domingo, 9 de abril de 2017

199 – ESTUDOS de ARTE



INSTITUTO de EDUCAÇÃO

FLORES da CUNHA

– PORTO ALEGRE.


REVISTA do GLOBO nº 172 p. 23. 23.11.1935
Fig. 01 –  O prédio do  atual Instituto Flores da Cunha foi concebido e executado ao longo dos anos de 1934 e 1935  com projeto e supervisão direta e pessoal de  Fernando Corona. Porém, antes de ser instituição escolar foi o Pavilhão Cultural do Rio Grande do Sul da Exposição do Centenário Farroupilha,  aberta no dia 20 de setembro de 1935.



Para quem transita diante, ou mesmo frequente, o imponente prédio do Instituto de Educação Flores da Cunha necessita de uma vasta rede de informações das confluências que nele convergem e de influências que dele partem.   eu este prédio simboliza e materializa. Prédio que materializa um mundo de confluências, realidades e projetos que este recinto significa para a cultura sul-rio-grandense e patrimônio  imaterial que ali converge e se encerra. Penetrar neste espaço -  físico e simbólico - significa encontrar e escutar os ecos das mais grandiosa e eficazes vozes, gestos e figuras que modelaram o espaço publico da educação escolar sul-rio-grandense.

Fig. 02 – A escadaria monumental da entrada do prédio do Instituto Flores da Cunha foi concebido e executado Fernando Corona ao longo dos anos de 1934 e 1935. Este arquiteto havia trabalhado e escreveu um livro[1] relativo a história do Palácio do Governo (Piratini). Supõe-se que a escadaria do Palácio do Governo tenha inspirado a forma e a volumetria daquela do Instituto. O planejamento deixou espaço para três telas qu destinavam ao Piratini e que nunca foram ali colocadas. Fernando Corona que conhecia pessoalmente os artistas reservou-lhes um espaço nobre e definitivo sem gastos ao erário publico



Para iniciar esta compreensão do espaço físico do prédio do Instituto de Educação Flores da Cunha é saudável a leitura do Diário  [2] inédito do arquiteto, escultor e professor Fernando Corona que concebeu em 1934, dirigiu e o entregou, este prédio, em 1935, para as solenidades e a realização da exposição do Centenário Farroupilha.
Fernando Corona vinha de uma longa tradição familiar. Nesta origem os seus antepassados haviam praticado e consolidado conhecimentos, vontades e sentimentos coerentes com a profissão de escultor, construtor e arquiteto.
 Em Porto Alegre teve de se adaptar à dura realidade de uma cultura arquitetônica local. Sofreu derrota com os  donos do poder local que concederam ao seu pai um 1º lugar e prêmio internacional para  o projeto da  catedral metropolitana. Estes mesmos donos locais simplesmente ignoraram e preteriram a favor de alguém que nem se apresentou para o concurso internacional. Aniquilaram o trabalho, a sabedoria e a inspiração paterna.
Fernando Corona conseguiu reverter esta derrota paterna com um longo e penoso trabalho. Após a Revolução de 1930 foi quando o primeiro mandatário do Rio Grande do Sul confiou-lhe uma série de projetos de escolas do interior e a joia desta coroa no projeto e acompanhamento do seu projeto pessoal na forma do Instituto de Educação Flores da Cunha de Porto Alegre
Fernando Corona escreveu em relação ao prédio do Instituto de Educação no seu DIÁRIO nº 1 (nas folhas 338 até 344) para o ano de 1934 que:
  “o General Flores da Cunha, chefe do Governo Estadual pediu ao Engenheiro Fernando de Azevedo Moura para dar uma Chegada ao Palácio Piratini. O Dr. Moura me convidou para junto dele ouvir a palavra do nosso governante. Era o General Flores da Cunha um dos homens que eu mais admirava pelas suas virtudes de “condotiere”. Fomos recebidos muito bem e em seguida foi dizendo: “Quero acabar com o cambalacho entre a firma Azevedo Moura & Gertum e Danhe Conceição & Cia. Vocês com as concorrências dos colégios dividiu o bolo sem eu saber como é o segredo. Vamos agora viver as claras. Quero construir duas obras importantes. A Escola Normal e o Matadouro.
- Vou dar a Escola Normal para vocês e o matadouro para o Dahne.



[1] CORONA, Fernando Palácios do governo do Rio Grande do Sul : histórico de projetos, construção, obras de arte e seus autores. Porto Alegre : [s.n.], 1973. [41] p. : il. Biblioteca UFRGS ARQ

[2] CAMINHADA de FERNANDO CORONA: Tomo I. 01 de janeiro de 1911 até dezembro de 1949 – donde se conta de como saí de casa e aqui fiquei para sempre: nasci num lugar e renasci em outro onde encontrei amor .Tomo I 604 fpp Folhas de arquivo: 210 mm X 149 mm. Original de propriedade dos descendentes da família Fernando Corona                                 

CAMINHADA de FERNANDO CORONA. Tomo II 1945/49-1953. um homem como qualquer: renascer em um lugar e renascer em outronTomo II 220 fpp Folhas de arquivo: 210 mm X 149 mm.





Fig. 03 – O General Antônio Flores da Cunha foi uma das figuras centrais da Revolução de 1930. Aproveitou o espaço politico conquistado para planejar uma revolução sul-rio-grandense na educação escolar. A Celebração do Centenário da Revolução Farroupilha foi a vitrina de seu projeto. A Exposição deste Centenário foi a maior e a mais exitosa que já se celebrou no Rio Grande do SUL. O prédio do Instituto de Educação - que levou seu nome - foi a joia da coroa e que permaneceu deste evento
.   


Podem iniciar o estudo do terreno que deverá ser no campo da Redenção. Escolham o local que eu depois me entenderei com a Prefeitura. Saímos satisfeitos do Palácio e ao dia seguinte fui até o Parque Farroupilha escolher o terreno. Para não entrar campo adentro escolhi um triangulo irregular plano e de frente para a av. Osvaldo Aranha. Munido das medidas do terreno conforme levantamento feito por mim mesmo e alguma auxiliar, iniciei os estudos de um anteprojeto. Antes, porém, fiz uma visita a Escola Normal dirigida pelo jornalista e poeta Emilio Kemp. A nova Escola Normal era uma promessa feita em público em 1931 pelo Interventor Federal General Flores da Cunha. Transcrevo a noticia publicada pela imprensa


EMÌLIO KEMP num desenho de um dos seus estudantes na REVISTA ESTUDO nº1 - 1930 - p.13  
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2236-34592013000200005
https://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADlio_Kemp

Fig. 04 – O medico, jornalista e pedagogo Emílio Kemp tinha defendido tese de doutorado na mesma área de Olímpio Olinto de Oliveira (1866-1956). A partir da origem do Ministério da Educação e Saúde Publica o pediatra Dr, Olinto de Oliveira foi diretor da Saúde Infanto Juvenil
[1]. Não se encontrou ainda evidências da interação Dr. KEMP, Dr. OLINTO e INSTITUTO de EDUCAÇÂO FLORES da CUNHA. Porém a evidência desta interação se encontra no cuidadoso planejamento de Fernando Corona para adotar um espaço seguro e reservado par o Jardim de Infância e com suficiente flexibilidade para adaptações e denominações posteriores conforme os progressos pedagógicos





[1]  MESP 1931 BOLETIM Ministério da Educação e Saúde Pública. Rio de Janeiro: MESP ano 1. Nºs  1 e 2 , jan-jun 1931

“Em entrevista que o  Dr. Emilio Kemp deu ao “Jornal da noite em 1934, declarou: Aqui estiveram os engenheiros Fernando de Azevedo Moura e Lanry Conceição e mais o arquiteto Fernando Corona que, na minha companhia e do Professores Drs. Alcides Cunha, engenheiro militar, Marques Pereira, Médico, Tupi Caldas, Professora Dona Olga Acauan. Dona Consuelo Costa e dona Maria de Abreu Lima, nos reunimos cada qual lembrando o que era necessário para que o nosso edifício satisfizesse plenamente a finalidade de uma Escola Normal moderna.

[1]  MESP 1931 BOLETIM Ministério da Educação e Saúde Pública. Rio de Janeiro: MESP ano 1. Nºs  1 e 2 , jan-jun 1931



Fig. 05 – O antigo prédio do Liceu Sul-rio-grandense Dom Afonso[1] vinha do Império e teve os mais variados usos. Ali, nos primórdios do Regime Republicano, iniciaram as sociedades mantenedora da Escola de Engenharia (1896), da Faculdade de Direito (1900) do Instituto de Artes (1908). Enquanto isto era Biblioteca Pública do RS até sei incêndio em junto o Tribunal de Justiça no dia 19.11.1949[2], Situado na esquina da s Ruas Duque de Caxias e Marechal Floriano . Hoje as sua paredes originais ainda estão de pé, recobertas com outro revestimento e acolhem o Colégio Sevigné.   
[1] Liceu Dom Afonso https://pt.wikipedia.org/wiki/Liceu_Dom_Afonso + http://ronaldofotografia.blogspot.com.br/2011/04/biblioteca-publica-do-estado-do-rio.html

[2] Dois Incêndios http://conselheirox.blogspot.com.br/2014/01/porto-alegre-1949-o-incendio-do.html



Realmente, o velho casarão da rua Duque de Caxias era imprestável. Fiquei assombrado quando Dona Olga Acauan me mostrou as salas de aula, onde em cada uma havia mais de cem alunas amontoadas. Além do sacrifício aquilo era anti humano. 



[1] Liceu Dom Afonso https://pt.wikipedia.org/wiki/Liceu_Dom_Afonso + http://ronaldofotografia.blogspot.com.br/2011/04/biblioteca-publica-do-estado-do-rio.html


[2] Dois Incêndios http://conselheirox.blogspot.com.br/2014/01/porto-alegre-1949-o-incendio-do.html


Olga ACAUAN in REVISTA ESTUDO nº 1 1925 p.11
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2236-34592013000200005

Fig. 06 – A liderança de OLGA ACAUAN GEYER veio através de um longo, intenso e caro estagio de três anos no núcleo de formação do magistério nacional do Uruguai. Com estes conhecimentos, vontade e sentimento ela se lançou na transformação do antigo prédio do Liceu Sul-rio-grandense Dom Afonso num laboratório pedagógico. Este laboratório estava apto e maduro para o transplante para um novo prédio e digno de seu projeto estadual. Assim repassou paro o arquiteto Fernando Corona - e a sua extensa equipe- o que deveria figurar ser instalado no novo prédio do Instituto de Educação Flores da Cunha




O Diretor Emilio Kemp destacou a Professora Olga Acauan para estudar comigo o programa – teste. A escola teria capacidade para 2.000 alunos com previsão para aumento, dividida em três setores. Jardins da infância. Curso de Aplicação e Curso Normal, com gabinetes de ciência natural, física, clube dos alunos, cozinha, merenda etc. Minha experiência em projetos escolares havia sido provada nas escolas – tipo do interior do estado. Projetar a Escola Normal em espaço livre, não dimensionado, era ideal, e para mim um sonho. O estudo inicial foi por uma unidade de aula de 6,80m por 8.40m. O total do comprimento da fachada, incluindo paredes iria a 127,95 metros. Desenhado o primeiro esboço, foi levado ao General Flores da Cunha incluindo orçamento que alcançava mais de três mil contos de reis.


- O projeto é muito bonito, grandioso mesmo, disse o general. Mas acontece que só posso gastar 2.000 contos de reis e nada mais. Quero em vinte e quatro horas um reestudo com orçamento certo.
A vitima fui eu que trabalhei dia e noite sem dormir. O orçamento alcançava 2.198 contos de reis se não me engano. O General aprovou o reestudo e encomendou a obra, recomendando que a queria dentro de um ano. Em fins de agosto o projeto definitivo estava terminado, trabalho que fiz na escala de 1:50 sem auxilio de nenhum desenhista. Meu compromisso com a firma era este: Durante a construção da obra, eu teria que ir de manhã para dirigir os mestres e a tarde fazer os detalhes. A firma me pagava um conto e oitocentos mil reis por mês. Eles resolveram pagar-me mais 50% dos lucros da obra. E assim foram iniciados os trabalhos sob a direção do mestre italiano José Vergo, com quem me desentendi um dia. Começava o revestimento pela platibanda quando de longe verifiquei que estava fora do nível. Subi os andaimes com o mestre Vergo e verificamos que a diferença era de 12 centímetros. Não seria nada se eu não notasse que com o cimento branco e pó de pedra branca, havia umas pintas que me pareciam de cal. Reclamei e Vergo me diz que usava cal para render mais metros quadrados. Protestei logo e dei ciência no escritório. José Vergo foi substituído pelo espanhol de Minas Gerais José Batista que terminou a obra a contento e muito bem. O ato de entrega da obra foi feito 360 dias após o inicio. Escolhi o estilo grego para o desenvolvimento das fachadas. O pórtico, mais rico, seria inspirado nas colunas jônicas do templo de Artêmis. Eram fiscais da obra pela Secretaria de Obras Públicas, os engenheiros João Batista Píanca, pela obra, Ciro Martins pela instalação sanitária e Pereira da Costa pela eletricidade. Como a firma me conferisse carta branca para a execução da obra, eu mesmo fornecia os detalhes para esquadria interna e interna, instalações sanitárias, eletricidade, funilaria, carpintaria, etc. Chamava os interessados fornecedores e eu mesmo resolvia escolher o mais conveniente. Fiz 108 desenhos em tamanho natural  e eu mesmo assumia a responsabilidade das medidas na alvenaria de tijolo. Nada em escapava para nada faltasse na obra. Das nove às onze da manhã corria pelos andaimes e à tarde já levava as medidas exatas para a execução dos detalhes.
Esta narrativa não deixa de lado nem a guerras, intrigas e espertezas das empreiteiras da época e das quais o Brasil não se libertou ate hoje.
No entanto, numa leitura mais atenta e centrada no foco, se percebe que:
1 – O projeto do Instituto de Educação Flores da Cunha de Porto Alegre era a materialização física, o coroamento e a potencialização de um projeto de educação que estava em andamento há longo tempo[1]. Projeto de educação que ganhou dimensões políticas e governamentais após a Revolução de 1930 liderada por sul-rio-grandenses.  Estes estavam empenhados em mostrar em tudo território estadual a eficácia do seu projeto político. Muitas cidades do Rio Grande do Sul exibem, até o presente, prédios escolares estaduais desta época. Antecedem em 30 anos o projeto das “brizoletas”



REVISTA ESTUDO nº 1 de 1931 - p.17. Visita ao “Aero Porto” da Ilha dos Marinheiros
Fig. 07 –  A Ciência  aprendida na prática e sob o comando de Olga ACAUN GEYER, Na imagem as estudantes do CLUBE de CIÊNCIAS OLGA ACAUAN do curso de formação de professoras são recebidas por  Otto Ernest Meyer diretor da CONDOR SYNDICAT e fundador da VARIG  no “AERO PORTO” da ilha dos Marinheiros frente a Porto Alegre. Após a Revolução de 1930 o Rio Grande do Sul do qual partida a iniciativa desta virada na vida política nacional fortaleceu as asas das VARIG e que fazia as conexões regionais e nacionais. Mais do que as aeronaves estava no ar um novo odo de pensar e que devia ser replantada nas vontades, mentes e sentimentos dos estudantes.

Informações relativas  a Otto Ernest Meyer consultar:
ALBUQUERQUE  Mário de Berta e os anos dourados da VARIG: uma história de bastidores nunca revelados – Porto Alegre: ed. do Autor 2017 416 p, il 25 cm ISBN 978-85-5697-190-6



2 – O arquiteto cercou-se, ouviu e aplicou uma série de recomendações de especialistas da área central ou periférica da Educação formal escolar.

Em raras ocasiões um projeto arquitetônico recebeu tão nutrido, denso e qualificado quadro de colaboradores, consultores e dirigentes. Neste quando estava o engenheiro João Batista Píanca[1], pela obra comandando os fiscais da obra pela Secretaria de Obras Públicas. Os engenheiros Fernando de Azevedo Moura e Lanry Conceição assumiam a função da construtora. A eletricidade cabia ao engenheiro Pereira da Costa. As instalações de ordem sanitária cabiam ao Médico Marques Pereira pela psiquiatra médico Ciro Martins[2]. Além dos professores Drs. Alcides Cunha, engenheiro militar, Tupi Caldas[3], Professora Dona Olga Acauan. Dona Consuelo Costa e dona Maria de Abreu Lima.
Em 1934 este quadro de colaboradores, consultores e dirigentes operava sobre uma densa memória de êxitos[4] e também fracassos do passado. Cada um deles providenciou a passagem de suas competências para uma galeria  de personalidades que se prolongaram no tempo.
Dr. Emilio Kemp deu ao “Jornal da noite em 1934, declarou: Aqui estiveram os engenheiros Fernando de Azevedo Moura e Lanry Conceição e mais o arquiteto Fernando Corona que, na minha companhia e dos Professores Drs. Alcides Cunha, engenheiro militar, Marques Pereira, Médico, Tupi Caldas, Professora Dona Olga Acauan. Dona Consuelo Costa e dona Maria de Abreu Lima.

3 – Um dos pontos centrais do projeto do prédio do Instituto de Educação era a saúde infanto materna. O sul-rio-grandense  Dr. Olympio Olinto de Oliveira ocupava o cargo de Diretor da Divisão de Saúde Infanto Materna no recém criado Ministério da Educação e Saúde Pública. Os jardins de Infância ganharam visibilidade e uma política própria. O  Instituto de Educação Flores da Cunha  passou a privilegiar esta política. Fernando Corona incluiu e tratou arquitetonicamente o espaço físico para as suas atividades diferenciadas
4 – Os “108 desenhos em tamanho natural” de Fenando Corona são um índice do rigoroso, detalhado planejamento técnico deste empreendimento. De outra parte este índice reforça a publicidade, a eficácia   econômica dos valores ali investidos não deixando margem para  subterfúgios ou maquiagens orçamentárias.

[1] Joao Baptista PIANCA_ Manual do Construtor https://www.estantevirtual.com.br/busca?q=joao+baptista+pianca+manual+do+construtor 
[2] Cyro dos Santos MARTINS (1908-1995) https://pt.wikipedia.org/wiki/Cyro_Martins 
[3]  José Antônio Louzada TUOI CALDAS https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaci_Antonio_Louzada_Tupi_Caldas 
[4] - Esta galeria inicial foi estudada nos séculos XVII e XIX por SCHNEIDER, Regina Portela – A Instrução Pública no Rio Grande do Sul (1770-1889) Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS/ EST Edições 1993, 496


Capa da CARTILHA “QUERES LER?” Porto Alegre; Ed. Martins [fac-símile da 30ª ed], 2007, 124 pp.

Fig. 08 – A contribuição mais ampla e duradora das Professoras Olga ACAUN GAYER e Branca Diva PEREIRA de SOUZA foi a tradução e adaptação da cartilha uruguaia “QUERES LER” trazida de um estágio de três anos em Montevidéu[1] agenciado e propiciado pelo estadual deputado Alfredo Clemente Pinto(1854 -1938) Este, por sua vez, organizou e editou uma série de textos na sua não menos famosa e reeditada “SELETA PROSA e VERSO”. Este volume encerrava o processo do ensino aprendizagem do Curso Primário iniciado pela cartilha “QUERES LER” .


[1] Conforme Trindade, esta Escola Complementar enviou a Montevidéu no ano de 1914, professores e entre as alunas-mestras, Olga Acauan e Branca Diva com a missão de observar métodos de ensino seguidos nos estabelecimentos de instrução pública do Uruguai, referencial na área da educação. Branca Diva permaneceu em Montevidéu por três anos, aperfeiçoando seus estudos nas Escolas Normal e de Aplicação e por lá diplomando- se, integrando-se à turma de educadoras ao ser aprovada em teorias e práticas, requisitos exigidos pelo decreto nº 2220 de 14 de novembro de 1914. Ao retornar ao Brasil escreveu livro didático em parceria com Olga Acauan, adaptado da obra didática uruguaia de José Henriques Figueira “¿Quieres Leer?”. A obra escrita por elas foi embasada em uma técnica de alfabetização, cujo teor pedagógico foi digno de estudos comparativos entre “¿Quieres Leer?” e o livro de João de Deus “Cartilha Maternal”, publicada em 1876 em Portugal. In http://www.rotaacoriana.com.br/blog.php?blog=632&i=21&c=0


5 – A obra arquitetônica do Instituto de Educação Flores da Cunha continua sendo uma lição permanente e por si mesma. Ali se materializam e aliam a nobreza da arte, da técnica e espaço físico construído à serviço da educação e formação escolar. Isto é evidente até os dias atuais e continua a educar tanto o transeunte apressado com que frequenta e vive este espaço como instrumento pedagógico.



Fig. 09 – A rápida corrosão do projeto inicial, as suas distorções econômicas, ideológicas e pedagógicas.... evidenciam a falta de um projeto nacional e estadual unívoco e linear, Por mais que uma geração propunha, realiza e evidencia um projeto institucional e civilizatório para todos ele sempre necessita dar pesados descontos para o seu LUGAR, seu TEMPO e sua SOCIEDADE carente destes contrato coletivo..

Os estragos começaram dois anos após a solene inauguração do dia 20 de setembro de 1935. No dia 26 de outubro de 1937 o governador Flores da Cunha renunciou devido a as ameaças e a afetiva decretação da ditadura do Estado Novo. Este revidou retirando o nome Flores da Cunha  tanto do Instituto como da Avenida Flores da Cunha uma das principais artérias da capital que voltou a ser Avenida Independência como continua sendo até o presente.  O nome do Instituo voltou depois.


Reunião do corpo docente municipal de Sarandi–RS no final da década de 1940

Fig. 10 – Os planejamentos e as atividades didáticas e pedagógicas de todos os municípios sul-rio-grandenses tiveram ama interação muito tênue e quase imperceptível com o Instituto de Educação Flores da Cunha.. Assim cada município fazia, na época das férias escolares dos professores as suas reuniões de planejamento a ser executado nas salas de aula municipais ao longo do ano. Nem o corpo docente estadual ou particular interagia com estes encontros municipais



O descuido na formação do magistério sul-rio-grandense nunca respeitou a hierarquia de uma ESCOLA PADRÃO e referencial.  Bastava o formalismo de uma legislação central e metafísica. Não importava como, quando e quem aplicava esta legislação central e metafísica no mundo prático da sala de aula com grande elasticidade. Se é que chegava até estas quatro paredes desconfortáveis e para maioria um castigo corporal e mental comandando por alguém desmotivado. De outra parte esta formação do magistério era tocada de ouvido sem ler a pauta de um período de IMPLEMENTAÇÃO para garantir uma eficaz e coerente IMPLANTAÇÃO de uma rede altamente qualificada de INSTITUTOS de EDUCAÇÃO motivados e com recursos adequados para esta função.


Fig. 11 – Os dois murais de Luís Augusto de Freias não foram instalados no Palácio do Governo (Piratini), lugar para o qual foram encomendados. Corona os instalou na escadaria do Instituto Flores da Cunha. Antônio Parreiras pintara antes de Freitas, e Hélios Seelinger depois dele haviam sido contratados para estas pinturas sem que suas obras fossem instalados no lugar previsto. O esboço acima - do mural para o Palácio Piratini - é um presente de Freitas aos seu estudante Francisco Bellanca.



Os resultados, desta falta de uma politica efetiva, se manifestaram pela VERTIGINOSA DESQUALIFICAÇÃO do SALÁRIO do MAGISTÉRIO. Esta desqualificação veio em cascata e submergindo os salários docentes de alto para baixo. Igualou  salários docentes municipais, estaduais e particulares. O caro, pesado e longo processo de formação  docente já era prejuízo certo. A falta de apoio e de prestigio ao profissional da SALA de AULA transformou esta arte da sala de aula num faz de conta. Ou então num raro e solitário sacerdócio no qual se enclausuravam excelentes profissionais e alguns nem tanto. A permanência das mentalidades coloniais e escravagistas projeta-se tanto nos “DONOS do PODER” como naqueles condicionados por ele. A separação oficial CULTURA da EDUCAÇÃO realizada de cima para baixo, da forma atabalhoada e sem grandes justificativas decaiu para a separação da EDUCAÇãO da FORMAÇÃO humana. Este quadro agravou-se com a LINHA de MONTAGEM INDUSTRIAL que privilegia o SABER pontual e especializado e descarta o SER e a SUA FORMAÇÃO. Prestigiou-se a planejamento central,  separações das  linhas de montagem e o controle unívoco da ERA INDUSTRIAL aplicados tanto à EDUCAÇÂO como para a CULTURA. Evidente tudo sob o lápis da produtividade, do patrimonialismo e da ideologia de plantão no leme do GOVERNO ESTADUAL.

CORREIO do POVO ano 122 - Nº 189 . p. 12  Dia 07.04.2017 - Instituto de Educação
Fig. 12 – A preservação da obra de arte é algo diferente de um restauro. Especialmente quando se conhece o pensamento do autor de uma obra de arte. O pensamento e a narrativa desenvolvida por Fernando Corona não podem ser ignorado, atropelado e desqualificado por uma INDÚSTRIA do RESTAURO. Este pensamento solitário do autor soma-se Ás vozes, os pensamentos e as competências de todas as áreas e competências que este arquiteto conseguiu reunir e aglutinar ao se redor de sua concepção. Um dos principio básicos é sempre a reversibilidade ao original, a evidência da intervenção na obra original e que pode ser removida fácil e a qualquer momento.

[ clique sobre a imagem do texto para poder ler]

 Os menores estragos estão no corpo arquitetônico do Instituto de Educação. Os maiores estragos da EDUCAÇÃO confluem para o espaço pedagógico. Ali reboam fortes os ensinamentos de Heidegger no seu  “ENTE no SER” ou de Aristóteles “a ARTE ESTÁ em QUEM a PRODUZ, e NÃO no QUE PRODUZ”. Uma sociedade robotizada só pode gerar, se conduzir e se reproduzir por meio de robôs pré-programados e escravos, como quer dizer a etimologia tcheca deste termo.



ALGUMAS NARRATIVAS ESCRITAS
BOLETIM Ministério da Educação e Saúde Pública. Rio de Janeiro: MESP ano 1. Nºs  1 e 2 , jan-jun, 1931

CORONA, Fernando (1895-1979)  CAMINHADA de FERNANDO CORONA: Tomo I. 01 de janeiro de 1911 até dezembro de 1949 – donde se conta de como saí de casa e aqui  fiquei para sempre: nasci num lugar e renasci em outro onde encontrei amor .Tomo I  604 fpp Folhas de arquivo:  210 mm X 149 mm. Original de propriedade dos descendentes da família Fernando Corona                                  

-------CAMINHADA de FERNANDO CORONA. Tomo II 1945/49-1953. um homem como qualquer: renascer em um lugar e renascer em outronTomo II  220 fpp Folhas de arquivo:  210 mm X 149 mm.


FIGUEIRA, José Henrique Queres ler? (Tradução e adaptação por GAYER, Olga Acuan e SOUZA, Branca Diva Pereira de). Porto Alegre:  Ed. Martins fac-símile da 30ª ed],  2007,  p.124[1]
 
PINTO, Alfredo Clemente (1951-1938)[2]- SELETA PROSA e VERSO. Porto Alegre RS: Livraria Selbach,  1883-1946 – 316 p. 16cm X 22cm - Capa Dura Gravuras em p&b e 1 gravura em cores, fora do texto[3]

SCHNEIDER, Regina Portela – A Instrução Pública no Rio Grande do Sul (1770-1889) Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS/ EST Edições 1993, 496 p

ESPAÇO NUMÉRICO DIGITAL


INSTITUTO FLORES da CUNHA - Na WIKIPEDIA
https://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_de_Educa%C3%A7%C3%A3o_General_Flores_da_Cunha

INSTITUTO FLORES da CUNHA HISTÓRICO e do seu PATRONO
https://www.if.ufrgs.br/tex/edu02220/sem012/po2/texto272.html

INSTITUTO FLORES da CUNHA no FACE
https://www.facebook.com/Instituto-de-Educa%C3%A7%C3%A3o-Gen-Flores-da-Cunha-288300614528301/

Obras de arte restauradas
http://www.rs.gov.br/conteudo/136490/obras-de-arte-do-seculo-passado-sao-restauradas-com-apoio-do-estad
http://defender.org.br/tag/instituto-de-educacao-general-flores-da-cunha?print=print-page


INSTITUTO FLORES da CUNA - PROJETO REFORMA do PRÈDIO 2017
http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2016/01/geral/478293-instituto-de-educacao-ficara-18-meses-em-obras.html
http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/instituto-de-educacao-flores-da-cunha-sera-restaurado-em-porto-alegre-152429.html

REVISTA ESTUDOS 1922-1930

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2236-34592013000200005

A INFÂNCIA e OLGA ACAUAN no IE
http://criandoinfancias.blogspot.com.br/2009/09/exposicao-de-fotos-80-anos-educacao.html

EMILIO KEMP (1874-1955)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADlio_Kemp


Professora BRANCA DIVA PEREIRA dos SANTOS (1884-1656)
http://www.rotaacoriana.com.br/blog.php?blog=631&i=21&c=0
http://www.rotaacoriana.com.br/blog.php?blog=632&i=21&c=0

OLGA RVERBEL (1917-2008) Laboratório de Teatro e Didática no Instituto de Educação
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa513967/olga-reverbel

Alfredo Clemente Pinto (1854-1938)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfredo_Clemente_Pinto

Escola Alfredo Clemente Pinto
http://wp.clicrbs.com.br/memoria/2014/08/28/os-75-anos-do-colegio-clemento-pinto/?topo=35,1,1,,,35



[1] O  livro ¿Quieres leer?  foi publicado, em 1892. pelo educador uruguaio José Henríquez Figueira, Ele era Inspetor Escolar desde 1884, sendo sua obra didática reconhecida como propulsora de um método da leitura estruturado sobre bases científicas, verdadeira inovação pedagógica iniciada à época. Como o poeta luso, o educador uruguaio teve que vencer ideias relacionadas ao ensino da leitura que se contrapunham ao seu método no Uruguai. Uma missão da Escola Complementar de Porto Alegre, formada por professores/as e alunas mestras, foi a Montevidéu em 1913, com a incumbência de observar métodos de ensino seguidos nos estabelecimentos de instrução pública da adiantada República vizinha (Trindade, 2001). Olga Acauan e Branca Diva Pereira de Souza estavam entre as alunas-mestras que compunham a missão que adaptariam a obra didática uruguaia de Figueira, Esta foi aprovada pela Comissão de Exame das Obras Pedagógicas em 1924 e indicada por essa Comissão para adoção na Instrução Pública do nosso Estado em 1929, identificado-a como de orientação "analítico-sintética".
VER: TRINDADE, Iole Maria Faviero A PRODUÇÃO DE IDENTIDADES ALFABETIZANDAS SUL-RIO-GRANDENSES NA INTERSECÇÃO DE INFLUÊNCIAS EUROPÉIAS E LATINO-AMERICANAS – Disponível na Internet em
[2] Alfredo Clemente Pinto, N. Porto Alegre/RS, 1854 e F. Correias/RJ, 1938, estudou na Alemanha, para onde foi em 1863, e em Roma, lá diplomando-se em filosofia na Universidade Gregoriana e deixando inconcluso o curso de Teologia. Foi professor de línguas em diversos colégios de Porto Alegre e político, tendo sido deputado à Constituinte Riograndense em 1891. Membro fundador do IHGRGS, autor de vários livros didáticos e tradutor de obras de hidroterapia do Monsenhor Kneipp e de Os Muckers, do padre Schupp. Celebrizou-se com a sua Seleta em Prosa e Verso, que teve numerosas edições e deixou grata lembrança em gerações de gaúchos e brasileiros de outros estados que nela tiveram o primeiro contato com a literatura de língua portuguesa. (Fonte: Ari Martins, Escritores do Rio Grande do Sul, UFRGS/IEL, 1978).

[3] SELETA PROSA e VERSO  Coleção:  Os Melhores Autores Brasileiros e Portugueses Inclui notas ao pé das páginas.Obra de cunho didático com notas gramaticais e históricas. Português (Brasil) - Didáticos antigos: Literatura. Autores brasileiros e portugueses. Prosa e verso: Contos. Narrações. Parábolas. Lendas. Anedotas. Liras. Canções. Odes. Sonetos. Sátiras. Poesias épicas.

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