terça-feira, 25 de outubro de 2016

188 – ICONOGRAFIA SUL-RIO-GRANDENSE.


20.0 -  Uma obra de artes visuais do cidadão
Iberê Camargo.

Continuação de

20.1 – A obra de Iberê como metáfora dos valores culturais posteriores a 1945. 20.2 – A obra de Iberê como esplendor da verdade. 19.3 – A verdade da pintura de Iberê Camargo. 20.4 – Leituras iconológicas da obra de Iberê. 20.5 – Projeções da obra de Iberê.  20.6 – Um mestre da Pintura. .20.7 – Os lugares institucionais da obra e da pessoa e da obra de Iberê.
Fig. 01 –  Iberê BASSANI CAMARGO criou-se no âmbito e nas circunstâncias da ERA INDUSTRIAL Filho de ferroviário fez a sua formação no âmbito dos núcleos urbanos do Rio Grande do Sul que estava experimentando esta nova infraestrutura técnica e cultural. Ele soube conectar, conduzir e reproduzir a  sua carreira artística sob um incipiente mercado local que ele ampliou e soube expandir para um vasta rede mundial anterior `a EPOCA PÒSDINDUSTRIAL. Esta tarefa está sendo realizado pela FUNDAÇÂO e o MUSEU que leva o se nome...

20.1 -A obra de Iberê como metáfora
dos valores estéticos e culturais
posteriores a 1945

 

É necessário considerar, num texto relativo a uma obra de Iberê Camargo, os projetos políticas regionais e internacionais do período posterior à Segunda Guerra Mundial, inclusive os de natureza estética. A obra de Iberê Camargo constitui-se como uma metáfora dos demais valores culturais do período e tornou-se índice máximo de conteúdo com o mínimo de forma dos meio materiais.


Iberê CAMARGO:.”Figura em tensão” 1949 - Óleo sobre tela 93,5 x 132 cm -  Acervo do MARGS – Porto Alegre.
Fig. 02 –  A atenta e continuada observação Iberê CAMARGO nos faz perceber que   atingiu cedo a segurança para traduzir  o seu nervosismo nas suas obras de arte .  Este nervosismo febril, que se apoderou de Iberê, exresso os ENTE no seu modo de SER no mundo  Este universo n~~ao é um simples cacoete estético e nem  uma forma de gera marketing e propaganda....

Na obra de Iberê Camargo, (fig.02) são visíveis os gestos primários, a crueza da pincelada, a matéria acumulada e as formas dos temas retorcidas. Meios técnicos que expõem,  e testemunham,  todas as violências decorrentes e imanentes à cultura mundial da segunda metade do século XX. Iberê nasceu no primeiro ano da Iª Guerra Mundial, viveu as violentas mudanças que conduziram para a IIª Guerra Mundial e sofreu a divisão do mundo provocada ela Guerra Frias entre duas potências armadas com foguetes intercontinentais com ogivas nucleares capazes de eliminar a vida várias vezes da face da Terra. A obra de Iberê Camargo é testemunho deste potencial apocalipse das  formas de vida, das civilizações e de tudo o que é caro e precioso para elas.
Fig. 03 –  Filho de ferroviários  Iberê BASSANI CAMARGO criou-se no âmbito e nas circunstâncias da ERA INDUSTRIA. A sua vida, carreira e obra refletem a urgência do TEMPO, os deslocamentos de LUGARES e as sociedades que encontrou neste percurso. O suporte deste pequeno núcleo familiar reflete esta mobilidade e lhe conferiu um suporte mínimo para as suas aventuras, desventuras e trajetos existenciais.


20.2 A obra de Iberê como
esplendor da verdade.

Esteticamente estamos frente ao paradigma da mais autêntica Pintura cuja genealogia procede das concepções de um Giotto, de um Leonardo ou de um Van Gogh e praticada na sua linguagem de conduzir os seus pincéis para cobrir uma superfície com tinta. Pintura que vimos[1] na obra de Ado Malagoli, do capítulo anterior, assumir o seu lugar institucional no Rio Grande do Sul. A franqueza de Iberê recorre à crueza das tintas, distribui, sobre uma singela superfície plana, signos que nos conduzem ao âmago de um ser humano dilacerado pela dor de um mundo com novos problemas.


.  19.0  - Uma obra de Ado Malagoli: um artista visual erudito paulista como agente  institucional de um projeto civilizatório no Rio Grande do Sul[1] 185 – ICONOGRAFIA  SUL-RIO-GRANDENSE

Iberê CAMARGO 1941 -  Zielinsky, 2006, p.037
Fig. 04 –  Nesta obra inicial Iberê CAMARGO surpreendeu os seus observadores pela determinação do uso das tintas, texturas e pinceladas. Neste projeto pictórico Iberê será coerente até as suas últimas obras. Ele soube conectar, conduzir e reproduzir a  sua carreira artística sob um incipiente mercado local que ele ampliou e soube expandir

As formas angustiadas e angustiantes apropriam-se do espaço pictórico, produzidas por gestos vigorosos e se  expressam por meio de signos intoleráveis para quem não está afeiçoado a busca da Verdade em todas as dimensões. Diante de uma pintura de Iberê Camargo é possível falar em "esplendor da Verdade". Ali está um ser humano que se expõe com todas as circunstâncias do mundo e a sua verdade que lhe foram dadas viver. O seu objetivo era “o conhecimento, mas outra forma de conhecimento”, como o próprio Iberê escreveu[1]. O artista transformou em signos pictóricos as suas circunstâncias incômodas, para ele e para o seu público, mas que no conjunto buscam o conhecimento.
IBERÊ CAMARGO e GLAUCO PINTO MORAES - na PrÓ DIRTEAS JÁ
Fig. 05 – Com a mesma determinação com que Iberê CAMARGO manejava pastas de tintas, cores, espátulas e os pinceis, ele expressava o seu posicionamento como cidadão. Ele estava profundamente convicto que as  pessoas podem serem eventualmente boas ou más. No entanto se o sistema é mau, corrompido e pervertido a cultura, a civilização e as instituições, não só perdem o seu sentido, mas passam a funcionar como mecanismos de perversão, corrupção e de maldades sem fim.


O pintor, como também o seu público, não podem ignorar o fato pictórico proveniente da verdade do contexto político. Esta verdade imanente reduz o tema ao mínimo e como esta necessidade reforça a expressão do truncamento da narrativa pictórica. Este fato pictórico expõe a natureza formal da obra, de uma forma incontornável.
Fig. 06 –  As multidões que tomaram as ruas do Brasil ao longo do movimento ‘PRÓ DIRTEAS JÁ’, compunha cenários e quadros o que lembram as composições de Iberê CAMARGO. Esta imagem possui a mesma urgência, desassombro e nervosismo coletivo que animava os quadros do pintor desde 1941.

Esta obra valeu-se de matérias, técnicas e instrumentos na sua elaboração das telas com tintas e pincéis e que busca na verdade, empreendida no gesto criador de Iberê Camargo. Em compensação este gesto criador de Iberê possui a necessidade de grandes dimensões e que ele recorreu, em geral, nas obras de mais impactantes e verdadeiras. Estas grandes dimensões e grandes massas de tintas, permitiram ao pintor uma espécie de antropomorfismo pelo condicionamento às proporções ao imperativo das necessidades expressivas e assim penetrar fisicamente na sua obra.
Iberê CAMARGO -  Dentro do Mato - 1942 -  Zielinsky, 2006 p.037
Fig. 07 –  O espetáculo as floresta tropical interpretado pelo obra de Iberê CAMARGO vale-se da exuberância de formas, texturas e cores  que o jovem pintor apresentou em 142 no Palácio do Governo do Rio Grande do Sul. Esta exposição permitiu que ele recebesse uma bolsa do Governo do Rio Grande do Sul. Com esta ajuda ele teve ocasião para encontrar e interagir com uma geração de artistas que mudaram com suas obras, suas ideias e interações o cenário  brasileiro  após a  II Guerra Mundial

20.3– A verdade da pintura de
Iberê Camargo

Ao percorrer o meio telúrico da infância de Iberê Camargo, descobre-se que a paisagem mística sul-rio-grandense inspirou e fundamentou a sua obra adulta.  As paisagens da sua terra natal, Restinga Seca, da sua adolescência em Santa Maria e Porto Alegre, os bairros pobres do Rio de Janeiro e de Montevidéu, acolheram e alimentaram a obra adulta de Iberê Camargo. Tal como Ulisses ele regressa à terra natal na maturidade. Esses pontos telúricos subjazem à obra de Iberê e o conduziram nas suas viagens.
Iberê CAMARGO no atelier da Lapa RJ - 1945 - in Zielinsky 2006 p.049
Fig. 08 –   O TEMPO de Iberê  CAMARGO era pontilhado de obras que refletem a velocidade e o volume de ideias, temas e motivações e que refletem o volume, a velocidades e o acúmulo que as circunstâncias da ERA INDUSTRIAL exigem dos seus criadores artistas  A  sua carreira artística ampliou e expandir um incipiente mercado brasileiro e o abriu para conexões internacionais.

A obra Iberê Camargo constitui um índice da busca da autonomia no interior do grande mar novo e desconhecido da rede mundial.

O artista teve a coragem de partir para o desconhecido e substituir o seu meio cultural acanhando e provinciano de origem por uma rede mundial. Se não podia estar presente pessoalmente enviava a sua obra para todos recantos civilizados do planeta. Esta obra não pode ser reduzida a uma fórmula na qual a relação das partes entre si provocam uma tipologia externa.
Iberê  CAMARGO Grupo GUIGNARD 1942   Foto com: 01-Mário BARATA; 02- Géza HELLER; 03_ GUIGNARD; 04-Maria CAMPELLO; 05 - Alfredo GESCHIATTI; 06- Eduardo CORONA – Fonte: Zielinsky 2006 p.039 
Fig. 09 –  A busca do pertencimento de Iberê  CAMARGO à sua geração e convívio com os seus potenciais concorrentes era altamente estimulante e desafiador. Marcado por uma profunda individuação, um projeto próprio e  um ritmo intenso encontrava motivações, caminhos e temas que o conectavam ao seu TEMPO, sua TERRA e a SOCIEDADE BRASILEIRA em FORMAÇÂO


A verdade do artista fornece a unidade na diversidade. A primordialidade da obra do artista ganha essa dimensão apenas quando vista como um documento autêntico da verdade mais íntima do artista. O cronista Casemiro FERNANDES já anotava, em 1941[1], a coerência entre a pessoa e a obra e Iberê Camargo que

os traços tímidos, no início, foram sendo traçados com um vigor sempre crescente. Até atingir o nervosismo.  E um nervosismo febril se apoderou de Iberê

Esta coerência íntima entre o ENTE do artista e os seu modo de SER no mundo foi cultivado ate ao sua última obra.


[1]  FERNANDES, Casemiro UM ARTISTA que SURGE: Iberê Camargo começa a pintar com vinte e cinco anos. Porto Alegre: Revista da Globo nº 305,-- 11.10.1941.  p.40
Iberê CAMARGO (1914-1994) - Santa Teresa RJ -1946 -55 x 46 cm
Fig. 10 –  O acúmulo de prédios, de vielas tortuosas e vegetais retorcidos - tentando sobreviver neste meio urbano - foram temas constantes para motivar as tintas, os pinceis e os gestos nervosos de Iberê  CAMARGO. Testemunhos silenciosos e sem a figura humana  que revelam as circunstâncias de uma ERA INDUSTRIAL frustrada com obsolescências de uma cidade que possuía outros projetos que se estão calando e sem transeuntes dignos de nota.. 

Contudo o documento falso e forjado, de uma  tipologia, não ultrapassa uma leitura estilística do qual ninguém encontra o sentido e a coerência. O documento falso e forjado constituindo-se apenas num singelo levantamento de elementos formais, da temática e das proporções. Quando Iberê atingia este ponto destruía fisicamente esta obra. São antológicos os momentos em que Iberê submetia uma obra sua a algum observador. Caso este declarasse que gostara da obra Iberê aniquilava este quadro diante dos olhos espantados do seu interlocutor. Ou outros momentos nos quais lutava com uma obra e sem atingir o seu projeto acabava destruindo o resultado. Momentos em que ensina: “ao menos passei várias horas com um bom projeto, mas nada sobrou dele fisicamente”. Nestes momentos ressoa forte a sentença de Aristóteles de que “a ARTE está em QUEM PRODUZ, não no QUE PRODUZ
Iberê CAMARGO - 1991 -  Zielinsky. 2006. p.426
Fig. 11 –  A exaustão física e mental de Iberê CAMARGO está visível nesta obra da última fase deste artista em Porto Alegre. A representação da  ERA INDUSTRIAL está presente numa bicicleta enquanto a figura humana jaz por terra.  De outra parte pode evocar a vítima fatal do seu gesto de 1980 quando ele abateu a tiros um desconhecido em plena rua.

20.4 - Leituras iconológicas da
obra de Iberê.

Para empreender e ter acesso à leitura iconológica presente ou ausente na obra de Iberê Camargo é necessário confiar no gesto do artista que abra as portas do imenso mistério da verdade do artista.  Esta obra evoluiu diacronicamente, entre 1939 até 1994, formando uma série cultural na qual foi criada e à qual pertence técnica, estilística e tematicamente.  Esta série é formada por um sequência lógica de obras coerentes entre si mesmas e ao mesmo tempo respondendo à series culturais mais evoluídas do mundo contemporâneo.
Fig. 12 –  A vida e obra de Iberê CAMARGO transcorreu nas circunstâncias e tempos do século XX. Este Tempo  corresponde as  circunstâncias da infraestrutura técnica da ERA INDUSTRIAL.  Iberê refletiu este Tempo. de rápidas e contraditórias mudanças, na sua obra e na sua carreira artística  . Porém nenhuma destas  sucessivas  tendências conseguiu abalar, esterilizar ou estancar a sua produção ao longo de mais de meio século da Arte.
[clique sobre o gráfico para ler]
A obra de Iberê Camargo, ao ser  situada numa série cultural diacrônica, mostra que a sua trajetória numa linha de tempo, de menino vivendo em diversas pequenas cidades do interior do Rio Grande do Sul acompanhando o pai ferroviário[1]. Já adulto começou alargar o horizonte intelectual, na capital, no âmbito da prestigiosa Secretaria de Obras Públicas do Estado na qual estavam lotadas pessoas com grandes capacidades intelectuais. De dia trabalhava como desenhista de Arquitetura. À noite frequentou e concluiu o Curso Técnico de Desenho de Arquitetura do Curso de Artes Plásticas. Neste Curso teve aulas com os arquitetos Ernani Dias Corrêa e José Lutzenberger, como o engenheiro Ney Chrysóstomo e com os professores João Fahrion,  Ângelo Guido e Fernando Corona. Este último escreveu a primeira crítica sobre sua obra em 1944[1]

Fig. 13 –  O Curso Técnico de Arquitetura que Iberê  CAMARGO frequentou não tinha formatura ou formalidade de conclusão. Este Curso Técnico foi um ensaio institucional para o Curso Superior de Arquitetura que foi aprovado em 1945 e que passou a ser oferecido regularmente a partir do ano escolar de1945 Este foi aprovado pelo Decreto Federal Nº 19.991 de 26.11,1945 “autorizou o funcionamento do Curso de Arquitetura e Urbanismo no Instituto de Belas Artes do RS”[1].. É necessário frisar para a caso de Iberê Camargo é o fato de  que no Curso Técnico Noturno de Arquitetura atuaram os mestres que irão ser os titulares no Curso Superior de Arquitetura do IBA-RS.
[clique sobre o gráfico para ler]

      Dessa posição cômoda ele abdicou, em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, para ser artista em tempo integral, impondo-se o lema "vencer ou morrer pela arte". Vinte anos após alcançou o primeiro prêmio da Bienal de São Paulo. A partir dessa consagração estabilizou-se chegando rapidamente à autonomia, na qual empreendeu a fase mais criativa da sua pintura. Essa contemporaneidade passou pela busca da erudição que estivesse ao alcance do artista


[1] - Decreto Federal  no  19.991 de  26.11.1945  publicado no Diário Oficial  no dia  28 . 12 . 1945 http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=1098&norma=2407

Fig. 14 –  A origem de Iberê CAMARGO e o árduo caminho de sua formação lhe ensinaram os postulados do hábito da integridade estética e intelectual. Esta dolorosa a solitária caminhada fazia o receptivo a rodos os projetos dos jovens que escalavam os seus obras para ver mais longe do que ele.


A sincronia dessa obra de Iberê Camargo situa-se numa série cultural que se desenvolveu paralelamente a outras séries, dialogando com os principais movimentos artísticos do século XX. A sua identificação vai derivando para as buscas picturais expressionistas mais autênticas. Logo na chegada ao Rio de Janeiro cumpriu uma etapa de formação na qual o mestre Guignard teve um papel primordial. Numa segunda etapa dialogou com os mestres universais do expressionismo internacional. A partir prêmio da Bienal, ele conduziu o seu pensamento autônomo ao lado das correntes artísticas contemporâneas[1].



20.5 Projeções da  pessoa e
da obra de Iberê

A obra e a própria pessoa de Iberê Camargo exerceram uma influência no sistema de artes plásticas brasileiro e regional e  que estão em pleno desdobramento. A sua vigorosa obra pictórica não deixava indiferente ninguém que o conhecia. Especialmente se esse observador de sua obra, experimentava ou exercia a sua criatividade por meio das tintas e dos pincéis. A sua obra docente, estimuladora e provocadora,  fomentou a primeira fase do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre.
  Assim começa a história de um pintor: a ‘Revista do Globo’ revela, ao Brasil, o jovem artista Iberê Camargo” Revista do GLOBO, nº 326, 12.09.1942.  p. 24
Fig. 15 –  Iberê CAMARGO emergiu para as artes visuais aos 25 anos e em pleno Estado Novo e II Guerra Mundial.  Não deixou por menos e transformou o Palácio do Governo (atual Palácio Piratini) em sede de sua exposição foi apoiado e ganho e mereceu espaço na prestigiosa Revista do Globo  Este esforço valeu-lhe a bolsa de estudos do dado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Isto permitiu a sua integração com os artista da capital do Brasil

Com intensa projeção e suporte da ERA INDUSTRIAL Iberê CAMARGO é campeão - entre os demais artistas visuais sul-rio-grandenses - de inserções na imprensa industrial. Estas inserções impressas iniciaram nos primórdios de sua carreira e o acompanharam ao longo do meio século de atuação. Porém estão distantes de marketing e propaganda. Ao contrário, cada inserção, na imprensa industrial, corresponde a uma autêntica produção de sua trepidante e intensa atuação nas artes, no ensino e envolvimentos políticos a favor da arte e da cultura. Tudo isto é realizado num projeto cuja teleologia possui rigorosos documentos e comprovações.

De outra parte a sua impressa pela sua intensa atividade na gravura artística foi outra conexão viva e intensa com a infraestrutura da ERA INDUSTRIAL.
Iberê CAMARGO - Ilustrando a obra “O homem com a flor na boca” - 1992 -  Zielinsky. 2006, p.454.
Fig. 16 –  A interação de Iberê CAMARGO com a Literatura por meio das ilustrações, da pintura e da gravura  forneciam momentos de criação e jogos poéticos de luzes e sombras. Na foto ele recebendo atores como modelos para cenas de Literatura

20.6 - Um mestre da Pintura

A sua obra docente, estimuladora e provocadora, está sendo continuada pela Fundação de Iberê Camargo. Essa Fundação cria continuadas valorizações da obra do pintor criando em um rigoroso arquivo, reunindo pessoas e equipamentos. Não é possível falar em renascimentos pois  Iberê Camargo está vivamente presente nessa institucionalização de sua obra. Ao mesmo tempo, essa obra, não permite que ele seja estereotipado, nem se torne um mito ou seja colocado no espaço sacralizado de "mestre da pintura". As suas inconformidades com a vida e cultura que encontrou, somadas às tragédias de sua vida, se incomodavam ao artista, de outra parte, não  permitiram lhe conferir o título gratuito de herói nacional. Contudo, todas essas contrariedades, reforçam as suas dimensão de cidadania, a sua coerência e sua força interior para superar escolhas de vida e o exercício da sua arte tão difícil e corajosa.
Fig. 17 –   A sua última etapa de vida de Iberê  CAMARGO incluiu o esforço de colocar sólidas e confiáveis bases de uma instituição capaz de abrigar e e preservasse, por tempo indeterminado, os seu momentos de criação. Assim estava consciente do ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL na qual os bens simbólicos serão as fontes das riquezas da nações.

20.7 Os lugares institucionais da obra e da pessoa e da obra de Iberê.

A obra de Iberê Camargo está migrando, em grande parte, das coleções particulares para o espaço da democratização dos museus públicos Nesses lugares públicos ela cumpre algo que lhe imanente, pois uma obra de Iberê é tudo menos uma obra agradável para combinar com uma decoração. A verdade e a autonomia dessa obra não se deixa subjugar por outros paradigmas estéticos concorrentes

Depois do desaparecimento do artista, todas as energias de sua esposa foram canalizadas para a Fundação Iberê Camargo para subsidiar logisticamente os teóricos e colecionadores da sua obra. O papel de Maria Coussirat Camargo foi crucial em vida do artista na sua passagem da província para a rede mundial.
Fig. 18 –  A tripla imagem de Iberê  CAMARGO é uma metáfora da multiplicidade de sus fontes e meios de criação deste artista visual. A imagem, como algo em lugar do que já não existe, remete ao mundo conceitual e a pensamento que esta imagem evoca. O que permanece é o pensamento que animou o seu projeto e fez com se valesse da materialidade de sua arte.

A obra de Iberê Camargo está a caminho de ser a primeira de um artista sulino a ter concluído o seu "Catalogue Raisoné". Esse fato permitirá cotejar as obras entre si e a reverter para os múltiplos estudos dos quais já foi objeto. O conjunto desses estudos constitui uma extensa bibliografia e que os meios eletrônicos permitem acessos documentais múltiplos.

Esse conjunto transforma Iberê no artista plástico que oferece ao leitor, e ao seu observador, o melhor acesso em textos já disponíveis para o grande público. Iberê como cidadão foi capaz de gerar documentos duradouros e fidedignos, na medida em que ele pertenceu ao seu tempo, ao seu lugar e à sua sociedade.

Os estudos, de que foi objeto a obra deste artista, criaram referenciais, na palavra e nas imagens dos fotógrafos, para guiar o público nesta obra visual tão densa e difícil para o não iniciado na sua verdade. O próprio artista, como erudito, deixou numerosos textos que procuram ajudar o espectador em relação à sua obra. Contudo, tanto o artista, como os seus mais próximos críticos, sabem que essa obra não pode ser vertida total i integralmente  para códigos de comunicação. Códigos de comunicação geram narrativas passageiras e pontuais. Enquanto a obra pertence ao plano da expressão. A  obra de arte terá vida duradoura enquanto se constituir num objeto físico desafiador e resistente às narrativas e à sua decodificação integral.
01-Iberê Camargo; 04-Antônio Gutierres; 05 -Paulo Peres
Fig. 19 –  A enérgica e ruidosa intervenção de Iberê CAMARGO, no ambiente de Porto Alegre de 1960, que ele considerava parado no Tempo, provocou uma corrida de jovens aos porões do Theatro São Pedro para um curso de férias sob a sua orientaççã.  O movimento foi tão forte e intenso que um grupo de jovens levou a experiência do “Atelier Livre” ao Abrigo dos Bondes da Praça XV de Novembro de Porto Alegre,. Esta experiência migrou depois para os ltos do Mercado Público, dali para a Rua Lopo Gonçalves e deste para o Centro Cultural de Porto Alegre.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS,


  Assim começa a história de um pintor: a ‘Revista do Globo’ revela, ao Brasil, o jovem artista Iberê Camargo” Revista do GLOBO, nº 326, 12.09.1942.  p. 24


CAMARGO, Iberê -A GRAVURA Porto Alegre: Editora Sagra Luzzato. , 1992, 85 p. ISBN 9788524103620 https://www.dalianegra.com.br/a-gravura
FERNANDES, Casemiro UM ARTISTA que SURGE: Iberê Camargo começa a pintar com vinte e cinco anos. Porto Alegre: Revista da Globo, nº 305,-- 11.10.1941.  p.40

MARGS Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli / Textos de Armindo Trevisan et ali. Porto   Alegre : tomo Editorial, 2000, p.99.
ROSA, Renato et   PRESSER, Décio .Dicionário das Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre :  UFRGS, 1997,  p.49

ZIELINSKY, Mônica -  Iberê Camargo- Catálogo raisonné-  volume 1º   Gravuras São Pualo: Cosac Naify, 2006 504 pp. 692 ils - ISBN -85-7503-528-2-
Iberê  CAMARGO 1943  Zielinsky 2006 p.048
Fig. 20 –  Os hábitos e os costumes sul-rio-grandenses não deixaram indiferentes a memórias e as retinas  de Iberê CAMARGO que as registrou  graficamente em 1943. Apesar de a bandeira e o hino  do Rio Grande do Sul serem proibidos, ao longo do Estado Novo, o artista guardou nas suas retinas estas cenas que irão se transformar em ícones após s redemocratização em 1945   

FONTES NUMÉRIICAS DIGITAIS

TEXTO   ARTE no RIO GRANDE do SUL

DEPOIMENTO de IBERÊ CAMARGO como GRAVADOR

OBRAS de IBERÊ CAMARGO

PRÓ DIRETAS 1983-1984
Iberê CAMARGO ‘Tudo é Falso e Inútil’ 1993  Zielinsky 2006 p.427
Fig. 21 –  Buscando meios de dar forma, cor e textura   ás suas percepções, especulações e frustrações Iberê CAMARGO foi fiel a si mesmo até o final de sua existência. Muitos desanimam se interiorizam e privam os seus semelhantes de seus instantes finais. Iberê segurou pinceis, espalhou tentas e manejou o lápis até os derradeiros momentos de vida.
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