatura artística no Estado.

Não é um pensamento ineficaz, vazio de conteúdo e de sentido. O mundo material. O suporte deste pensamento de Olinto atuante e comprometido foi o jornalismo. Por meio da palavra escrita e impressa ele conseguiu transpor para a ação e para a prática as concepções estéticas vigente no seu tempo, lugar e sociedade. Comprometimento e eficácia, deste pensamento de Olinto. foi levado a tal ponto, que criou, conferiu suporte e continuidade na emergência de uma série de instituições agregadoras da sociedade sul-rio-grandense. Sociedades e instituições comprometidas e comprometedoras da continuidade do processo civilizatório da cultura e da arte.

 Como cronista registrou e comentou os eventos culturais mais significativos na cidade de Porto Alegre do primeiro período republicano. Como um dos fundadores do Correio do Povo, fez desse veículo, a sua tribuna para apontar jovens talentos emergentes na cidade, ou registrar a passagem meteórica de artistas internacionais pela cidade[2].


[1] - O pensamento e as crônicas de Olímpio Olinto de Oliveira estão sendo resgatados  e sistematizados pela pesquisadora Cláudia Maria Gonçalves, do programa de pós-graduação de Música do Instituto de Artes da UFRGS sob a orientação da Profª Drª Maria Elizabeth Lucas.
[2] - A maioria dos artigos do Correio do Povo, assinados por Maurício Bœhm, tem por tema a Música. Entre as crônicas relativas as artes visuais, recuperadas pela pesquisadora Cláudia Maria Rodrigues, podem ser citados ‘Romualdo Prati’(12.07.1896) ‘Litran’(20.11.1896), ‘Libindo Ferrás’(13.02.1897, ‘Bellas Artes – Pedro Weingärtner’( Domingo 03.07.1898) e ‘Pedro Weingärtner’ (11.12.1898). Uma noticia sobre uma escola e uma pinacoteca em Curitiba sob o título ‘Bellas Artes, Escola de Bellas Artes e Industriais do Paraná e Pinacotheca’ se, não escrito por Olinto, o deve ter motivado para a criação do Instituto de Belas Artes.  (Correio do Povo, ano 3 , no 191,  em 24.08.1898).   Para Maurício Bœhm ver Damasceno 1971, p.239

Fig. 11 A entrada o prédio próprio para o IBARS recebeu, em 1910,  duas copias de estátuas moldadas diretamente sobre as originais. A encomenda foi deOlympio Olinto de Oliveira assessorado pelo Conservador do Instituto na pessoa de Libindo Ferras o primeiro e único diretor da Escola de Artes do IBA-RS e o seu professor.  As duas figuras eram a culminância dos desenhos dos moldes de gesso de partes do corpo humano



6 – O profissionalismo, a projeção e permanência   do PENSAMENTO  de Olympio Olinto de OLIVEIRA..



   Como verdadeiro líder não pediu favores, nem se queixou das adversidades do seu caminho. Neste caminho foi o articulador de iniciativas e eventos para torná-los favoráveis à emergência da arte na política cultural do estado. Tinha a consciência de que devia representar, da forma mais eficiente possível, uma das atividades superiores do ser humano. Um índice dessas convicções políticas culturais de Olinto, foi aquele explicitado e publicado[1], em 22 de abril de 1908, no dia da fundação do Instituto de Belas Artes :Essa nobre atitude, entretanto, não tem preservado, as prestigiosas pessoas dos governantes de, pelos eficazes meios indiretos a seu alcance, prover a viabilidade das nossas academias  

    Com essas suas convicções e, no intuito de transformá-las numa política cultural, Olinto conseguiu superar todas as barreiras. Levou, essa política ao refinamento de uma obra de arte vivida. Contatos, contratos e realizações decorriam como algo natural e sem deixar, nos documentos, o menor registro de onipotência, onisciência ou marketing personalista na constituição da vida inicial e infantil do Instituto.


[1] - Correio do Povo, 22.04.1908 (cópia do Arquivo IA-UFRGS)
Fig. 12 –   O quarteirão no qual  Olympio Olinto de Oliveira alugou e depois comprou o prédio nº 58( depois 248) da Rua Senhor dos Passos abrigava a loja maçônica, a igreja Luterana ( no angulo esquerdo da foto acima), a capela da  Santa Casa era próxima  da e, mais tarde,.  a Igreja São José também não distante.  O prédio original do IBA-RS sofreu um acréscimo entre 1914 e 15 para abrigar a Sala de Desenho da Escola de Artes. O porão foi adaptado e foi sala de aulas de Modelagem e de Escultura de Fernando Corona. Este projetou o prédio atual do IA-UFRGS.  


O pediatra médico voltou a encontrar-se face às primeiras necessidades e vagidos de nova instituição que havia assumido o papel de fundador, de orientador e de administrador.  Todas essas credenciais fizeram de Olinto de Oliveira o líder natural do grupo que idealizou trazer para a realidade concreta o Instituto de Belas Artes. Olinto escreve no seu relatório de 1909-1912 ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul que:

As carreiras artisticas não são ainda bastante remuneradas no nosso meio, para que as procurem espontaneamente os alumnos. Por outro lado são muitas vezes os mais bem dotados intellectualmente aquelles a quem escasseam os meios para empreenderem a sua propria cultura. Escolas de arte não podem,  pois aqui, como aliás em toda a parte dos interessados. E como são de grande alcance social a educação artistica do povo, de outro, fazer a selecção dos talentos de elite que hão de ser amanhã os fautores da arte nacional”, -

Parece que Olinto de Oliveira foi a resposta ao que Almeida Prado registrou ao estudar Tomas Ender, como a maior carência do campo da arte no Brasil ou seja  Lider é o regente frente a orquestra de competentes professores é capaz  de transformar os conflitos em estímulos para a idealização e a solidariedade”.[1].

   Olinto de Oliveira, apesar de não ser profissional na área, conseguiu reger com as suas habilidades e ideias superiores tanto profissionais da Música com das artes visuais.   Depois de sua experiência, como um dos redatores do estatuto  da fundação, em 1896, do Instituto Musical de Porto Alegre[2]. A ideia era precoce para a época e local. Diante da eminência de um fracasso, conseguiu transformá-lo, por sua intervenção, em 1897, o Instituto no Clube Haydn[3]. 


[1] - “Lider é o regente frente a orquestra de competentes professores é capaz  de transformar os conflitos em estímulos para a idealização e a solidariedade”.Almeida Prado, 1955, p.367
[2] - Corte Real, 1980, pp. 27-30
[3] - O Clube Haydn sobreviveu, com vida brilhante, até a década de 1960 integrado na SOGIPA (Turnebund). (Ver Corte Real, 1980, pp. 31-40 e Silva, 1997)  [F2.012.1]
Fig. 13 –   Antes de criar o IBA-RS Olympio Olinto de Oliveira estimulou e incentivou  os músicos de Porto Alegre a se reunirem, em 1897, no Clube Haydn,. Este conjunto musical se abrigou depois na atual Sociedade e Ginástica de Porto Alegre  (SOGIPA) onde funcionou até o ano de 1967.  

As letras sul-rio-grandenses foram as que conseguiram projetar melhor a criação sulina em todo Brasil. O instrumento e a seiva que circula nesse campo é a palavra, que nomeia e distingue a vida. Nelas a iniciativa de Olinto se fez sentir pela fundação no dia 01 de dezembro de 1901, da Academia Rio Grandense de Letras[1], quatro anos depois da Academia de Machado de Assis.

Com esse lastro de experiências, tanto na formação de uma escola superior, como de instituições voltadas para arte  cultura, planejou, em 1908, a fundação do Instituto de Belas Artes. O Instituto foi a sua última obra institucional em Porto Alegre e qual dedicou todas as suas energias, assumindo a sua presidência entre 1908 até a sua aposentadoria em Porto Alegre em1919.


7 – Etapas da transição do  PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA para o mundo prático e empírico.

    Olympio Olinto, conhecedor do mundo artístico sul-rio-grandense, soube avaliar as carências e potencialidades do meio social, econômico e político ao longo da sua presidência no Instituto. Potencialidades ainda latentes e carências que são ainda atuais após um século da ação de Olinto e que continuam a  assolar a sociedade, a economia e a política educacional sul-rio-grandense e brasileira.

No meio destas carências e destas potencialidades Olinto optou, inicialmente, por uma rígida e sólida estrutura jurídica e econômica, capaz de suportar os primeiros impactos deste meio adverso brasileiro e sul-rio-grandense, em particular. Para tanto formou uma sólida pirâmide com vértice na presidência, com um vice, um secretário, um tesoureiro e conservador geral, que eram cargos não remunerados. Na base incluiu geograficamente todo o estado, articulando  e cimentando-o através do partido no poder respeitando e modelando a nova instituição ao sistema republicano brasileiro vigente. Essa estrutura, regada por um orçamento sob o seu controle, procurou se alimentar das necessidades superiores do meio.


[1] - ELVO CLEMENTE « 95 anos de Academia» in Correio do Povo. Porto Alegre, ano 102, no  66, p.4, dia 05.12.1996
Fig. 14 –   O arquivo do Instituto de Artes é depositário não só do pensamento de Olympio Olinto de Oliveira. Os documentou originais, deste espaço institucional criado por sua iniciativa, guardam a memória de um feito dificílimo a ser concretizado no Rio Grande do Sul e vitorioso num ambiente no qual predomina a inércia e a importação de pensamento alheio.  Este acervo é um suporte logístico de uma pesquisa que se rebela contra o colonialismo mental, oferecendo recursos para perceber e tomar consciência do que é possível realizar, de próprio e de original, neste ambiente adverso.  


Para não se perder neste esforço, nem repetir e poder avaliar documentalmente o caminho institucional uma das primeiras providências do fundador, deste Instituto, foi equipar de instrumentos da memória dos atos, dos gestos e dos pensamentos que ali se praticasse. Assim no relatório 1912 anotou que

A Secretaria do Instituto foi organisada pelo nosso consocio secretario, o Dr. E. Ubatuba. Funcciona ella em uma das salas do Conservatorio, provida dos moveis e material de expediente indispensavel. Foi já installado o respectivo archivo e trata-se de instituir os livros necessarios.

Contratou pessoalmente diretores[1] e professores[2] proporcionais ao ingresso das matriculas e mensalidades pagas pelos alunos.

 No dia 01 de maio de 1909 assinou o aluguel  por 150$000 mensais, da casa nº 58 (atual nº 248) da rua Senhor dos Passos[3].


[1] - “Art. 28 – Os diretores das Escolas serão nomeados pelo Presidente do Instituto.
                    § 1º Cada Diretor servirá enquanto preencher satisfatoriamente as suas funções e merecer a confiança da casa
                         Estatuto, 1908
[2] - “Art. 29 – Providos ou não por concurso os lugares de professores, as respectivas nomeações serão  feitas pelo Presidente..
                          Estatuto, 1908
[3] - Documento avulso doa Arquivo do IA , com a assinatura de Engelbert  Hobbling procurador de do proprietário Willy Klappert {002DOC}
Fig. 15 –   O precoce desaparecimento de José ARAÚJO VIANNA (1872-1916) - ao longo da administração de  Olympio Olinto de Oliveira – retirou de cena o Diretor do  Conservatório do IBA-RS.. Este músico sul-rio-grandense fez carreira local e nacional e  possui uma pesquisa e produção musical original que continuam sendo reconhecidos. Asa honrosas incumbências, as crônicas musicais  e as criticas favoráveis de Olinto de Oliveira foram constantes ao longo desta curta existência física.  


No dia 05 de julho de 1909, Olímpio abriu solenemente o Conservatório de Música. Araújo Vianna, foi nomeado o seu diretor e sobre cuja competência Olímpio havia feito os mais  francos elogios[1].  No dia 02 de março de 1910 colocou em movimento a Escola de Artes, aprovada no dia 10 de fevereiro de 1910, e a confiou à direção de outro membro da Comissão Central fundador, que era Libindo Ferrás. A  respeito de Libindo Olinto também já se havia pronunciado elogiosamente no mesmo artigo dedicado Araújo Vianna no dia 13.02.1897. Reuniu os dois no mesmo Instituto que fundara. Mas mantém os dois absolutamente autônomos entre si. Em 1913 Olímpio adquiriu a casa onde iniciara o Instituto. No final desse ano  apresentou um projeto da reforma do prédio. Essa reforma foi entregue ao controle de Benito Elejalde, na época, um dos membros mais ativos da Comissão Central. Em 1915 editou um prospecto no qual é visível o acréscimo do andar no qual funcionava a Escola de Artes com entrada lateral independente.


[1] - Correio do Povo 13.02.1897, capa, (micro filme Museu Hipólito J. da Costa)
Fig. 16 –   Após o seu Relatório do Ano de 1912 o prospecto do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul do ano de 1915 são iniciativas de Olympio Olinto de Oliveira que espelham e materializam, em duas narrativas, o  pensamento do  médico pediatra no terreno concreto das Artes institucionalizadas e possíveis nesta sociedade, lugar e tempo.. São narrativas elaboradas e escritas com um rigoroso e preciso referencial científico. Narrativas que  envolveram  e expuseram, esta instituição artística, com os mesmos cuidados que o pediatra dispensava aos seus pacientes infantis. .  

     A terceira gestão de Olinto de Oliveira foi usada para consolidar o pequeno mundo das artes  do Instituto. Isso ele de fato conseguiu nas condições locais. Quando se aposentou em 1919, o Instituto Livre de Belas Artes do Rio Grande do Sul estava consolidado e o entregou em perfeito funcionamento ao seu vice-presidente Victor Bastian.

      O médico-pediatra Olympio Olinto de Oliveira foi eleito para o cargo de Presidente na noite da fundação do Instituto em 22 de abril de 1908 e prolongou-se oficialmente até o dia 30 de abril de 1920. Durante esse período foi reconduzido ao cargo no dia 12 de novembro de 1912 e reeleito, no dia 09 de setembro de 1918 para o período 1918-1922. Com a sua transferência ao Rio de Janeiro renunciou, no meio do mandato, repassando o seu cargo a Victor Bastian. A personalidade e as iniciativas de Olinto de Oliveira permaneceram e se projetaram , por tempo indeterminado, no seio da cultura sul-rio-grandense e brasileira.

Convém observar a regularidade dos períodos administrativos conforme o estatuto do IBA-RS[1].  Os motivos da irregularidade da data da eleição, no dia 22 de abril[2], são provenientes des episódios externos ao Instituto que as acompanharam. Atribui-se a primeira data de eleição ao final do mandato do governo de Carlos Barbosa e o retorno da austera figura de Borges de Medeiros menos favorável ao mundo simbólico. O período 1912-18 inclui a época da Iª Guerra Mundial e a reeleição do médico-pediatra se dá as vésperas do flagelo da Gripe Espanhola e durante a qual os médicos praticam atos heroicos.

   Porém este longo mandato presidencial serviu para Olinto seduzir - também para as artes e por meio do seu exemplo pessoal -  grandes nomes da medicina de Porto Alegre. Além do médico João Birnfeld que, estava ao seu lado, no momento da fundação do Instituto, o seu exemplo conseguiu levar para o Instituto o diretor da Faculdade de Medicina Sarmento Leite. O seu cunhado Raimundo Gonçalves Vianna, Fábio Barros e Mário Totta são outros médicos que seguiram o seu exemplo e dedicaram os seus melhores momentos à Comissão Central do Instituto. Isso sem falar do médico que era presidente do estado na época da fundação.


[1] No Estatuto do IBA – aprovado  em 14.08.1908   - constava o mandato de 4 quatro anos pelo Art. 17º - A Directoria, composta de Presidente, Vice-Presidente, Secretário, Thesoureiro e Conservador-geral, será eleita de 4 em 4 anos,  pela Commissão Central, dentre os seus membros effectivos, na ultima sessão ordinaria do anno social em que a Directoria anterior termina o seu mandato, de modo a poder a nova ser empossada na sessão de aniversário do Instituto.


[2] - Se houvesse uma regularidade nessas eleições, segundo a Art. 17 do Estatuto{007Estat} que determinava um período de mandato de quatro anos, a 1 a  deveria ter ocorrida no dia 22 de abril de 1912, a 2ª  em 22. 4.1916 e a 3ª em 22.04.1920.
Fig. 17 –   Olinta Braga foi uma das três presenças femininas na Comissão Central do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul. Cantora e, depois, professora do Conservatório do IBA-RS[1], interpretava as criações musicais do seu namorado e noivo José ARAÚJO VIANNA. Antes do desaparecimento deste compositor estes laços emotivos foram desfeitos. Porém permaneceu fiel ao seu primeiro amor pelo resta da sua vida[2].  


8 -  A permanência do potencial do PENSAMENTO de Olympio Olinto de OLIVEIRA apesar da ausência física 

   Mas o seu raio de ação não se limitou à sua profissão. Através da arte e da cultura conseguiu estabelecer uma verdadeira massa crítica que antecedeu a universidade brasileira para todo o território nacional. Assim no próprio momento da fundação do Instituto possui ao seu lado membros das outras escolas superiores. Os mais conhecidos são Rodolfo Ahrons da Escola de Engenharia e Plínio Alvim e Ezequiel Ubatuba da Faculdade Livre de Direito. Essa interação dos diversos a saberes, no interior do Instituto de Artes, reproduziu-se depois da administração de Olinto. Assim um dos seus mais ativos participantes e que irá tornar-se o primeiro reitor de uma universidade o Rio Grande do Sul. O Desembargador André da Rocha, sentiu-se à vontade no Instituto ao lado dos mais ativos lideres do movimento da transformação dos cursos superiores locais na Universidade de Porto Alegre. Com tantos líderes e com esse ideal, o Instituto não poderia faltar nesse projeto. A luta para manter essa massa crítica, presente e ativa no Instituto, deve-se, em grande parte, a visão estrutural de Olinto de Oliveira. Através dessa visão, de que a instituição de arte, necessitava da universidade, para o pleno desenvolvimento das potencialidades da existência do campo das artes. Pode-se seguramente afirmar que Olinto de Oliveira representou o papel de um proto-reitor em Porto Alegre. Um dos índices dessa visão ampla está nas pesquisas de opinião promovida entre 1927 e 1928  pela Associação Brasileira de Educação (ABE) [3], nas quais um dos entrevistados foi Olinto de Oliveira. O historiador da Educação Superior no Brasil, Souza Campos[4], resumiu essa participação na pesquisa, promovida pela ABE, do fundador do Instituto na formulação da Universidade no Brasil na sua ‘História da Educação Superior no Brasil’ (1940: 287/8)  e na ‘História da USP’ (1954: 85)  ressaltando a sua preocupação com o estudante.


[1]  - Instalação do Conservatório da Música do IBAR-RS e ação de Olinta Braga e Araújo Vianna

[2] O namoro Olinta e Araújo Vianna em vídeo https://www.youtube.com/watch?v=ewtd1WzPnNI

[4] - Souza Campos, 1940: pp.287 e 1954p. 85


Fig.18 - Quando se projetou, construiu e inaugurou o prédio do Ministério da Saúde Pública e Educação o médico e pediatra Olympio Olinto de Oliveira estava numa das diretorias deste ministério. Avesso a qualquer propaganda ou marketing pessoal o seu pensamento fluía e se propagava silenciosamente e sem alarde neste ambiente arquitetônico. O monumento de Bruno Giorgio na entrada do prédio constitui um hino plástico  á SAUDE da NOVA GERAÇÂO [1] que era o centro das atenções deste pediatra e materializa o lema clássico da “MENTE SADIA NUM CORPO SADIO”. O Ministério da Saúde ganhou o estatuto de ministério em 1953




[1] - Monumento à Juventude de Bruno Giorgio na entrada do prédio do MESP http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.160/4877

09 – O pensamento de OLINTO MUDA de endereço  físico para ampliar o seu potencial

   Quando o regime republicano brasileiro completou seus 30 anos, e, Olinto 30 anos de intenso trabalho em Porto Alegre, ele pediu aposentadoria e foi gozá-la na capital federal, local de sua formação acadêmica. Deixava para trás Porto Alegre, onde já contribuíra com a sua parte na política cultural para dar corpo às instituições voltadas para a ciência, às letras e às artes e onde o Instituto possuía uma vida autônoma. Mas não  entrou na inatividade. Colocou toda a sua experiência á disposição da associação médica local e nacional, participou ativamente do projeto de universidade brasileira. Quando Getúlio Vargas empolgou o poder em 1930 convocou o conterrâneo para criar e presidir o ‘Instituto de Profilaxia Infantil’ depois ‘Departamento Nacional da Criança[1] diretoria do recém criado Ministério de Educação e Saúde Pública (MESP)[2].

Durante os trinta e seis anos, nos quais viveu no Rio de Janeiro, envolveu-se no trabalho de sua clínica particular, na atividade classista  na qual Olinto pregava a ética médica conforme registrou Gonçalves Vianna(1945,p.101),

É um tal de avaliar e orçar e comparar  e cumular e enfileirar e cifras lucros, que não lhe escapam nem a própria vida humana, já posta em equação monetária; nem as sua atividades, o trabalho taylorizado, as aptidões regradas a uma teoria estreita, os sentimentos tarifados a tanto por cento, e até o amor, com cartaz de preços sotoposto “a lei da oferta e da procura”.  

 

  Entre os seus pequenos pacientes foi possível localizar alguns. Um deles foi Érico Veríssimo que ele atendeu em sua casa, viajando de Porto Alegre até Cruza Alta. Outro foi o cronista de arte Aldo Obino (1913-2007) que se lembrava, no final de sua vida, dos fortes cheiros dos unguentos e das apertadas faixas que o pediatra lhe aplicou na infância. 
O Dr. Olinto atendia os seus pequenos  pacientes deslocando de bicicleta de  casa em casa. Estava consciente e praticava lema clássico da “MENTE SADIA num CORPO SADIO”, ou “QUANDO o CORPO NÃO AJUDA, a CABEÇA SOFRE”, invertendo o ditado popular.  A saúde dos dois intelectuais sul-rio-grandenses constitui uma pequena amostra da verdade e preocupação deste pediatra de escol.

 Como médico não ficou indiferente à força moralizadora que os seus conterrâneos empreendem a partir 1930. Participou na área de sua competência  e a Academia Brasileira de Medicina conferiu-lhe a titularidade de uma das suas cadeiras[3].

   A sua opção pelo Rio de Janeiro, como lugar de sua aposentadoria, foi mais uma forma de exílio voluntário, do qual jamais voltou. Essa sua inarredável decisão de não voltar a Porto Alegre, apesar de todos os convites, também é índice do homem incômodo que ele se havia transformado na província para os instalados, como Athos Damasceno (1971: 446) registra nas palavras de seu irmão, Plínio Olinto de OLIVEIRA[4] que: [Olympio Olinto de Oliveira] sofreu pelos preconceitos de uma sociedade de Provinciana. Não era bem que um doutor gostasse de poesia, não era bem que um médico fosse músico, não era bem que um clínico praticasse esportes. Mas, a tudo ele resistiu[5] .

     As agressivas e contundentes iniciativas de Olinto jogaram muito além dos costumes, hábitos e tabus do seu tempo. Essas iniciativas e denúncias iam muito além da propaganda da adoção de uma simples taylorização na qual a modernidade industrial estava se apegando e transformando o cuidado com a vida em algo anacrônico, mesmo no exercício da medicina. Olinto descreveu numa das suas conferências (in Gonçalves Vianna, 1945, p. 100) uma acida crítica à sua própria profissão: a moda é cousa tirânica, e a medicina é mulher. Como tal, ela tem medo louco a duas coisas – perecer velha e ridícula, vestindo uma roupa velha e não ter automóvel”.

    Contudo, no final do século XX, em Porto Alegre, são três instituições em atividade ainda:  o Instituto de Artes, a Faculdade de Medicina e a Academia Sul-Rio-Grandense de Letras. A memória de Olinto confunde-se nelas com as suas  próprias  origens. No Instituto, ainda em vida do seu fundador, o cultivo de sua memória, gerou um movimento que passou para as páginas das atas da Comissão Central. O sistema de ensino público atribuiu o nome de Olinto de Oliveira uma unidade da rede (Ferreira Filho,1977) situada na Rua da República, na capital do estado.


[1] - Gonçalves Vianna, 1945, p.156 – in  Boletim do MESP ano 1, s 1 e 2, capa final,   jun.1931

[3] - OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA na ACADEMIA BRASILEIRA de MEDICINA
http://www.anm.org.br/conteudo_view.asp?id=2227Essa cadeira seria ocupada, a partir de 1999, por Mário Rigatto (1930 – 17.01.2000)[3], outro médico sul-rio-grandense de grande autonomia no seu agir ético e profissional.

[4] Plinio OLINTO de OLIVEIRA (1896-1956)   https://pt.wikipedia.org/wiki/Plínio_Olinto
Irmão de OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA

[5] - Ver também in Webster, 1983, p.14.
Fig. 19 –   O nome do Grupo Escolar Olympio Olinto de Oliveira de Porto Alegre  presta uma homenagem ao médico pediatra motivado pelas Ciências e pelas Artes. Esta instituição escolar, voltado para a educação da infância, continua e materializa o pensamento e as preocupações deste pediatra.  

A cidade de Porto Alegre dedicou o nome de Olinto de Oliveira a um logradouro público.


Retrato de OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA de autoria de Francis PELICHEK (1896-1937)  inaugurado no 05.07.1928 no IBA-RS 
Fig. 20 –   A vontade da Comissão Central do Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul de destacar e homenagear Olympio Olinto de Oliveira (1866-1956) foi continuado.. Aos olhos e inteligência dos membros desta mantenedora cresciam apareciam e se acumulavam os resultados educacionais, culturais e estéticos   das sementes plantadas com mão firme  e  segura em hora oportuna pelo presidente do Instituto entre 1908 até 1920.  Vinte anos após a fundação dc Instituto o artista tcheco Francis Pelichek foi encarregado passar para tela e  tinta os traços fisionômicos do fundador. Esta pintura foi e exposta em lugar nobre e solenemente inaugurada pela Comissão Central no dia 05 de julho de 1928.

O presidente do IBA-RS, José Coelho Parreira, prometeu, no dia 15 de dezembro de 1926, inaugurar  o retrato de Olinto de Oliveira, numa das salas do Instituto no início do ano escolar de 1927,[1]. Em 15 de julho de 1927 o presidente comunicou que o retrato já havia sido colocado[2]. Contudo ainda faltava uma ocasião, no 11 de agosto do mesmo ano,  para a homenagem, fato que em 18 de maio de 1928, também não tinha ocorrido. Diante de tantas postergações, o Dr. Carlos Ferreira de Azevedo, vice-presidente do Instituto, não querendo mais compactuar com as sucessivas procrastinações da homenagem pública a Olinto de Oliveira, enviou um telegrama à Comissão Central, renunciando ao seu cargo[3]. Os membros da Comissão Central não aceitaram a renúncia e no dia 05 de julho de 1928 é finalmente programada uma homenagem digna ao fundador e por sugestão do próprio Carlos de Azevedo[4]. De sua parte, Olinto de Oliveira, jamais esqueceu o Instituto. Manteve ativos e constantes contatos epistolares


[1] - Livro nº I das Atas do CCIBA, f. 39v
[2]  - Livro nº I das Atas do CCIBA, f.42f
[3]  - Livro nº II das Atas do CCIBA, f.7f
[4] - “Se equiparasse o Dr. Olinto de Oliveira aos membros beneméritos já existentes, reformando-se para tal fim, oportunamente, os estatutos, nesse particular
         Livro nº II das atas do CCIBA f .9f.
    Estavam, na categoria, na qual se desejava incluir Olinto de Oliveira, apenas os dois governadores do estado, Carlos Barbosa Gonçalves e Antônio Borges de Medeiros. Para incluir o nome, desse  último, a  Comissão  Central havia  reformulado no final de 1927 os estatutos 
Fig. 21 –   Victor Bastian-  vice presidente e sucessor de  Olympio Olinto de Oliveira – lê o texto da carta do fundador do IBA-RS-RS, no dia 14 de novembro de 1941, véspera do DIA da REPÚBLICA, no ato da colocação solene da pedra fundamental do novo prédio construído em menos de dois anos sendo inaugurado, em pleno funcionamento, no dia 01 de agosto de 1943.  Este prédio foi construído ao longo da II GUERRA MUNDIAL e simultaneamente com o novo prédio do MESP. Uma massa de 2.000 legionário, vindos de todo o Brasil foram solidários e colaboraram para materializar este projeto audacioso para o este tempo, lugar e sociedade. O pensamento de Olinto de Oliveira mostrava  o seu vigor, de novo, e o acerto de sua persistência...  
No lançamento da pedra fundamental do novo prédio em 1941 ele  delega a sua representação  e a sua  fala ao seu antigo Vice Presidente e seu sucessor Victor Bastian. Na mensagem enviada para os festejos do cinquentenário da Faculdade de Medicina, ele inicia  as recordações com as mais elogiosas referências ao Instituto[1].


[1] - Anais da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, jan. 1948, s/p. {105ANAIS}
Fig. 22 –   A campanha para a novo prédio do IBSA-RS continuo e expandiu e materializou o pensamento do  médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira. Prédio construído no mesmo terreno -  por ele havia adquirido – aproveitava,  expandia e multiplicava o espaço para as Artes. Prédio erguido pelo IBA-RS na autonomia - como havia sido criado em 1956 - mobilizou toda a classe artística e cultural sul-rio-grandense e brasileira numa legião de 2.000 contribuintes locais e nacionais  Olinto de Oliveira mandou uma carta aos seus sucessores na direção do IBA-RS e lida publicamente no momento da colocação da pedra fundamental da nova edificação (fig.21).  

10 – O PENSAMENTO de  Olympio Olinto de OLIVEIRA e o seu legado institucional.

  Olinto dedicou a sua existência, como médico e pediatra, aos cuidados com a vida.  Mas através da arte conseguiu transcender aquilo que é fatalmente é consumido pela natureza. A competência profissional, arduamente conquistada, permitiu-lhe usar, no meio social, a liberdade para defender, tanto a ciência como a arte. Esse combate foi comandado pela ética. Essa ética tornou-se lúcida por uma consciência dos limites que foram dilatados na saúde, educação, letras e arte. Conseguiu transformar o ensino em educação. O seu pensamento ganhou forma e observadores, através da linguagem escrita manejada, por ele, com  precisão cirúrgica. Essa precisão retornou ao seu autor que tornou capaz de exercer uma reflexão e avaliação que o autorizavam a intervir no lugar, tempo e na forma exata. Se aceitarmos o democrata como ‘o cidadão que é capaz de representar, em si mesmo o todo no qual vive,’ Olinto de Oliveira teve, durante toda sua ação pública, essa visão ampliadora do mundo no qual vivia. Criou o Instituto como uma obra que o iria transcender consciente de estar representando uma parcela significativa do todo cultural no qual vivia. Com esse objetivo tenta vencer a fatalidade e a contingência da vida transformando o seu tempo, sua vida, sua ações em objetos da História não só como objetos dignos de serem preservado, mas capazes de revelar a verdade da qual nasceram.
Fig. 23 –   A vida, a obra e  o pensamento do  médico pediatra Olympio Olinto de Oliveira (1866-1956) responderam e foram coerentes com o seu tempo, lugar e sociedade. Nesta deslizar através do TEMPO (diacronia) e coerente com estava acontecendo nos seu PRESENTE (sincronia) Olinto soube escolher, evidenciar e praticar aquilo que o seu juízo, sua razão e seus limites lhe ditavam. Este ENTE - que respondia pelo nome do OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA - não deixava escapar de suas mãos  as menores oportunidades para  EXPRESSAR a sua AUTONOMIA. Expressões realizadas,  no âmbito dos seus  evidentes limites e desta dupla competência do seu TEMPO e do seu PRESENTE.  
[Clique sobre o gráfico para poder ler]

   Resumindo, podemos afirmar que Olinto foi capaz de exercer as suas variadas competências dentro dos limites nos quais viveu. Com tal ele estava na autonomia e, sua obra,  ainda continua sendo cultivada como valor  que deve ser-lhe atribuída conforme registra Arendt (1983, p.273).

É elemento indispensável para a nobreza humana acreditar que a individualidade do homem, o sujeito ultrapassa em grandeza e em importância tudo aquilo que ele pode fazer ou produzir. O que salva os grandes talentos, é que as pessoas que carregam os fardos permanecem superiores a aquilo que fazem, ao menos enquanto a fonte criadora permanecer viva, pois essa fonte brota de que eles são, ela é exterior ao processo da obra, e independente do papel que eles cumprem

    Estamos de novo face ao horizonte traçado por Aristóteles (1973, p.343 114a 10  ) para a arte toda a arte visa a geração e  se ocupa em inventar ...e cuja origem está no  que produz, e não no que é produzido”. O mesmo poderia ser dito do grupo que esteve sob a sua liderança. Pois o conjunto do Instituto pode ser examinado como um núcleo de competências que foi plasmado por esse grupo fundador. Esses reais valores permaneceram no tempo e se reproduziram, mantendo o seu significado original. A rigidez dos limites da estrutura adotada por esses mesmos cidadãos e colocada acima das suas personalidades individuais, para proteger essa fraca vida institucional numa possível  anomia das leis que eles criaram e inspiradas na ampla visão do Olinto de Oliveira, continuou, mesmo para além da Comissão Central e o seu espaço. Esse espaço gerado por essa Comissão, prevendo a anomia na oposição entre a instituição e a arte, foi ocupado pelos docentes. Esse novo grupo foi desafiado a mostrar efetivamente a sua competência para assumir todo esse espaço e os limites do Instituto que Olinto de Oliveira havia traçado e representado.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS relativas a OLINTO de OLIVEIRA

Anais da Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Porto Alegre: Globo  Jan. dez, 1948  66 p. il. Fotos

Boletim do Ministério de educação e Saúde Pública. Rio de Janeiro Ano i nºs 1 e 2  jan-jun 1931 –  última capa externa

Correio do Povo. Porto Alegre. 1895-1920: destaque para dia 20.10.1898  05.11.1898 (distingue positivismo de comtismo)[1]

CORTE REAL, Antônio. «O Instituto de Artes na Universidade Federal  do Rio Grande  do Sul (1908-1962)» in Subsídios para a História da Música no Rio Grande do Sul. 2.ed. Porto Alegre: Movimento, 1984. pp.234-289.
DAMASCENO, Athos. Artes plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo. 1971, pp. 444/9.

ELVO CLEMENTE « 95 anos de Academia» in Correio do Povo. Porto Alegre, ano 102, no  66, p.4, dia 05.12.1996

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SOUZA NEVES, Carlos de.  Ensino superior no Brasil.   Rio de Janeiro : MEC-INEP          4v. 1969.

SOUZA CAMPOS, Ernesto. Educação Superior no Brasil: esboço de um quadro histórico de 1549-1939. Rio de Janeiro: Ministério de Educação, 1940. 611p.
 ____.   História da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, 1954. 582p.

WEBSTER, Maria Helena et alii  Do passado ao presente: as artes plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Cambona, s/d. 83p.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS TEÓRICAS CITADAS

ARENDT, Hannah (1907-1975) Condition de l’homme moderne. Londres: Calmann-Lévy 1983. 369 p.    https://fr.wikipedia.org/wiki/Condition_de_l%27homme_moderne

ALMEIDA PRADO, J. F. Tomas Ender. São Paulo: Melhoramentos, 1955. p.383.

ARISTÓTELES (384-322). Ética a Nicômano. São Paulo: Abril Cultural1973. 329p

NAGLE, Jorge.  Educação e sociedade na Primeira República. São Paulo: EPU 1976.   400p.

SILVA, Hiake Roselaine Kleber de. -SOGIPA: uma trajetória de 130 anos. Porto Alegre:Sogipa, 1997. 100p.

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS
OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA DIRETOR da FACULDADE de MEDICINA de PORTO ALEGRE
 CORREIO do POVO - ANO 115 Nº 299 - PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 26 DE JULHO DE 2010 Há um século no Correio do Povo

INSTITUTO PASTEUR e OLYMPIO  OLINTO de OLIVEIRA
Correio do Povo ANO 115 Nº 313 - PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 9 DE AGOSTO DE 2010 Há um século
CONFLITO os médicos  PROTÀSIO ANTÒNUI ALVES e  OLYMPIO OLINTO de OLVEIRA

José ARAÙJO VIANNA (1871-1916) por Carlos Roberto da COSTA LEITE
http://coletiva.net/artigos/2017/07/araujo-viana-1871-1916-talento-e-pioneirismo-nos-pampas/

OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA na ACADEMIA BRASILEIRA de MEDICINA


INQUÉRITO da A B E sobre a UNIVERSIDADE no BRASIL - 1928 - INQUÉRITO LABORIAU



OLINTO de OLIVEIRA  é um dos 48 depoentes  para este inquérito



Mário OLINTO de OLIVEIRA (1898- 1976 )
foi Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria em 1930 e 1934 e foi homenageado por ela, ao ser indicado Patrono da Cadeira 23 da Academia Brasileira de Pediatria.

Plinio OLINTO de OLIVEIRA (1896-1956)   https://pt.wikipedia.org/wiki/Plínio_Olinto
Irmão de OLYMPIO OLINTO de OLIVEIRA

JOÂO OLINTO de OLIVEIRA (1843 -  ) Pai de Olímpio e de Plínio Olinto de OLIVEIRA

Loja “AO PREÇO FIXO PORTO ALEGRE”

Instalação do Conservatório da Música do IBAR-RS e ação de Olinta Braga e Araújo Vianna

ORIGENS do INSTITUTO de ARTES da UFRGS
SIMON, Cirio  - Origens do Instituto de Artes da UFRGS: etapas entre 1908-1962 e contribuições nas constituição de expressões de autonomia dos sistema de artes visuais no Rio Grande do Sul Porto Alegre : Orientação KERN, Maria Lúcia Bastos .PUC - RS, 2003—570 p..- versão 2012. em DVD Disponível digitalmente:  http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/2632/000323582.pdf?sequence=1


[1] A maioria dos artigos do Correio do Povo, assinados por Maurício Bœhm, tem por tema a Música. Entre as crônicas relativas as artes visuais, recuperadas pela pesquisadora Cláudia Maria Rodrigues, podem ser citados ‘Romualdo Prati’(12.07.1896) ‘Litran’(20.11.1896), ‘Libindo Ferrás’(13.02.1897, ‘Bellas Artes – Pedro Weingärtner’( Domingo 03.07.1898) e ‘Pedro Weingärtner’ (11.12.1898). Uma noticia sobre uma escola e uma pinacoteca em Curitiba sob o título ‘Bellas Artes, Escola de Bellas Artes e Industriais do Paraná e Pinacotheca’ se, não escrito por Olinto, o deve ter motivado para a criação do Instituto de Belas Artes.  (Correio do Povo, ano 3 , no 191,  em 24.08.1898).  Para Maurício Bœhm ver Damasceno 1971, p.239

[2] O pensamento e as crônicas de Olímpio Olinto de Oliveira estão sendo resgatados  e sistematizados pela pesquisadora Cláudia Maria Gonçalves, do programa de pós-graduação de Música do Instituto de Artes da UFRGS sob a orientação da Profª Drª Maria Elizabeth Lucas.

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