terça-feira, 29 de março de 2016

162 - A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL – Sumário

A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL
[sumário]

Publicam-se, a seguir, os sumários de cinco postagens que tratam da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL  disponíveis nos endereços eletrônicos na rede mundial. Estas cinco postagens tratam desta MISSÃO quando, em 2016, completam-se duzentos anos da sua presença, das suas ações e das repercussões em território nacional.

O CONDE da BARCA, JOAQUIM LE BRETON e os IRMÃOS von HUMBOLDT.

O Conde da Barca foi assaltado, em todas as gazetas Inglezas, como um partidista Francez. O mesmo Correio Brazilienie copiou essas infâmias ¿ Quanto nos regogisamos de as poder contradizer com a authoridade do Soberano¿ ” 
Correio Braziliense, fevereiro de 1816, p.191
Fig. 01 – A Missão Artística Francesa veio ao Brasil graça a mediação de Antônio de Araújo e Azevedo (1758-1817) - Ministro e Secretario de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos do Reino Unido Portugal Algarves e Brasil o 1º Conde da Barca. Esta mediação com a corte lusitana - hospedada , em 1816, no Rio de Janeiro – teve dificuldades e drásticas limitações. No entanto quando se rememora dois séculos desta iniciativa este projeto teve saudáveis projeções e que repercutem até os dias atuais. 

A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA no BRASIL envolveu a mediação do CONDE da BARCA, de JOAQUIM LE BRETON e os IRMÃOS von HUMBOLDT. O Conde da BARCA foi responsável por um amplo projeto civilizatório destinado ao Brasil soberano. Para tanto manteve contatos continuados pessoais com a intelectualidade de proa como os IRMÂOS HUMBOLDT e Joaquim LE BRETON. Este último havia sido o Secretário Perpetuo do “INSTITUT de FRANCE” ao longo da Revolução Francesa e no Império de Napoleão Bonaparte. Os IRMÃOS von HUMBOLDT haviam criado a UNIVERSIDADE que leva o seu nome. Alexandre von HUMBOLDT conhecia a realidade da América enquanto o Barão Johann William von HUMBOLDT era diplomata europeu muito atento à nova realidade emergente da ERA INDUSTRIAL. Esta nova realidade afetava diretamente as realidades institucionais da Europa da época. Elas reagiam ao Iluminismo, à Revolução Francesa e às intensas e gigantescas campanhas napoleônicas. Para materializar estes contatos, o CONDE da BARCA trouxe ao Rio de Janeiro uma expressiva biblioteca e obras de arte. Ele cogitou destiná-las a serem sementes de instituições culturais de uma nova nação soberana.
Eduard Hildebrandt (1818-1869) Salvador (1844) Bahaia
Fig. 02 – Aparência  de Salvador  BAHIA  um pouco após a época da  viagem a Missão Artística Francesa ao Brasil.  A ambição e  a mediação do 1º Conde da Barca destinava  o projeto da Miissão para todo o território brasileiro  Porém com a soberania nacional este hábito centralista e monocrático da corte lusitana deslocou-se de Lisboa para ao Rio de Janeiro. Enquanto isto as antigas CAPITANIAS foram transformadas em PROVINCIAIS IMPERIAIS. De outra parte seguia centralismo monocrático da tradição da França comandada e dependente de Paris.  .  .
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As atividades e os contatos do Conde da Barca com a cultura  francesa valeram-lhe reações silenciosas e persistentes das elites dos favorecidas provenientes da ERA COLONIAL BRASILEIRA. O editor do CORREIO BRAZILIENSE teve ocasião de perceber esta situação e tentar remediá-la um ano antes da morte de Antônio de Araújo e Azevedo Conforme este registro e reparação o Conde da Barca e Hipólito José da Costa estavam em lados e regimes opostos em relação aos franceses. O Conde da Barca sempre se pautou pela Ciência, cultura e Diplomacia francesas, enquanto Hipólito tinha aderido ao lado britânico e contra Napoleão Bonaparte. Temos de reconhecer no editor do CORREIO BRAZILIENSE as virtudes e para conferir qualidades mesmo naqueles que pertencem  e militam num paradigma oposto ao seu.
Porém esta reação silenciosa e persistente das elites favorecidas, provenientes da ERA COLONIAL BRASILEIRA, custou caro para a fortuna, o progresso resultados práticos que a MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. O Brasil perdeu a contribuição do Conde da Barca naquilo que potencialmente esta MISSÃO poderia ter contribuído no desenvolvimento da Arte da Cultura e da Indústria brasileiras.
No entanto estavam lançadas as sementes trazidas pela MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Ela continuam  germinar e ainda produzir seus frutos em 2016
LEIA MAIS em:
0-131 NÃO FOI no GRITO

Fig. 03 – O texto da  carta de Joaquin LE BRETON (1760-1819)[1]  ao CONDE da BARCA guarda ainda a essência do projeto da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. O seu pensamento busca  interação do PODER ORIGINÁRIO com  ESTADO NACIONAL em formação..  Defenestrado do cargo de Secretário Perpétuo do INSTITUTO da FRANÇA recomeçava no Brasil o seu ideário. No comando da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA, ofereceu o melhor do seu pensamento e obra ao Reino Unido com o objetivo da formação de um novo  ESTADO NACIONAL soberano.

CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA
O pesquisador Mario Barata (1921-2007)  encontrou no acervo dos documentos do Itamaraty uma carta de Joaquim LE BRETON e a publicou no final da década de 1950[2]. O texto, desta carta, é datado do dia 12 de junho de 1816 e teve um curto trânsito e foi pouco divulgada e menos estudada. Não temos certeza se o próprio destinatário o recebeu, o colocou em prática e muito menos se o respondeu.
Neste documento Joaquim LE BRETON tentou  conferir uma linha de pensamento governamental e um sentido administrativo e um conteúdo básico para o início institucional das artes no Brasil. Porém a ênfase maior deste texto recai sobre a SOCIEDADE, o LUGAR e o TEMPO que deveriam receber uma  instituição de arte nos moldes europeus da época. O seu autor estava impregnado pelas ideais iluministas enquanto refletia sobre os sucessos e fracassos da Revolução Francesa e do Império Napoleônico.  Le Breton aproveitava a ocasião para tentar dar uma forma à Era Industrial emergente na época e a adaptá-la ao que seria possível numa terra na qual a ERA AGRÍCOLA reinava ainda hegemônica e inconteste. O pensamento e a experiência do Secretário Perpétuo do “Institut de France” colocava-se diante desta realidade nova. Ele comandava uma MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA contratada e ao serviço da burocracia do BRASIL UNIDO.  Na sua carta ele sintetizava as suas concepções e buscava transferi-las ao Novo Mundo. Porém esta tentativa teve vida curta. Vida que durou até o dia 12 de agosto de 1816. Nesta data a burocracia governo do BRASIL UNIDO adotou um paradigma completamente diferente do sugerido por Joaquim LEBRETON para criar a  “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS.

Acredita-se que o PENSAMENTO  permanece, razão pela qual publica-se o texto deste documento descartado neste projeto. Destaca-se que o texto - desta carta de 1816 - expressa o PENSAMENTO de um PROJETO anterior ao FAZER. Quando este FAZER veio ao mundo, a corte monocrática adotou uma forma de uma instituição burocrática e patrimonialista. O paradigma adotado ainda estava mergulhado na ERA AGRÍCOLA e era refém desta  lógica. 



[2] REVISTA do PATRIMÔNIO ARTISTICO NACIONAL - nº 14 -  1959      http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/RevPat14_m.pdf
D. Miguel Angel Blasco | Prospectiva da cidade do Rio de Janeiro, 1760
nanquim, aquarela, papel canson telado | 67 x 247 cm
Fig. 04 – A MISSÂO ARTISTICA FRANCESA como também  LE BRETON estavam no Rio de Janeiro por uma NECESSIDADE objetiva e determinante. A  imigração para os quatro cantos do mundo era, em 1816, a sina de milhões de europeus compelidos  pela nova ERA INDUSTRIAL a mudar hábitos, modos de produção e domicílios  multisseculares. Esta NECESSIDADE não impedia o seu TRABALHO e os seus PROJETOS. Ao contrário encontravam uma  TERRA ONDE HAVIA TUDO a FAZER. Na institucionalização da ARTE no âmbito governamental no território brasileiro estava tudo para acontecer ainda.
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Nos méritos do projeto de Joaquim LE BRETON  é necessário destacar que a AVALIAÇÃO da EDUCAÇÃO INSTITUCIONAL nas ARTES só e possível a partir de um PROJETO. O texto  e o PROJETO, construído por LE BRETON,  concebe componentes teóricos e da logística institucional que sobre passam qualquer  estética particular, técnica determinista ou agentes personalistas e insubstituíveis. Ele mesmo, e o seu patrono, pereceram pouco tempo após esta carta. Contudo não se perdeu em ideias imponderáveis e abstratas. Para se alçar a este patamar superior referendou, o seu projeto, simultaneamente nas suas circunstâncias POLÍTICAS, ECONÔMICAS, TÉCNICAS e SOCIAIS BRASILEIRAS da ÉPOCA. Colocou este projeto no início do caminho e da ação a ser concretizado no âmbito do NOVO MUNDO. LE BRETON seguiu a lógica de que não adianta correr, saltar obstáculos realizar rupturas epistêmicas sem um PROJETO. Com as suas recentes experiências pessoais na Europa sabia para onde era possível ir, o que era possível gastar, como realizar e quais escolhas irreversíveis a serem enfrentadas.
Involuntariamente o projeto de LE BRETON possui outro mérito. Ele nada ficou a dever ao FAZER monocrático,  eclético e patrimonialista da corte. Isto porque  o seu  projeto não foi adotado e nem misturado com uma instituição burocrática e de curto alcance. Em compensação a matriz das ideias do Secretário Perpétuo do “Institut de France” pode ser consultada, criticada e ganhar uma dimensão atual e universal para as culturas em trânsito como as atuais.  
Outro mérito e não cair na tentação utopista e quixotesca. Nesta ascese LE BRETON silencia muitas coisas que não podiam ser ditas e nem enfrentadas na época. Em 1816 a ruptura com um passado colonial e escravocrata era algo impossível no Brasil. O Regime Colonial e a escravidão impregnavam subliminarmente ideias, hábitos de sua época e barravam qualquer iniciativa frontalmente antagônica. Talvez este projeto de LE BRETON  ainda é muito arrojado no Brasil do ano de 2016.

LEIA o TEXTO da CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA  em:
151 – LOGÍSTICA em ESTUDOS de ARTE:  Indústria e Arte no Brasil em 1816


Portal da Imperial Academia no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Fig. 05 – O Rio de Janeiro guarda alguns  vestígios da passagem de Dom João VI e da presença da MISSÃO ARTÍSTICA. Cientistas (palmeias reais) e artistas (pórtico da IABA) de nível internacional acorreram pela mediação na corte lusitana destinava no Brasil. O DIA da ARTE no Brasil busca estes vestígios institucionais que se prolongam a partir deste projeto civilizatório desencadeado no dia 12 de agosto de 1816.

12 de agosto: DIA da ARTE no BRASIL.
O DIA da ARTE rememora o ocorrido em 12 de agosto de 1816. Nesta data o governo do BRASIL UNIDO criou oficialmente a “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS”[1]. Assim o 11 de agosto rememora o dia ADVOGADO devido a criação das Faculdades de Direito de São Paulo e de Olinda, em 1827.
O DIA da ARTE de 12 de agosto de 2016 possui um significado especial, pois esta data marca o bicentenário desta criação do 1º Curso Superior de Arte no Brasil.
 A criação oficial da “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS” no Brasil - acima do mérito e da natureza da instituição possível na época para a Artes -  os seus agentes primordiais são o rei Dom João VI,  o CONDE da BARCA, Joaquim LE BRETON e MISSÃO ARTISTICA FRANCESA.
A data de 12 de agosto de 1816 constitui uma espécie de prelúdio, ou um ensaio, da SOBERANIA BRASILEIRA de PORTUGAL. A concepção da “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS” foi realizada no âmbito do NOVO MUNDO, concretizou-se e consolidou a expressão da sua autonomia, sem depender da antiga metrópole lusitana.

LEIA MAIS em:
0-158 - ESTUDO das ARTES – O DIA da ARTE



[1] DECRETO REAL do dia 12 de AGOSTO de 1816 cria a ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS
Fig. 06 –  Os restos do pórtico da Imperial Academia de Belas Artes deslocados,  no início do século XX, para o Jardim Botânico  do  Rio de Janeiro marcam simultaneamente os vestígios da passagem de Dom João VI e da presença da MISSÃO ARTÍSTICA. Cientistas de nível internacional passaram a dar atenção redobrada ao potencial vegetal do Brasil em função das exigências de insumos cada vez mais volumosos e específicos exigidos pela lógica da ERA INDUSTRIAL. Esta cobiça internacional a apátrida exigia a contrapartida  de um  projeto civilizatório nacional do Brasil. para cuja lógica e visibilidade a Arte e os seus agentes qualificados eram convocados, institucionalizados e remunerados. O dia 12 de agosto de 1816  representa um ponto no tempo que marca este contexto de busca do mundo simbólico brasileiro.

PINTURA HISTÓRICA.
Cada pintor estudou os grandes modelos de sua arte e se esforçou para deles apanhar alguma coisa; mas nenhum pintor que ensina pode substituir-se às obras dos grandes mestres. Pelo contrário, os professores, de alguma maneira, delas tem tanta necessidade quanto os alunos, para demonstrar os princípios e a fim de se sustentarem a si próprios
MEMÓRIA do CAVALEIRO JOAQUIM LE BRETON para o ESTABELECIMENTO da ESCOLA de BELAS ARTES, no RIO DE JANEIRO[1].



[1] - CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA
REVISTA do PATRIMÔNIO ARTISTICO NACIONAL - nº 14 -  1959
Fig. 07 – Jean Baptiste DEBRET trazia para os trópicos os aparato simbólicos colocado em circulação pela imprensa da ERA INDUSTRIAL O seu  referencial eram as descobertas e retomadas do mundo Greco-romano empreendido pelo iluminismo e adotado na corte de Napoleão Bonaparte.   No dia 06 de fevereiro de 1818,  dois anos após a chegada ao Rio de Janeiro Debret teve ocasião de projetar e montar a decoração do Palácio no qual Dom JOÃO VI tomava posse como REI de REINO UNIDO de PORTUGAL, BRASIL e ALGARVES.

As concepções de PINTURA HISTÓRICA, presentes no projeto de Joaquim LE BRETON, são bem mais amplas do que a simples narrativa pictográfica de um tema ou de assunto do passado.   Referem-se a capacidade do artista situar-se no seu TEMPO, LUGAR e SOCIEDADE para construir algo original e novo que por sua vez é origem de uma tradição, de outra escola e produzir obras únicas.
Estas concepções de PINTURA HISTÓRICA buscam evitar o que na CIÊNCIA e TECNOLOGIA seria a “reinvenção da roda”. Em última análise esta concepção de PINTURA HISTÓRICA busca gerar um campo de pesquisas estéticas nas quais o artista está na autonomia intelectual, sente-se como proponente de algo novo. Assim PENSA e AGE com nome próprio como alguém responsável que principia algo (príncipe).
Para a cultura colonial e escravocrata brasileira esta concepção de PINTURA HISTÓRICA era algo impensável. Esta revolução deve-se à MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA e está evidente em cada linha da carta escrita por Le Breton para o Conde da Barca e datada do dia 12 de junho de 1816.
LEIA MAIS em:
0-159 - ESTUDO das ARTES – PINTURA HISTÓRICA



 A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA e  a ERA INDUSTRIAL no BRASIL

Criando simultaneamente uma Escola de Belas Artes, ‘los nobles artes’, e uma escola de desenho para as artes e ofícios, se possa preservar a primeira pela segunda”. Le Breton, 12 de junho de 1816.
Fig. 08 – Jean Baptiste DEBRET desceu e registrou a vida diária da metrópole do REINO UNIDO de PORTUGAL, BRASIL e ALGARVES.  As lojas comerciais eram extensões diretas das oficinas e dos ofícios artesanais  Assim estão distantes de qualquer produto da ERA INDUSTRIAL Tanto os produtores como os consumidores conservam esta mediação direta e pessoal característica da ERA AGRÍCOLA apear de a cena ser urbana. A imagem ainda esta isenta de qualquer representação de algum produto resultante da ABERTURA dos PORTOS para as nações amigas, além de alguns panos e tecidos dos personagens..

Os milhões dos deslocados da Europa, do início do século XIX, estavam afetados, de uma ou outra forma, pela emergente ERA INDUSTRIAL. Alguns eram sobras rurais da ERA AGRÍCOLA e que não se enquadravam na vida urbana exigida por esta nova etapa tecnológica. Outros buscavam insumos, mercado e trabalho nesta nova e desconhecida infraestrutura tecnológica. 
Fig. 09 –  Jean Baptiste DEBRET registrou de forma  implacável as práticas técnicas  da ERA AGRÍCOLA que moviam o Brasil em 1816 A força motriz ainda é confiada as braços humanos dos escravos. Os instrumentos do trabalho e os seus matérias são aquelas da Idade Média. O DESENHO - apregoado na carta de LE BRETON - ainda está no devir, pois tudo dependia da tradição oral, das práticas e hábitos dos mestres formados no rígido e intransmissível exercício pessoal e profissional.

A ERA INDUSTRIAL exige a concepção, o domínio e a leitura do DESENHO técnico. Nesta etapa o processo de produção é DESENHADO e comandado por um sistema com ENTRADA, ELABORAÇÂO e SAÍDA.
Neste sistema da LINHA de  MONTAGEM cabe ao operário  um lugar fixo e único, com um tempo e uma operação comandada por um projeto. Projeto DESENHADO sobre o qual ele não tem mais a concepção do todo e o controle do conjunto das operações técnicas, como ele estava acostumado no artesanato.
A incipiente indústria e comércio franceses estavam arruinados e sem perspectivas concretas após as Guerras Napoleônicas. Uma das ações da Missão Artística Francesa visava canalizar para o território brasileiro esta capacidade ociosa industrial francesa. Le Breton e o Conde da Barca planejavam meios para que estes experientes profissionais europeus preparassem tanto os intelectuais artistas como os técnicos capazes de prever, conduzir mão de obras especializada para os primórdios da ERA INDUSTRIAL. Planejavam interessar a INICIATIVA CIDADàdos empreendedores para que capitalizassem, disseminassem a ERA INDUSTRIAL para todo vasto território do Brasil e colhessem os seus resultados.
LEIA MAIS em:
0-160  - ESTUDO das ARTES – ARTE e INDÚSTRIA no BRASIL
Antônio Cândido  de MENESES (1826-1908) - Dom Pedro II  - 1872 – Museu Júlio de Castilhos
Fig. 10 – A imagem hierática do Imperado Dom Pedro II[1] pintada pelo artista sul-rio-grandense Antônio Cândido de Menezes[2] . Coma aluno da IABA, ele devia o seu repertorio simbólico e o se fazer  técnico da pintura a óleo que a Missão Artística Francesa trouxe ao Brasil  A Missão Artística Francesas estendeu - no extremo oposto desta produção oficial, hierática e simbólica -  a pintura do retrato à óleo para a imagem cidadã  sem restrições. Por muito tempo a fotografia foi a base técnica destes retratos a tinta de óleo  de cidadãos avulsos.. Mas o que é notável nesta obra é o NOME do ARTISTA preservado conforme a tradição da AUTONOMIA do ARTISTA e cultivado no legado da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA implantada oficialmente no BRASIL a partir do ano de 1816 . Antes desta data a pintura brasileira era anônima e sem assinatura pessoal do artista.


 A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA e a INICIATIVA CIDADÃ no BRASIL

Basta que alguns negociantes lhes assegurem trabalho e existência, fornecendo-lhes locais para as oficinas e as matérias primas; façam tais negociantes com que se vendam os produtos de trabalho e deixem parte do lucro aos chefes das oficinas e o objetivo será alcançado”. 
  Le Breton em 12 de junho de 1816 ao Conde da Barca,
Fig. 11 – A bandeira brasileira[1]  desenhada por Jean Baptiste DEBRET (1768-1848)[2], membro da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA,  marcou simbolicamente todo o REGIME IMPERIAL e teve pequena alteração no REGIME REPUBLICANO desenhado por Décio VILLARES [3] outro discípulo da Imperial Academia debelas Esta mediação na corte lusitana destinava ao Rio de Janeiro. Contudo a ambição era para todo o território brasileiro

A cultura brasileira continua a dever para a MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA a deflagração da faísca inicial da movimentação coletiva a favor da ARTE proveniente do ESTADO BRASILEIRO somada à INICIATIVA CIDADÃ. Como foi visto no texto acima, esta energia inicial ainda é perceptível. Percepção possível apesar da distância no tempo, do evento parecer microscópico e pontual. MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA esquecida no meio dos ruídos das mudanças de regimes, da obsolescência e da entropia. Entropia e obsolescência provocadas pelas sucessivas eras tecnológicas e pelos antagonismos econômicos e políticos que se colocam entre o ano de 1816 e o e 2016.

LEIA MAIS em:
0-161  - ESTUDO das ARTES – ARTE e INICIATIVA CIDADÃ



[1] - Bandeiras brasileiras e a MISSÂO ARTÌTCA FRANCESA  https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_do_Brasil

[3] - Décio VILLARES aluno da IABA https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9cio_Villares
Fig. 12 – São Paulo tornou-se a metrópole econômica do Brasil.  Colocou na prática o projeto  da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Sem vínculos diretos com este projeto a INICIATIVA CIDADÃ PAULISTA criou, equipou e mantém ativo, até o presento, o seu LICEU de ARTES de OFICIOS[1]. Manteve os contatos diretos com a origem e cultura da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Avançou  decidido para a mentalidade  e as práticas da ERA INDUSTRIAL sem se prender ou mitificar  as fontes das recomendações da carta datada do sai  12 de junho de 1816.de Joaquim Le Breton ao Conde da Barca.

   Na cultura brasileira qualquer processo de atualização é barrado pela entropia de uma terra próxima das leis implacáveis da NATUREZA que continua a militar a implacavelmente contra esta mudança. Qualquer processo de atualização é desviado e corrompido por uma ANTROPOFAGIA que devora tudo sem processo seletivo e sem digestão. A própria ERA INDUSTRIAL - em fase de migração para a ERA PÓS-INDUSTRIAL – impõe uma rápida e implacável obsolescência programada. Este processo de atualização é impensável numa cultura não afeita a estas rupturas de paradigmas e mudanças  coerentes com o seu TEMPO, o seu LUGAR e a sua SOCIEDADE
Fig. 12 – A presença do pensamento e da simbólica da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA é mais visível na capital do Reino Unido, do  Império e de grande parte do regime Republicano. O regime Republicano não teve duvidas em adotar o pensamento e a imagem da Atenas, quando da criação da primeira Universidade brasileira, em 1931,  para todo território nacional. Imagem que era proveniente  em  linha direta do do iluminismo e do Neoclássico  e trazida ao Brasil pela Missão Artística Francesa. Foi esta mesma universidade que recebeu e  acolheu a herança e acultura da MISSÃO ARTÌSTICA FRANCESA. Institucionalizados sucessivamente na “Escola Real, de Belas Artes e Ofícios” (REINO UNIDO), na “Imperial Academia de Belas Artes” e na “Escola Nacional de Belas Artes” A “ESCOLA de BELAS ARTES da UFRJ” responde, hoje, pela herança destes nomes e do seu patrimônio simbólico e material da MISSÂO ARTÌSTICA FRANCESA.
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sábado, 26 de março de 2016

161 - ESTUDO das ARTES – ARTE e INICIATIVA CIDADÃ

 A MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA e a INICIATIVA CIDADÃ no BRASIL

Basta que alguns negociantes lhes assegurem trabalho e existência, fornecendo-lhes locais para as oficinas e as matérias primas; façam tais negociantes com que se vendam os produtos de trabalho e deixem parte do lucro aos chefes das oficinas e o objetivo será alcançado”.
          Le Breton em 12 de junho de 1816 ao Conde da Barca,
Fig. 01 –  O estudo da obra e do pensamento  próprio do cidadão Joaquin LE BRETON (1760-1819 )  é paradigmático dos acertos e desacertos na interação do ESTADO NACIONAL e do seu PODER ORIGINÀRIO .  Guindado à Secretário Perpétuo do INSTITUTO da FRANÇA foi defenestrado na mudança do Regime politico deste Estado Nacional. No Brasil, no comando da MISSÂO ARTÌSTICA FRANCESA, ofereceu o melhor do seu pensamento e obra ao Reino Unido deste ESTADO NACIONAL.  Porém este ignorou as suas ideias como aquelas que ele expos em longa carta ao seu governo[1] e  datada do dia 12 de junho de 1816[2]. Certamente é eloquente a sua imagem com os braços cruzados e diz da impotência do cidadão diante do “buraco negro estrelar” das forças cegas de um Estado Nacional..

A grande virtude da REVOLUÇÃO FRANCESA foi a de CHAMAR a INICIATIVA CIDADÃ ao exercício efetivo do PODER de ORIGEM que lhe cabia em qualquer construção humana. Semelhante CHAMADO foi também o mérito das revoluções de 1640 e de 1688[3] que estabeleceram a monarquia parlamentar INGLESA e aquele da REVOLUÇÃO NORTE-AMERICANA (1776).
Certamente poucos querem voltar no tempo. O que se pretende é apenas conhecer aquilo das etapas passadas que ainda agora está vivo, atuante e positivo e, assim, guarda-lo para outras gerações.
O que se percebe que o ESTADO NACIONAL BRASILEIRO continua, em 2016,  a flutuar entre os extremos de um populismo irresponsável e os privilégios seletivos atribuídos a castas hierárquicas e hereditárias. O ruído e a indefinição crônica entre os extremos do populismo e dos privilégios de castas impediram estabelecer fronteiras ou elas foram obscurecidas. O mundo simbólico da Arte se descola das suas competências neste cenário no qual o PODER de ORIGEM e a INICIATIVA CIDADÃ agem sem conhecer, respeitar os limites e os potenciais contratos diante de um ESTADO NACIONAL onipotente, onisciente, eterno e onipresente. No polo oposto desta flutuação, entre extremos, abriu portas e janelas para que um CIDADÃO AVULSO se apropriasse do PODER CENTRAL. Este TEMERÁRIO transforma o ESTADO NACIONAL em feudo próprio e da sua casta que resolve sustentá-lo no trono, em troca de migalhas insignificantes e simbólicas.
BENEDITO CALIXTO (1853-1927)[1] -  Colégio dos Meninos de São Vicente
Fig. 02–   O Colégio dos Meninos de São Vicente – São Paulo - viu-se privado de fontes de renda por intervenção do centralismo do ESTADO COLONIAL LUSITANO Estado COLONIAL no qual a IGREJA tinha participação direta e usava todos os meios para controlar e inibir a INICIATIVA CIDADÃ. Para tanto canalizava a POLITICA, a ECONOMIA e SOCIEDADE em direção e para proveito do TRONO MONOCRÁTICO.

Nos primórdios do Regime Colonial brasileiro o Padre Nóbrega foi formalmente obrigado a fechar, em 1550,  as fundações privadas autônomas como a da Escola dos Meninos[2] destinada à educação dos meninos e gerenciado pela INICIATIVA CIDADÃ a partir de bens de raiz próprios (Alves de Matos, 1958, pp.97/8). Esta proibição é um dos índices de que o ESTADO NACIONAL LUSITANO não deixava o menor espaço público para que a INICIATIVA CIDADÃ deliberasse ou decidisse qualquer coisa. Este cidadão era reduzido a um súdito do ESTADO NACIONAL ou desqualificado como herege ou escravo. Este espetáculo de heteronomia hereditária do cidadão brasileiro, diante do seu ESTADO NACIONAL, fez com que Raimundo Faoro escrevesse (1975: 165) que “a colônia prepara, para os séculos seguintes, uma pesada herança, que as leis, os decretos e os alvarás não lograrão dissolver”. Enquanto isto as universidades norte-americanas eram mantidas, desde a sua origem, com rendas de bens de raiz próprias.
Terreiro de Jesus-CATEDRAL de SALVADOR – BAHIA  http://www.salvador-antiga.com/terreiro/colegio-antigo.htm
Fig. 03–   A foto de  1858 da igreja dos Jesuítas ( atual Sé metropolitana)  Salvador – Bahia. Esta imagem evidencia a desproporção  entre o cidadão comum face aos prédios do ESTADO LUSITANO ALIADO À IGREJA.  Este cidadão não tinha outra função do que se constituir  em súdito obediente  ou, então,  fazer o papel escravo ou  ainda optar por ser herege, quando corria o risco de se transformar espetáculo gratuito de exibição do poder ESTADO LUSITANO agindo por  meio da fogueira pública da Inquisição SUBORDINADA  à IGREJA.

O grande feito no BRASIL da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA não foi só conseguir a criação de Real Academia de Belas Artes e Ofícios do dia 12 de agosto de 1816[1] – DIA da ARTE[2] -, mas foi a magnitude e a potência da repercussão desta iniciativa da INICIATIVA CIDADÃ nas esferas estatais. Subsidiariamente abriu as esferas municipais provinciais e nacionais a seguir o seu exemplo e que de fato se concretizou ao logo dos dois séculos seguintes.  Sob a égide destes entes públicos do ESTADO NACIONAL, a Arte ganhou corpo em instituições, encomendas e estímulos continuados. Antes a ARTE era iniciativa da Igreja ou de raros particulares esquivos do fisco público. Estes particulares - apesar desta iniciativa - mantiveram distância da ARTE, pois ela continuava a ser confundida e sinônima de ostentação, de luxo e motivo de suspeitas de esquemas de desvios do erário público. Pecha que se mantém até os dias atuais[3] e que é alimentada por aqueles que se escondem atrás das obras de arte, transformando o “ótimo naquilo que é péssimo”.
BAHIA _ SALVADOR - Praça do  Pelourinho
 Fig. 04 –    A imagem da Praça do PELOURINHO evidencia também a desproporção entre aquilo que REGIME COLONIAL BRASILEIRO ESTIMULAVA, PERMITIA  ou TOLERDAVA para a INICIATIVA CIDADÂ.  Esta INICIATIVA CIDADÂ  DERRUBOU os PELOURINHOS COLONIAIS[1] após a Independência brasileira. Apenas permaneceu o NOME desta PRAÇA HISTÒRICA  da PRIMEIRA CAPITAL do BRASIL.

A cultura nacional deve à MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA o começo da movimentação do ESTADO NACIONAL Brasileiro a favor da ARTE. Apesar, deste evento, parecer microscópico, pontual e esquecido, em 2016, esta iniciativa de 1816, teve repercussões cuja magnitude e potência perdura até os dias atuais nas esferas estatais.
O que se aponta aqui como negativo são as fragilidades, as fragmentações e as incertezas intelectuais do PODER ORIGINÁRIO brasileiro para complementar potencialmente à iniciativa do ESTADO NACIONAL.  Fragilidades, fragmentações e incertezas intelectuais provenientes do desânimo e frustrações dos sentimentos do cidadão avulso privado de um efetivo pacto com o governo do seu ESTADO NACIONAL.
No meio destas fragilidades, fragmentações e incertezas o que se necessita reconhecer aquilo que pertence e é original no imenso legado da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA. Imenso legado original submerso numa repartição imperial devido a sua transformação burocrática em mais um apêndice eventualmente dedicada a um simulacro de arte. Repartição burocrática distante do povo[2] e também de qualquer projeto industrial sério, criativo e benéfico para todo PODER ORIGINÁRIO. Diante destas fragilidades e heteronomia, intelectual, moral e social as gigantescas forças do ESTADO NACIONAL absorveram implacavelmente.  Este legado da luz própria da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA foi absorvido pelas forças deste ‘buraco negro estrelar administrativo’ de um imenso império. Assim o projeto emanado do PODER ORIGINÁRIO e das ideias originais da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA não escapou das gigantescas forças monocráticas e centralizadoras do Império Brasileiro. O resultado final foi mais uma repartição sob o controle do trono. Poucos importavam-se que ela portasse o rótulo “DE ARTES”.



[2] - Conforme a carta de Joaquim LE BRETON ao CONDE da BARCA, datada de 12.06.1816, esta distância também  se verificava na França entre a ACADEMIA REAL de ARTES e a INCIATIVA CIDADÂ. 
RO de JANEIRO -  CASA de GRAJEAN MONTIGGY  - Atual Museu PU-RJ
Fig. 05 –  Um dos aspectos básicos da MISSÂO ARTISTICA FRANCESA  foi introduzir o NOME do ARTISTA como sinônimo de sua autonomia como  cidadão comum que se dedicava às ARTES.  De outra parte este NOME era PROJETADO através de sua FAMA e uma vida MOLDADA na concepção de PRÍNCIPE.  PRÌNCIPE na concepção de quem “PRINCIPIA”, confere ORIGEM e gera nova e outra tradição. A casa de GRANJEAN MONTIGNY do RIO de JANEIRO continua evidenciar esta autonomia do nome do artista introduzida no BRASIL pela MISSÂO ARTÌSTICA  FRANCESA apesar dos pesada herança colonial.
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A  “ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS”, criada,  no dia 12 de agosto de 1816, pelo governo do BRASIL UNIDO levou uma década para sair do papel sob o nome de “IMPERIAL ACADEMIA de BELAS ARTES” (IABA). Alguns dos agentes que restavam da MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA foram transformados em burocratas sob as ordens de um diretor lusitano. Isto significava para a INICIATIVA CIDADÃ  um abismo e um fosso cavado ao redor deste apêndice absorvido a contragosto pelo governo do ESTADO NACIONAL BRASILEIRO. Com esta absorção burocrática este apêndice governamental viu-se livre e desimpedido da tarefa de expressar o PODER ORIGINÁRIO da NAÇÃO BRASILEIRA. Bastava perfilar-se legalmente ao lado do PODER PÚBLICO “CULPANDO-O de TUDO” inclusive no campo das artes. Era esta sua sina e a sua tarefa primordial.
Na contramão do PODER PÚBLICO o Liceu de Artes e Ofícios teve de esperar própria capital imperial, até o dia 09 de janeiro de 1858. Nesta data ele foi aberto por iniciativa de Francisco Bethencourt da Silva (1831-1911)[1]. Este antigo aluno da AIBA[2] criara sabiamente, no dia  23 de novembro de 1856[3], a Sociedade Propagadora de Belas Artes institucionalizada para  amparar o Liceu de Artes e Ofícios.



[2] - ARAUJO VIANA, Ernesto da Cunha . «Das Artes plásticas no Brasil em Geral e na cidade do Rio de Janeiro em Particular» . Rio de Janeiro : Revista do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, s/d. pp.590-591 (separata)   et   DENIS, 1997 p. 190
Fig. 05–   Francisco Bethencourt da Silva foi competente para levar ao mudo prático brasileiro  a obra e o pensamento cidadão  de Joaquin LE BRETON   é paradigmático e uma projeção da Revolução Francesa..  Ao constituir a Sociedade Propagadora de Belas Artes como mantenedora e do Liceu de Artes e Ofícios apontava para um paradigma institucional mediador acreditado entre a SOCIEDADE CIVIL e o ESTADO NACIONA BRASILEIRO. Paradigma que foi consagrado e incorporado pelo REGIME REPUBLICANO e é matriz de uma atual ONG, OSCIP, Fundações e  Sociedade de Amigos de instituições públicas
 Francisco Bethencourt da Silva seguia intuitivamente as recomendações da longa carta de Joaquim LE BRETON ao CONDE da BARCA, datada do dia 12 de junho de 1816. Estes dois haviam falecido antes da Independência do Brasil. Porém a iniciativa de Francisco Bethencourt da Silva, na forma  Liceu de Artes e Ofícios,  continua ativa, em 2016, no Rio de Janeiro.
Fig. 07–  Os prédios   da mantenedora Sociedade Propagadora de Belas Artes e do Liceu de Artes e Ofícios inaugurados pelo Imperador Dom Pedro II em 03.09.1878.  Estes prédios foram demolidos na administração do prefeito Pereira Passo para as melhorias urbanas da capital federal. A Sociedade Propagadora de Belas recebeu terreno e prédio novo construído entre 1910 e1928.
O mesmo descaso pelas artes aplicadas perdurou  no regime republicano. Eliseu Visconti[1] denunciou esta omissão do ESTADO NACIONAL BRASILEIRO e falta da INICIATIVA CIDADÃ. Segundo Visconti esta dupla omissão era um obstáculo para identidade nacional. Ele declarou a Angioni Costa (1927: 82) que “só as artes aplicadas são um assunto ampliissimo, de que ninguém se preocupa aqui e sem o qual não é possível crear uma arte brasileira”.



[1] - A obra pioneira  no campo das artes aplicadas de Eliseu Visconti está sendo pesquisada pela ESDI – UERJ rua Evaristo da Veiga, 95, Lapa CEP 20031-040 Rio de Janeiro RJ     http://www.esdi.uerj.br/visconti/    
Fig. 08–  O prédio unificado  da mantenedora Sociedade Propagadora de Belas Artes e do Liceu de Artes e Ofícios iniciado em  1910 em pleno  regime republicano e inaugurado em 1928.  As atividades deste Liceu e a sua mantenedora continuam, no ano de 2016, na linha conceitual traçada pela carta de 12 de junho de 1816 pelo Secretário Perpétuo do “Institut de France”  Joaquim LE BRETON.

A pesada herança, preparada pela colônia para os séculos seguintes, conforme denúncia de Raimundo Faoro (1975: 165),  não respeitou a barreira política que o Regime Republicano lhe queria impor. O regime republicano tentou romper,  pela via legal,  esta barreira com a lei nº 173, de 10 de setembro de 1893[1]. Porém o máximo que este governo “permitiu” aos particulares é o direito de associarem, via cartório. Antes estas associações civis dependiam inteiramente do beneplácito e do enérgico patrulhamento das forças à serviço do trono imperial. Porém a edição da Lei Federal no 173 a não significava uma “permissão” republicana de isenção do fisco e dos impostos para estas instituições e iniciativas cidadãs. Para as artes estas barreiras, destes impostos, não foram abolidas juridicamente, no Rio Grande do Sul, até a  Lei nº 53, de  21 de novembro de 1905,[2]  que, entre dispositivos, no seu art. 1º, § 6 , isenta de imposto de Indústrias e profissões os instituto e o ensino de belas artes



[1] LEI nº 173 de 10 de setembro de 1893 regula criação de associações republicanas  do brasil


[2] Lei nº 53 de 21 de novembro de 1905.  Orça a receita e despeza do Estado  para o exercicio de 1906  Art. I - § 6º Ficam isentos do imposto de industrias e profissões os institutos de ensino de bellas artes


Fig. 09–  A interação  ARTES e os OFICIOS estava se tornando realidade cada vez mais consistente um século após a carta de LE BRETON ao CONDE da BARCA. O Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo (foto)  iniciado sob os auspícios da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco constituía, em 1874,  a Sociedade Propagadora da Instrução Pública. Esta era a mantenedora do Liceu iniciado em 1882 que por sua vez evoluiu -  já no regime Republicano - para a Politécnica de São Paulo criado em 1894

Na criação de uma arte brasileira, na concepção de Rafael Cardoso Denis (1997: 181/195), prevaleceu uma dupla posição, conforme o papel que se atribuía às artes plásticas. O conjunto dos ofícios levaria para a esfera do progresso, enquanto as artes apontariam para a esfera conservadora. Essa leitura dupla, de Artes e Ofícios  foi divulgada no Brasil inteiro[1]. Em São Paulo a iniciativa dos ofícios foi dos advogados e engenheiros, de inspiração republicana e do progresso, que  em dezembro de 1873,  reuniram  131 pessoas na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco para formar a Sociedade Propagadora da Instrução Pública. Em fevereiro de 1874 abria a aulas noturnas e em 1882 iria ser a base do Liceu de Artes e Ofícios[2], e, em 1894, da Politécnica de São Paulo. Quanto às artes o Estado de São Paulo seguiu a politica das BOLSAS de ESTUDOS nos centros hegemônicos mundiais. É o caso de Anita MALFATTI (1889-1964)[3] e tantos outros contemplados por este projeto estatal. A INICIATIVA CIDADÃ lançou as bases institucionais do ensino formal das artes três anos após a SEMANA de ARTE MODERNA de São Paulo de 1922. Realizou isto por meio da Academia de Belas Artes de São Paulo[4]. Evidente que o DIREITO à PESQUISA ESTÉTICA paulista estava ainda num porvir.  A ATUALIZAÇÃO da INTELIGÊNCIA, por meio de uma instituição escolar, era apenas um primeiro e titubeante passo na direção de uma autêntica INVESTIGAÇÃO em ARTE.



[1]- Denis, no seu estudo relativo ao Liceu de Artes e Ofícios do RJ apresentado na EBA-UFRJ escreve (1997, p. 193).que “tanto a posição ‘conservadora’, que promoveu a supremacia das belas-artes quanto à posição ‘progressista’, que buscava empregar o ensino artístico em prol do desenvolvimento industrial do País, podem ser enquadradas – como o foram por seus respectivos proponentes – como elementos de uma missão civilizadora; afinal, os ideais geminados de progresso e civilização sempre se prestaram a diversas interpretações. No caso da Academia, existiram pelo menos dois, talvez mais, ‘projetos civilizatórios’ que andaram às vezes em harmonia e outras vezes em conflito”.

[2] - LICEU de ARTES e OFÍCIOS de S. Paulo: missão de excelência [org. Margarida Cintra Gordinho]. São Paulo: Marca D’Água. 2000, 119 p

Fig. 10 –  O projeto do  prédio do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo  é hoje a sede da PINACOTECA de SÃO PAULO.  Este projeto pode ser lido como  outro índice dos acertos da interação da SOCIEDADE CIVIL  com o ESTADO NACIONAL, ESTADUAL e MUNICIPAL e decorrente das ideias e projetos defendidos  na carta de 12 de junho de 1816 de LE BRETON ao CONDE da BARCA.. Se esta carta não pode ser vista como CAUSA e EFEITO, ela não deixa de estar em sintonia com uma SOCIEDADE e um GOVERNO sob as circunstâncias materiais e conceituais da ERA INDUSTRIAL.
Um destes passos foi a criação do Instituto Livre de Belas Artes do Rio Grande do Sul (IBA-RS)  no dia 22 de abril de 1908[1]. Ele nasceu como uma mantenedora de iniciativa cidadã e republicana sob a égide  das leis federal  nº 173 de 10.09.1893 e  a estadual nº 53 de 21.11.1905. Esta iniciativa cidadã e republicana era formada por 64 Comissões Regionais Municipais e dirigida por uma Comissão Central sediada na capital.  O editorialista do Correio do Povo[2] louvava esse projeto, atribuindo-o ao novo regime político republicano.
Sem possuirmos felizmente uma sciencia official, onde os conhecimentos humanos se debatem na estreiteza de programas que os deformam e desfiguram, entretanto dispúnhamos, graças as iniciativas beneméritas de todas as academias scientificas indispensáveis às expressões sadias e fecundas de um meio culto como o nosso”.
Esta mantenedora de INICIATIVA CIDADÃ,  colocou no seu  mundo, em 1909, o CONSERVATÓRIO de MUSICA e em 1910 a ESCOLA de ARTES. A Comissão Central manteve-se como mantenedora do IBA-RS até, o dia 06 de janeiro de 1939, quando entregou a sua administração e patrimônio para a Congregação do Instituto. Esta Congregação repassou o patrimônio e administração autônoma do IBA-RS ao governo federal que encampou a iniciativa no dia 30 de novembro de 1962[3].
Com variantes este foi a trajetória das mantenedoras dos cursos superiores de Farmácia, Medicina, Engenharia e de Direito de Porto Alegre criados sob o Regime Republicano e sob a égide e inspiração da lei nº 173, de 10 de setembro de 1893. Muitos profissionais destas áreas estiveram ativos em várias e cruciais ocasiões vividas pela Comissão Central do IBA-RS.



[1] Origens do Instituto de Artes da UFRGS: etapas entre 1908-1962 e contribuições nas constituição de expressões de autonomia dos sistema de artes visuais no Rio Grande do Sul   
[2] - Correio do Povo, 22.04. 1908 (Cópia do Arquivo do IA-UFRGS).
Fig. 11–  Os modelos de gesso dos modelos da Escola de Artes do IBA_RS são provenientes do Instituto Técnico Profissional (futuro Instituto Parobé)  da Escola de Engenharia de Porto Alegre .  Esta interação entre ARTES e OFÌCIOS segue o modelo apregoado em 12 de junho de 1816  por Joaquim  LE BRETON ao CONDE da BARCA..

O longo período colonial manejou com maestria o centralismo monocrático que juntava, no mesmo barco, o Estado e Igreja. Manejo que se institucionalizou na Mesa da Consciência, na Inquisição e no aparato executivo do Estado daquilo que emanavam destas instituições medievais. Inclusive as novas ordens religiosas, posteriores a Contrarreforma, caíram sob suspeita e foram proibidas ou extirpadas, ao exemplo do que aconteceu com a ordem dos jesuítas.   As ordens terceiras permaneceram coerentes com Estado Central Colonialista e atreladas ao domínio da Igreja.
Os estados republicanos “soberanos” mudaram apenas formalmente o frágil panorama social, político e econômico brasileiro. Quanto às artes Arantes do Vale constatou (1997: 347) que a
a implantação do ensino teórico de artes no Brasil foi correlata à organização institucional do país, adequada aos novos tempos. A sistematização do ensino artístico, ficando o mesmo na órbita do estado, teve a função de organização simbólica das nacionalidades nascentes.

Assim continua a confusão entre POLÍTICA, ECONOMIA e SOCIEDADE CIVIL BRASILEIRA.  Como esta organização é apenas formal e destinada à função simbólica a ARTE continua na HETERONOMIA deste ESTADO NACIONAL. Intrometida entre as esferas do LEGISLATIVO, EXECUTIVO e do JUDICIÁRIO a ARTE continua a se projetar e expressar na busca de distinções, competências e limites. Esta confusão permite que qualquer temerário se aproprie de um destes três poderes e, ao submetê-lo ao seu arbítrio, avassala os outros dois. De brinde leva a ARTE com a qual este temerário não sabe como lidar. De um lado tenta mitifica-la em proveito próprio. De outro lado naturaliza a ARTE  e a instrumentaliza para os seus interesses. Assim a corte, que forma ao seu redor, cresce com mais uma repartição. Repartição para a qual este temerário se julga legítimo para nomear alguns prosélitos de sua confiança ou que lhe são impostos pelo seu  partido e seus aliados.
Esta ameaça paira constantemente tanto sobre a  INICIATIVA PRIVADA como sobre o ESTADO NACIONAL. A personalização, o “tomar POSSE de um cargo público” e as intrigas são diárias nesta POLÍTICA, ECONOMIA e SOCIEDADE CIVIL BRASILEIRA. Outra forma de golpear o erário do ESTADO NACIONAL é confundir ARTE com CULTURA. CULTURA que se apropria da economia pública por meio do expediente da aparente “renuncia fiscal[1]. Apropriação silenciosa e solerte revistada de projetos formais legalmente bem urdidos. Contudo estes projetos escondem iniciativas culturais economicamente rentáveis ou são mera propaganda e marketing da empresa aparentemente “renunciante”.
Há necessidade de ler a carta de Le Breton, de 12 de junho de 1816, para acompanhar o cuidado com que ele trata a relação do erário publico, o capital privado e o trabalho do artista e do artesão. TODOS SAEM GANHANDO neste paradigma de 1816 escrito com o próprio punho por LE BRETON, SECRETÁRIO PERPÉTUO do “INSTITUT de FRANCE[2]”.
Fig. 12 –  Outra imagem do  Liceu de ARTES e OFICIOS de São Paulo. Esta instituição continua, em 2016, a tornar realidade cada vez mais consistente dois século após a carta de LE BRETON ao CONDE da BARCA. Ao mesmo expressa   o pensamento de 1874 cultivado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco,  da Sociedade Propagadora da Instrução Pública e do regime Republicano que teve fortes pilares políticos, econômicos e sócias  nesta unidade federada
Ameaças de mitificação, naturalização e instrumentalização se acumulam e se metamorfoseiam em FUNDAÇÕES,  ONGS e OSCIPS.  As violentas e imprevisíveis SÍSTOLES e DIÁSTOLES, entre PÚBLICO e PRIVADO, fomentam INTERVENÇÕES ESTATAIS. No polo oposto alimentam sonhos utópicos de PRIVATIZAÇÕES de empresas estatais saqueadas ou estatizações de empresas particulares inviáveis. Empresas estatais e de iniciativa privada que acabam sucumbindo sob a cobiça, as mitificações, as naturalizações e as instrumentalizações conduzidas pela incompetência ou falta de interesse legítimo dos seus mentores e criadores.
Mentores e criadores incapazes de lidar com as ‘violentas SÍSTOLES e DIÁSTOLES entre PÚBLICO e PRIVADO e contornar, em tempo, as INTERVENÇÕES ESTATAIS’. O processo continuaria na vala do REGIME COLONIAL, da ESCRAVIDÃO e incapaz de se qualificar através da prática da AUTONOMIA no ensino das artes.
Se a cobiça, a incompetência ou a falta de interesse dos mentores e criadores do Instituto de Belas Ares do Rio Grande do Sul tivessem vingado, não existiriam muitos dos artistas brasileiros de renome. No IBA-RS, não haveria oportunidade para um Fernando Corona ou um Iberê Camargo, pois ambos iniciaram a sua vida artística pelo desenho técnico arquitetônico, evoluindo depois para um ensino qualificado através da educação para a AUTONOMIA CIDADÃ.
Fig. 13–  O cabeçalho da nota  venda do Instituto Técnico Profissional (futuro Instituto Parobé)  da Escola de Engenharia de Porto Alegre na venda das cópias de  gesso para a sal desenho da Escola de Artes do IBA.  Esta ação também  pode ser lida como  outro índice dos acertos da interação da SOCIEDADE CIVIL no campo das artes nos moldes apregoados pela carta de  12 de junho de 1816  por Joaquim  LE BRETON ao CONDE da BARCA

Na criação de uma arte brasileira, na concepção de Rafael Cardoso Denis (1997: 181/195), prevaleceu uma dupla posição, conforme o papel que se atribuía às artes plásticas. O conjunto dos ofícios levaria para a esfera do progresso, enquanto as artes apontariam para a esfera conservadora. Essa leitura dupla, de Artes e Ofícios  foi divulgada no Brasil inteiro[1]. Em São Paulo a iniciativa dos ofícios foi dos advogados e engenheiros, de inspiração republicana e do progresso, que  em dezembro de 1873,  reuniram  131 pessoas na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco para formar a Sociedade Propagadora da Instrução Pública. Em fevereiro de 1874 abria a aulas noturnas e em 1882 iria ser a base do Liceu de Artes e dos Ofícios [2], e, em 1894, da Politécnica de São Paulo.



[1]- Denis, no seu estudo relativo ao Liceu de Artes e Ofícios do RJ apresentado na EBA-UFRJ escreve (1997, p. 193).que “tanto a posição ‘conservadora’, que promoveu a supremacia das belas-artes quanto à posição ‘progressista’, que buscava empregar o ensino artístico em prol do desenvolvimento industrial do País, podem ser enquadradas – como o foram por seus respectivos proponentes – como elementos de uma missão civilizadora; afinal, os ideais geminados de progresso e civilização sempre se prestaram a diversas interpretações. No caso da Academia, existiram pelo menos dois, talvez mais, ‘projetos civilizatórios’ que andaram às vezes em harmonia e outras vezes em conflito”.

[2] - LICEU de ARTES e OFÍCIOS de S. Paulo: missão de excelência [org. Margarida Cintra Gordinho]. São Paulo: Marca D’Água. 2000, 119 p

Fig. 14–  O Instituto Técnico Profissional (futuro Instituto Parobé)  da Escola de Engenharia de Porto Alegre  contratou o artista italiano Giuseppe Gaudenzi (1875-1966) Na foto o vemos em plena atividade no Instituto Parobé acompanhado pelos seus estudantes do seu oficio. Contratado, em 1909, pela Escola de Engenharia com a interveniência de Pedro Weingärtner iniciou ali uma  intensa atividade tanto artística como técnica . Por seu ensino passou uma geração de técnicos, artesões, tipógrafos e fotógrafos.  

Por efeito da cultura recebida numa província imperial brasileira era impossível para a burguesia a busca por uma alternativa própria.  Esta impossibilidade foi registrada por Arantes do Vale (1997: 35) “o ensino atrelado ao Governo Imperial foi um dos sustentáculos ideológicos; ambos inadequados ao fim do século XIX, quando foi proclamada a República.  Na clandestinidade e a revelia do REGIME IMPERIAL os “grêmios republicanos” deram voz e vez à INICIATIVA CIDADÃ e que acabou vindo à luz e prevalecendo politicamente a partir no dia 15 de novembro de 1889.
Antes desta data a Sociedade do Parthenon Literário, criou uma Sociedade Civil no Rio Grande do Sul no dia 18 de junho de 1868[1],  e que criou, manteve e levou ao mundo prático , pela INICIATIVA CIDADÃ, um amplo projeto cultural, econômico e social. É possível descobrir muitas semelhanças se a carta do dia 12 de junho de 1816 de Joaquim LE BRETON ao Conde da Barca for ele for lida com atenção e se as suas ideias, concepções e suas sugestões forem comparada com este projeto, surgido 50 anos depois, por obra do Parthenon Literário. Ambos os projetos são portadores de índices da busca da interação e complementariedade entre as iniciativas da INICIATIVA CIDADÃ e aquelas do seu ESTADO NACIONAL.
Entre as interações da INICIATIVA CIDADÃ e aquelas do seu ESTADO NACIONAL se disseminaram em todos os recantos do território nacional. Entre tantos, no Rio Grande do Sul também existem amostras de Escolas de Artes e dos Ofícios de INICIATIVA CIDADÃ. Destaca-se aquela cujos vestígios ainda são visíveis no Orfanato Pão dos Pobres de Porto Alegre e que merece inclusive atenção internacional.
Fig. 15 –  O registro fotográfico de uma recente visita de uma autoridade da ÍNDIA com sua delegação na porta do Liceu de Artes e Ofícios criado e mantido no âmbito do Orfanato Pão dos Pobres de Porto Alegre.  Esta instituição é mantida por uma ordem religiosa de origem francesa o que é visível no seu ambiente [1] O projeto do prédio é do arquiteto e artista Joseph Seraph Lutzenberger (1882 -1951) professor do Curso Técnico de Arquitetura do mantido pelo IBA-RS (1939-1944)  no qual se formou Iberê Camargo (1914-1994).

O que não se pode ignorar que a organização jurídica e administrativa de uma grande soma de Clubes de Futebol emergiu das normas ditadas pela lei nº 173, de 10 de setembro de 1893 do Regime Republicano. Basta uma pequena atenção às datas das fundações dos clubes, onde a maioria surge nos primórdios republicanos.
Apesar desta enorme esforço e trabalho da  INICIATIVA CIDADÃ as recaídas e desconfianças autoritárias do ESTADO NACIONAL escancaram a falta de um pacto nacional brasileiro.
O gigantesco patrimônio legado pela ARTE SACRA BRASILEIRA soçobrou pela evidente falta de um ponto de equilíbrio homeostático entre extremos opostos expressos num pacto nacional brasileiro.  Os Museus de ARTE SACRA BRASILEIRA de Salvador e de São Paulo nasceram com o patrimônio eclesiástico e com a iniciativa destas organizações religiosas na ótica da Lei 173 de 10.09.1893. Ambos soçobraram e tombaram nos braços governamentais do Estado. O de Salvador para a Universidade Federal da Bahia[2] e o outro  para o governo de São Paulo[3].
A bipolaridade entre ESTADO NACIONAL contra a INICIATIVA CIDADÃ age no âmbito de um feroz maniqueismo de exclusão recíproca. Qualquer PESQUISA ESTÉTICA BRASILEIRA é comprometida e aniquilada, pela raiz, nesta absurda e esterilizante luta pelo PODER territorial e simbólico. Enquanto isto - ingênuos ou maldosos - “continuam a TOMAR POSSE” dos cargos oferecidos tanto pelo ESTADO NACIONAL como pela INICIATIVA PRIVADA.
Os cursos superiores do Brasil vegetam nesta bipolaridade esterilizante entre o ESTADO NACIONAL contra as INICIATIVAS PRIVADAS. A origem da Escola Superior de Design (ESDI) Do Rio de Janeiro é exemplar nesta angustiante vegetação entre polos excludentes. A origem desta INICIATIVA CIDADÃ é contada exemplarmente pelo professor Pedro Luiz Pereira de SOUZA[4],  neto do Presidente  Washington Luiz. A fragilidade endêmica da INICIATIVA CIDADÃ da sociedade civil, expressa nesta instituição de Arte, também foi absorvida pela força excludente do ESTADO BRASILEIRO. Hoje a ESDI está integrada na UERJ e distante de qualquer PESQUISA ESTÉTICA autônoma[5].  
Outro movimento da INICIATIVA CIDADÃ foram as Escolinhas de Arte sob a batuta de Augusto Rodrigues (1913-1993)[6] e inspiração britânica de Herbert Read (1893-1968)[7]. Depois que as crianças cresceram estas instituições infantis foram sementes de Cursos Superiores e mesmo de Universidades. Em 2016 constituem uma vaga e saudosa lembrança de um mítico “PASSADO de OURO”.
Está em andamento a busca e a renovação da interlocução entre a INICIATIVA CIDADÃ da sociedade civil e o ESTADO BRASILEIRO. Esta interlocução está tomando a forma de FUNDAÇÕES, Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) [8] e Organizações Não Governamentais (ONG’S)[9]. Outras retomam os fundamentos da forma jurídica republicana da lei nº 173, de 10 de setembro de 1893. A Associação dos Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (AAMARGS) segue este paradigma desde a sua criação no ano de 1982.



[1] - Inspiração francesa no prédio do Pão dos Pobres:

[3]  -  Museu da Arte Sacra de São Paulo http://www.museuartesacra.org.br/pt/

[4]  - SOUZA< Pedro Luiz Pereira de.  ESDI: biografia de uma ideia. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1996.  336p

[9] Organização Não Governamental : http://www.suapesquisa.com/o_que_e/ong.htm
Fig. 17–  A ASSOCIAÇÃO de AMIGOS do MUSEU de ARTE do RIO GRANDE do SUL (AAMARGS)  materializa e institucionaliza a INICIATIVA CIDADÃ ao longo de três décadas de ininterrupta interação e apoio direto ao ESTADO BRASILEIRO.. Nesta interação salta aos olhos a continuidade e materialização das concepções e das ideias expressas por Joaquim LE BRETON registradas na sua carta ao Conde da Barca no dia 12 de junho de 1816.
[Clique sobre o gráfico para poder ler]

Neste rápido voo sobre as INICIATIVAS CIDADÃS  BRASILEIRAS, no campo das forças de Arte, verificam-se camadas de entulhos das iniciativas particulares que não resistem ao peso do ideal de sua origem. Constata-se que, mais cedo ou mais tarde, fenecem, vergam e são jogadas no colo do governo municipal, estadual ou nacional.  Na exaustão da sua agonia são socorridas pelas forças burocráticas do ESTADO NACIONAL BRASILEIRO. Evidente que, após esta transposição, não se reconhece mais nelas as autênticas forças de sua origem. Nivelam-se com as demais agências burocráticas estatais e são controladas pelo ESTADO NACIONAL. Ao passarem para a tutela definitiva do governo perdem a sua natureza e toda possibilidade de deliberar e decidir sobre o seu próprio futuro, destino e até sobre as suas funções
Fig. 17–  Os estudiosos das competências da INICIATIVA CIDADÃ nos limites de ESTADO NACIONAL BRASILEIR seguem uma linha reta e um paradigma único do tipo de CIÊNCIA ditada, implementada e controlada pela ERA INDUSTRIAL . Na contabilidade  destes estudioso  as nações, as tribos, os quilombolas e os clãs -que cultivam ideologias infensas a linearidade da ORDEM e do PROGRESSO -  simplesmente não existem  ou estão em vias de extinção para estes cientistas da ERA INDUSTRIAL.É certamente a grande crítica a ser feita à interação entre ARTES,  OFÌCIOS e  INICIATIVA CIDADÃ exposta no modelo apregoado em 12 de junho de 1816  por Joaquim  LE BRETON ao CONDE da BARCA. Porém – se esta carta for lida com a atenção devida - é possível perceber as muitas correções que ocorreram na mente do seu autor entre sua chegada ao Rio de Janeiro, em março de 1816 até junho de1816. Muito mais do que qualquer burocrata lusitana ele trazia para os trópicos  a experiência da REVOLUÇÂO FRANCESA e da torrente humana que tomou conta e ocupou o seu lugar no ESTADO NACIONAL  FRANCÊS.

A maioria dos estudiosos desanima diante do desafiador tema das “competências do CIDADÃO AVULSO nos limites de um Estado Nacional”. Este assunto é tão vasto, complexo e soterrado debaixo de tantas camadas de entulhos autoritários sobrepostos que obscurecem qualquer compreensão rápida e sucinta. O próprio gigantismo continental do Brasil além da obsolescência rápida, de qualquer contrato coletivo, torna impossível esta síntese num único olhar ou conceito. O mecanismo de fuga, deste tema, impele este estudioso para um atalho ideológico qualquer que fornece uma panaceia rápida, indolor e de aceitação fácil particular ou pública.
Enquanto isto a cultura nacional continua a dever para a MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA a deflagração da faísca inicial da movimentação coletiva a favor da ARTE proveniente do ESTADO BRASILEIRO somada à INICIATIVA CIDADÃ. Como foi visto no texto acima, esta energia inicial ainda é perceptível. Percepção possível apesar da distância no tempo, do evento parecer microscópico e pontual. MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA esquecida no meio dos ruídos das mudanças de regimes, da obsolescência e da entropia. Entropia e obsolescência provocadas pelas sucessivas eras tecnológicas e pelos antagonismos econômicos e políticos que se colocam entre o ano de 1816 e o e 2016.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS.

ARANTES do VALE, Vanda. «Academia Imperial de Belas Artes – Escola Nacional  de Belas Artes» In. 180 anos de Escola de Belas Artes. Anais do Seminário EBA 180. Rio de Janeiro : EBA-UFRJ, 1997. 347 – 363.
.
COSTA, Angyone (1888-1954). A inquietação das abelhas: o que pensam e o que dizem os nossos         pintores, esculptores, architectos e gravadores sobre artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Pimenta Melo,  1927.  298p.

DENIS, Rafael Cardoso, « A Academia Imperial de Belas Artes e o Ensino  Técnico»  in 180 Anos de Escola de Belas Artes.  Anais do Seminário EBA 180.  Rio de Janeiro:EBA,1997.pp.181/195.

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FAORO, Raymundo (1907-2003). Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro.            Porto Alegre – São Paulo: Globo e USP, 1975.  2v.

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SOUZA[1], Pedro Luiz Pereira de.  ESDI: biografia de uma ideia. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1996.  336p.




FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

O CONDE da BARCA, JOAQUIM LEBRETON e os IRMÃOS von HUMBOLDT

CARTA de LE BRETON ao CONDE da BARCA do dia 12 de junho de 1816

DECRETO REAL do dia 12 de AGOSTO de 1816 cria a ESCOLA REAL de BELAS ARTES e OFÍCIOS

Artes e Ofícios Rio de Janeiro- LICEU
Eliseu Visconti aluno do LICEU Artes e Ofícios do RJ

ARTES e OFÌCIO em São Paulo - LICEU

Brasil em 1.550
INSTITUT de FRANCE

PESQUISA – ENSINO  - EXTENÇÂO
FACEBOOK

INSTITUIÇÔES dos  JESUITAS e o “RATIO ESTUDIORUM”


CARLOS OSWALD (1882-1971)  e o LICEU de ARTES e OFÌCIOS do RIO de JANEIRO

Pão dos Pobres

O DIA da ARTE: 12 de agosto de 1816

LEI nº 173 de 10 de setembro de 1893 regula criação de associações republicanas  do brasil

Lei nº 4.159 de 30 de novembro de 1962 INTEGRA O IBA-RS À UFRGS

LEI ROUANET


OPERAÇÂO “LAVA JATO” e OBRAS de ARTE

QUILOMBOLAS
SERGIPANOS

MUSEUS de ARTE SACRA no BRASIL
Museu de Arte Sacra de Salvador
Museu da Arte Sacra de São Paulo

SIMON, Cirio  - Origens do Instituto de Artes da UFRGS: etapas entre 1908-1962 e contribuições nas constituição de expressões de autonomia dos sistema de artes visuais no Rio Grande do Sul Porto Alegre : TESE:- Orientação KERN, Maria Lúcia Bastos .PUC - RS, 2003—570 p..- versão 2012. em DVD  Disponível digitalmente:  http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/2632/000323582.pdf?sequence=1

SOLAR GRANJEAN MONTIGNY – Rio de Janeiro



 [1] - Pedro Luiz Pereira de Souza – Neto do presidente  Washinton LUIS - Paulista de Araraquara, em 1968  optou pelo Rio de Janeiro. Formou-se em Desenho Industrial pela ESDI, Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde ensina desde 1972.


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