quarta-feira, 1 de julho de 2015

ARTE no RIO GRANDE do SUL - 05

As ARTES VISUAIS na  ESTÉTICA AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE.

01 - PROJEÇÕES ESTÉTICAS AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE no ÂMBITO da ERA PÓS INDUSTRIAL. 01.1 –0– A  IDENTIDADE AFRICANA e a ERA PÓS INDUSTRIAL  1.2 –  – A  IDENTIDADE AFRICANA no CURSO da VIDA.    01.3 –.A  IDENTIDADE AFRICANA como TABU na CULTURA do DOMINADOR   01.4 – ENERGIAS da IDENTIDADE AFRICANA para ENFRENTAR o TABU  do DOMINADOR.

02 -  - AFRICA: o BERÇO da HUMANIDADE 02.1 -  A RAIZ da  FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA.  02.2 - A FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA. no PLANO MUNDIAL. 02.3 – ARGUMENTOS para SILENCIAR a FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA.  02.4 –  A FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA no RIO GRANDE do SUL. 02.5 – MEIOS PRECÁRIOS da IDENTIDADE AFRICANA no RIO GRANDE do SUL

03   -. A GUERRA SIMBÓLICA e a ARTE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE  03.1 -  Da PASSIVIDADE  para a AFIRMAÇÃO da IDENTIDADE.  03.2 -  ÍNDICES da AFIRMAÇÃO da IDENTIDADE AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE. 03.3 - ÍNDICES da ANTROPOLÓGICOS da IDENTIDADE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE.

04  -    A LOGÍSTICA e as ESTRATÉGIAS para o ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE  04.1 -  RUPTURA com a IDENTIDADE EUROCÊNTRICA  04.2 - ESTRATÉGIAS para o ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIO- GRANDENSE - 04.3 – ENTULHOS a REMOVER  no ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIO- GRANDENSE

05        ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE sem PERDER a ESSÊNCIA.  05.1 -  A AFIRMAÇÃO da IDENTIDADE de fora e de dentro  da ETNIA.AFRO.  05- 2 -  COMPETÊNCIAS ESTÉTICAS do CONTEÚDO das FORMAS da ARTE AFRICANA  05.3 -  O DESAFIO do ESTUDO, SISTEMATIZAÇÃO e SOCIALIZAÇÃO da ARTE AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE   05.4 -  INTERESSES ECONÔMICOS, SOCIAIS e POLÍTICOS contra o ESTUDO, SISTEMATIZAÇÃO e SOCIALIZAÇÃO   da ARTE AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE   05.5 -  FORTUNA da RESISTÊNCIA da IDENTIDADE da ETNIA AFRO.
Pegada Africana _ Vinicius Vieira _ Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre _ Praça da Alfândega
Fig. 01 – A calçada da Praça da Alfândega de Porto Alegre recebeu um índice visual  e material que a identificam como um dos lugares de ingresso  das sucessivas ondas de africano em território sul-rio-grandense ondas migratórias humanas estão em pleno curso na época pós-industrial. No entanto o continente africano parece ter as primeiras pegadas da transição entre os hominídeos até chegar aos seus descendentes atuais.  As ondas destes descendentes se espalharam por todo o planeta e estão na código genético de toda a humanidade..

01 - PROJEÇÕES ESTÉTICAS AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE no ÂMBITO da ERA PÓS INDUSTRIAL

01.1 – A  IDENTIDADE AFRICANA  e a ERA PÒS INDUSTRIAL
A competência das presentes postagens são as ARTES VISUAIS que se desenvolvem no limite do território do Rio Grande do Sul. Os índices da sua percepção, da sua observação e da sua divulgação ocorrem na época pós-industrial e por ela são condicionadas. Assim há necessidade de ultrapassar os conceitos e os paradigmas ciados e uados pela ERA INDUSTRIAL e que ela mesma tornou obsoleto. Para esta ultrapassagem trabalha-se com a convicção de Marc Bloch de que só conhecendo o presente temos direito ao passado do qual emerge esta atualidade. Acredita-se que fio condutor deste caminho de duas mão é profunda interação das épocas entre si mesmas. O campo das Artes Visuais materializa e torna evidente, para os sentidos humanos, esta interação.
Fig. 02  O cruzamento dos eixos do Mercado Publico de Porto Alegre recebeu  o mosaico da imagem acima. Este lugar de trabalho, trânsito e síntese da fartura da terra e do mundo imaterial congrega os vivos do presente evoca dos antepassados e busca abrir caminhos para as novas gerações.

01.2 – A  IDENTIDADE AFRICANA no CURSO da VIDA
   A contribuição e a interação da produção visual africana com a  cultura sul-rio-grandense pode ser surpreendida em pleno curso da vida. Na cultura africana a humanidade possui na  percepção, estudo e respeito o direito de retornar à infância. Estes valores e estímulos sensoriais irão reencontrar no presente da arte africana as manifestações da gratuidade da vida. Irão encontrar na arte africana formas surpreendentes para recriar a si mesma. Recriar-se no presente a partir de épocas distantes entre si mesmas Recriar-se no presente pela flexibilidade e principalmente pela energia de aceitar o outro e o diferente.  Recriar-se no presente e interagir para criar novas amálgamas vivas e férteis. 
Assim, no visual colorido das suas comidas, nas cores e nas formas dos seus orixás das suas crenças[1] e em especial no espetáculo do carnaval e ultimamente na moda, existe toda uma forma de sentir e expressar visual e de forma plástica na sensualidade do seu corpo. Evidente que houve o fenômeno sincretista, não só religioso mas em especial estético.
Esta cultura é portadora de uma enxurrada de valores tão antigos e persistentes como a própria humanidade. Materializam-se  no campo das Artes Visuais. Coerência conceitual e formal que abrem espaços intelectuais e estéticos para a sua percepção, estudo e respeito como um dos grandes legados da civilização humana. Esta antiguidade e força estão vigorosamente presentes na arte egípcia em especial aquela do Alto Rio Nilo. Esta persistência e antiguidade conferem, para esta cultura, fontes, formas e estímulos sensoriais que a tornam também coerente com a “ÉPOCA das DÚVIDAS, das INCERTEZAS” e dos múltiplos caminhos abertos na ERA PÓS-INDUSTRIAL.
Talvez os maiores crimes da humanidade estejam na desqualificação, negação e combate sistemático aos SENTIMENTOS HUMANOS. Qualquer projeto hegemônico inicia pela aniquilação, condenação e naturalização dos SENTIMENTOS do OBJETO de que deseja conquistar física e moralmente. A ERA INDUSTRIAL exerceu com maestria este projeto de reforçar, evidenciar, produzir e vender sentimentos que lhe sejam favoráveis. Ato contínuo passou a desqualificar, esquecer e tornar obsoleto tudo que não o favorecia. O gaúcho, a sua prenda e baiana foram repaginados e receberam vestimentas, hábitos e passaram exercer sentimentos de consumo diametralmente oposto à sua origem, tradição e valores morais.
 Uma das múltiplas tarefas nos variadíssimos caminhos abertos pela ERA PÓS-INDUSTRIAL e reinstalar o sentimento humano e admitir a SANÇÃO MORAL das consequências dos seus projetos, ações e resultados almejados.
A Arte é o caminho dos SENTIMENTOS HUMANOS. Assim a ERA PÓS-INDUSTRIAL encontra nas fontes africanas energias antiquíssimas e universais  das quais não se conhece os limites.



[1] - Norton Corrêa,1988.
Fig. 03 – As cores e os traços fortes – de uma das obras de artista afro sul-rio-grandense PELÒPIODAS THEBANO – marca este mosico colocado entre as Praça XV de Novembro e Largo Glênio Peres de Porto Alegre. Uma obra física que se integrou com muita sabedoria e economia no ambiente urbano sem atrapalhar nem ocupa um espaço útil. A sabedoria refere-se à humanização de um espaço resultante da Era Industrial com a qual esta obra não entra em conflito. Ao contrário:  incorpora este passado recente e a humaniza sem degradar.

01.3 – A  IDENTIDADE AFRICANA como TABU na CULTURA do DOMINADOR.

Porém estas manifestações estéticas africanas estão carregadas de tabus. Tabus que o dominador sempre lhe impôs com forte concorrente.  Diante deste dominador há necessidade de redobrar o seu estudo, sua sistematização e separar, o que de fato lhe pertence e é de sua identidade. Transformar o tabu em totem.
Esta transformação do tabu em totem evidencia a efetiva e importante contribuição desta etnia deu ao mundo simbólico e material não só no Brasil e ao Rio Grande do Sul.
A arte afro-sul-rio-grandense possui uma evidente força subliminar e que escapa à lógica da análise racionalizada. Contra o temor e a vontade de silenciar as raízes da cultura africana no Rio Grande do Sul, ela garantiu permanência e reprodução maiores do que cultura indígena. Esta, muito mais identificada e próxima da natureza, não conseguiu promover a interação com as outras duas culturas concorrentes com as quais entrou em contato. A cultura afro penetrou em toda a cultura sul-rio-grandense de forma subliminar. É possível  surpreender as suas manifestações vivas das artes visuais em terreiros[1], das festas de Nossa Senhora dos Navegantes, espalhadas por todo território do estado, como aquelas de Iemanjá e no carnaval.



[1] - CORRÊA, Norton  F., 1988, 474 f 

Wilson TIBÈRIO (923-2003 ) e o seu AUTORETRATO  1941 Pinacoteca Barão de Santo Ângelo  IA-UFRGS
Fig. 04 - Wilson Tibério (1923-2005), nascido em Porto Alegre, na Rua da Paia a beira da água e de mãe lavadeira,  foi escolhido, em Paris, como embaixador da estética da cultura afro para representar a cultura francesa em Moscou e Pequim. Com formação erudita soube conduzir a sua obra para as mais puras vertentes africanas e contornando o espaço cultural dominado historicamente por tendências hegemônicas eurocêntricas que ele conhecia e dominava como é  visível neste seu autorretrato


01.4 – ENERGIAS da IDENTIDADE AFRICANA para ENFRENTAR o TABU do DOMINADOR
Para enfrentar, e para transformar em totens, os diversos tabus de silêncios inexplicáveis em relação ao regime escravocrata, são necessárias todas as forças do ânimo e as energias dos corpos. São necessárias todas as forças do ânimo para romper o tabu da imensa dívida da reparação econômica pelo trabalho apropriado do africano sem que tivesse o mínimo usufruto. O tabu do silêncio do judiciário em relação a queima da documentação, da hierarquia eclesiástica em relação à moral que se desenvolveu na senzala e em especial do capital que se acumulo em mãos alheias e não retornou para quem o produziu de fato.
Este processo não é uma simples vingança ou ajuste de contas. Trata-se do equilíbrio e da busca de autonomia, da possibilidade da dignidade e da continuidade das imensas potencialidades do africano possui da criação artística e das quais já deu mostras inquestionáveis.
A cultura africana não pode ser vista como um todo monolítico ou parada no tempo. No Brasil cada nação africana ostenta valores e concepções absolutamente distintas entre si. A semelhança da cultura indígena há milhares de pequenas vertentes, expressões e influências tribais. Estas variedades, diferenças e identidades são difíceis de sustentar e manter conectado com suas origens africanas.
Os “maçambiques” da cidade de Osório[1] conseguiram, com muita dificuldade, preservar  no Rio Grande do Sul, esse universo originário da África. No Brasil essas irmandades negras foram colocadas sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário em função dos rituais muçulmanos da recitação ritual das suras do Corão que as haviam islamizado na África[2].



[1] - AGUIAR BRANCO, Estelita - Maçambique: coroação de reis em Osório. Porto Alegre: Comissão Gaúcha de Folclore. 1999, 87 p.

[2] - A recitação do rosário já era praticada  na repetição das mantras indianas e das suras corânicas. O cristianismo adotou esse ritual religioso ao longo da Idade Média. Muitos dos africanos  eram muçulmanos e já possuíam a prática das recitações islâmicas. Assim o rosário foi adaptado para cultos católicos dos negros em substituição das práticas muçulmanas.
Fig. 05 – A obra de  Carlos Alberto do OLIVEIRA o carteiro pintor e cujo apelido era CARLÃO necessita ser colocado num ambiente criado e sustentado por uma geração de artistas plásticos de Novo Hamburgo – Fora deste contexto social, econômico e urbano esta obra perde importantes referenciais antropológicos e  referenciais de origem, tornando-se mero objeto de mercado de arte com suas oscilações extra estéticas, O mérito deste artista afro-sul-rio-grandense foi a sua fidelidade à sua origem num ambiente com temas, técnicas e socializações de uma mentalidade eurocêntrica.

02  - AFRICA: o BERÇO da HUMANIDADE
02.1  – A RAIZ da  FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA.

A humanidade possui o seu berço na África. Neste berço  a humanidade criou e cercou-se, de um mundo de símbolos e índices que subjazem às mais requintadas, ricas e poderosas civilizações humanas. A marcha da humanidade foi acompanhada - através dos tempos e novos espaços - por guerras simbólicas, comparações odiosas e desqualificações culturais recíprocas. Estas guerras e desqualificação dos símbolos do OUTRO são provocas e conduzidas pelo mais astuto, forte e  oportunista. O oportunista, o mais forte e astuto abre espaços e condições para implantar o seu próprio repertório e desqualifica todos os concorrentes.  Qualquer cultura em qualquer tempo e lugar possui este projeto que considera primordial para a sua afirmação e reprodução. A Arte Afro-sul-rio-grandense não escapou a esta sina tanto no aspecto passivo como no ativo.
WILSON TIBÉRIO (1923-2005) Bahia - óleo 80 x 69 cm. - Museu Afro Brasileiro
Fig. 06 – O sul-rio-grandense Wilson Tibério  fez um estágio em Salvador  onde produziu antes de seguir para Paris A Bahia - especialmente a sua capital Salvador -  são referenciais permanentes para a cultura e a arte afro-brasileira. Na qualidade de capital da Colônia Brasileira – entre 1549 e 1763 - ali se acumularam varridíssimas experiências humanas, imateriais  e materiais. Experiências provenientes das diversificadas etnias africanas e que foram forçadas a se encontrarem e conviverem no ambiente da América lusitana.

02.2 – A FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA no PLANO MUNDIAL

A cultura egípcia herdou os arquétipos africanos e os elevou para uma estética própria e única. Muitos faraós eram negros.
Ao longo da conquisto do Egito e da África as cultura islâmica projetou as primitivas formas estéticas africanas para o seu ‘Padrão Infinito’ e eliminando a mimese figurativa.
O colonizador europeu percebia nas divindades afros e nos rituais remanescentes da conquista islâmica como representação do demônio e a sua idolatria.
O Cubismo foi buscar os arquétipos africanos e as transformou em pinturas e esculturas. A Arte Não figurativa redescobriu tanto o gesto expressionista com sentido m si mesmo, como o Padrão  Infinito amplamente disseminado pela decoração Art Decô. Neste meio tempo a Música africana informou os ritmos e as cadências das mais variadas tendências musicais que se projetam até o presente.
GILBERTO PEGORARO 1941-2007 -orixá EXU – Imagem no Centro Cultural CEEE (Andradas, 1223) exposição de 17, até 24 de abril de 2004.
 Fig. 07 – O artista sul-rio-grandense Gilberto PEGORARO (1941-2007) no final de sua existência produziu uma série de imagens de orixás e divindades africanas. Seguia os passos de Caribé (Hector Julio Paride Bernabó 1991-1997) e de Nelson Boeira Faedrich (1912-1994) que trataram deste tema.  Pegoraro, Faedrich e Caribé  realizaram a travessia inversa de Magliani, Wilson Tibério e o Carlão que retornaram às suas origens do universo africano após partirem de uma cultura alheia.

02.3 – ARGUMENTOS para SILENCIAR a FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA

Os argumentos dos europeus contrários aos valores africanos são evidentes. A necessidade da dominação, exercida pelo europeu, só podia fazer enxergar no africano o outro e o diferente. Esse processo fez ver em qualquer manifestação cultural africana algo demoníaco e aberrante. A elite, no final da escravidão, propunha o branqueamento da raça, coerente com o seu temor desses valores do outro. Esse projeto de branqueamento da raça, é a forma mais subliminar de confessar os temores e uma busca desesperada para calar séculos de uma atroz escravidão física e espiritual do negro. Esse temor e busca de silenciar uma cultura, que possui as suas raízes na origem da espécie humana, no seu conjunto, é uma forma de confessar a fraqueza e a pouca consistência da cultura europeia.
 Contra o temor e a vontade de silenciar as raízes da cultura africana no Rio Grande do Sul, ela garantiu permanência e reprodução maiores do que cultura indígena. Esta, muito mais identificada e próxima da natureza não conseguiu promover a interação com as outras duas culturas concorrentes com as quais entrou em contato. A cultura afro penetrou subliminarmente em todas a cultura sul-rio-grandense. É possível  surpreender as suas manifestações vivas das artes visuais em terreiros[1] e no carnaval.



[1] - CORRÊA, Norton  F. Os vivos, os mortos e os deuses: um estudo antropológico sobre o batuque no  Rio Grande do Sul. Porto
              Alegre :IFCH-UFRGS, 1988, 474 f –Disert. Oreinta Brochado, José Joaquim. 
OLIVEIRA SILVEIRA [1941-2008]. Porto Alegre - RS.   Foto Correio do Povo 31.12.2009
Fig. 08 ––  Oliveira Silveira foi um construtor de pontes (pontifex) entre as diversas identidades afro-sul-rio-grandenses, entre a cultura afro-brasileira e a europeia e entre a erudição e aquela do poder originário. O seu material foi a palavra da poesia. Com ela preservou  e desenvolveu a sua própria autonomia, da sua origem do seu povo assumida e mostrou que arte está em quem a produz e não no que produz

02.4 – A FORÇA da IDENTIDADE AFRICANA no RIO GRANDE do SUL.

A Arte e a estética afro-sul-rio-grandense possui parcos meios sensoriais que le permitiram sobreviver à severa  heteronomia da escravidão e do colonialismo. Entre estes parcos meios que sobraram inicia com os gestos do seu corpo, a dança e o ritmo das palmas. Este repertório foi ampliado pela oralidade, o canto e as palavras chaves com que designavam as suas divindades. Transliteraram o sentido afro ancestral para as divindades e o panteão dos santos do seu captor. Sob o pretexto do rosário - que os ibéricos tinham recebido da herança islâmica e que muitos afros descendentes tinham aderido – forjou uma espécie de legalidade associativa paralela, mas profunda e subliminarmente controlado pelo sistema escravagista.
A franca criação plástica própria e autônoma iniciou com a libertação. É preciso destacar neste iniciar os materiais dos cultos.  Os códigos dos alimentos das oferendas formaram códigos plásticos próprios de cada entidade. As vestimentas, os adornos e os instrumentos musicais formaram um primeiro suporte e ganharam formas próprias e legíveis. A assinatura das obras pessoais teve de esperar o século XX. Nesta assinatura o escravo adotava o sobrenome do seu antigo proprietário por desconhecer a sua própria genealogia.
Fig. 09 – Maria Lídia dos Santos – a MAGLIANI -  tinha uma aguda consciência e os severos limites dos conceitos e da estética que as competências Afro Sul-rio-grandense lhe ofereciam. Tirou as suas forças criativas destes mesmos limites que a estimularam a percorrer os caminhos das Artes Plásticas até o final da sua vida curta e produtiva  .  Migrou ao Rio de Janeiro onde fixou o seu atelier no bairro Santa Teresa e desenvolveu a sua obra num ambiente cercado pelos artistas ali radicados. Renato Rosa exerceu para ela o papel que Kahnweiler mantinha em relação à obra de Pablo Picasso.


02.5 – MEIOS PRECÁRIOS da IDENTIDADE AFRICANA no RIO GRANDE do SUL.

A Arte e a estética afro-sul-rio-grandense necessita iniciar pelo parcos meios sensoriais que sobreviveram à severa  heteronomia da escravidão. Entre estes parcos meios sobrou o gesto do seu corpo, a dança e o ritmo das palmas. Este repertório foi ampliado pela oralidade, o canto e as palavras chaves com que designavam as suas divindades. Transliteraram o sentido afro ancestral para as divindades e o panteão dos santos do seu captor. Sob o pretexto do rosário - que os ibéricos tinham recebido da herança islâmica e que muitos afros descendentes tinham aderido – forjou uma espécie de legalidade associativa paralela, mas profunda e subliminarmente controlado pelo sistema escravagista.
A franca criação plástica própria e autônoma iniciou com a libertação. É preciso destacar neste iniciar os materiais dos cultos.  Os códigos dos alimentos das oferendas formaram códigos plásticos próprios de cada entidade. As vestimentas, os adornos e os instrumentos musicais formaram um primeiro suporte e ganharam formas próprias e legíveis. A assinatura das obras pessoais teve de esperar o século XX. Nesta assinatura o escravo adotava o sobrenome do seu antigo proprietário por desconhecer a sua própria genealogia. 
Fig. 10 – A Praça da Harmonia de Porto Alegre é de fato local de tristes e amargas recordações para a cultura afro-sul-rio-grandense. O palco de tantos castigos ‘exemplares’, acoites e humilhações intermináveis, recebeu a obra ‘O TAMBOR’.  Obra que lembra tanto a paz e a suas celebrações como o seu rufar chamando e coordenando as legiões de guerreiros se organizando nas suas lutas físicas e simbólicas.

03 -A GUERRA SIMBÓLICA e a ARTE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE.
03.1 -  Da PASSIVIDADE  para a AFIRMAÇÃO da IDENTIDADE.
Para perceber esta guerra simbólica - travada pela  Arte Afro-sul-rio-grandense - há necessidade de dilatar o olhar e buscar rever alguns pontos nos quais ela evoluiu da passividade para a sua afirmação ativa. Nesta dilatação ajuda perceber o choque da cultura europeia diante da ruptura diante da Arte descoberta em Altamira e Lascaux. As obras destas, e outras cavernas, evidenciaram um mundo surpreendente de milhares de anos atrás e que as culturas mais evoluídas nem suspeitavam. Porém estas obras destas cavernas estão muito próximas do homem e de sua cultura e estética contemporânea. O berço africano da humanidade de 2 milhões de anos não recebeu  ainda o mesmo esforço que mereceram os 40.000 mil anos da cavernas europeias. Acertadamente Pablo Picasso colocou na raiz da estética de sua obra as tendências que assenta nesta profunda estética de matriz africana. O mesmo pode ser dito das riquíssimas matrizes musicais, danças e rituais que revolucionaram as percepções humanas contemporâneas. A era industrial - ao impor os seus ritmos, as suas cores e a sua lógica - descobriu a sua simetria na lógica, na sintaxe e no sentido das raízes da estética afras.
A FESTA das ÁGUAS de NAVEGANTES e VENEZA: ou sendas abertas para o seu estudo erudito
Fig. 11 – A festa de Nossa Senhora dos Navegantes é culminância de uma caminhada proveniente da Igreja do Rosário de Porto Alegre. Este feriado municipal ocorre num no dia 02 de fevereiro da cada ano. A cultura afro-sul-rio-grandense transfigurou este evento como homenagem à Iemanjá. Ambos  se inscrevem nos eventos cercados de emoção, movimentos coletivos culminando em banquetes coletivos e projeções da mentalidade barroca e colonial brasileira
As ARTES VISUAIS da CONTRARREFORMA e o RIO GRANDE do SUL.

http://profciriosimon.blogspot.com.br/2015/06/arte-no-rio-grande-do-sul-04.html


03.2 - ÍNDICES da AFIRMAÇÃO da IDENTIDADE AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE.

Encontrar fragmentos autênticos das culturas africanas que se mantiveram e desenvolveram no Rio Grande do Sul constitui um verdadeiro milagre. O dominador buscou apagar completamente a sua vontade, reduzindo à heteronomia completa. O seu o corpo foi visto como mero objeto gerando uma reificação absoluta. Nos seus textos Aristóteles faz entender que escravo não era gente, pois ele não delibera e não decide.
 A energia que manteve os africanos e os seus descendentes vivos, não pode ser atribuída a nenhum índice puramente material. A materialidade desta identidade africana foi-lhes negada. O sincretismo religioso fez com que subvertessem a materialidade cultural dos dominadores conferindo aos santos católicos os atributos dos seus orixás.
Privados de sua liberdade de corpo e de ânimo, deixaram a terra ancestral e as suas etnias diversificadas. No Novo Mundo foi-lhes proibida a fala, o convívio com os as sua própria etnias, pois eram distribuídos e vendidos ao longo da costa brasileira em pontos estratégicos para que os da mesma etnia e mesma fala, não pudessem comunicar-se entre si. Sem direito à paternidade pois eram reproduzidos com a intervenção do branco, romperam-se as referencias e os laços de paternidade e maternidade, base de sua vida tribal de origem. Diante da alta improbabilidade da presença continuada do pai, junto à sua prole, esta função foi assumida com mias intensidade pela mãe. Este fato refletiu-se vigorosamente nas responsabilidades femininas nos cultos afro-brasileiros e ganhou mais visibilidade na figura da “Mãe de Santo”.
Há necessidade de caracterizar o estagio cultural da arte africana A contribuição da produção visual africana à cultura sul-rio-grandense deve ser surpreendida em pleno curso da vida, pois esta arte ainda não se distinguiu da gratuidade da vida. Assim, no visual colorido das suas comidas, nas cores e nas formas dos seus orixás das suas crenças[1] e em especial no espetáculo do carnaval e ultimamente na moda, existe toda uma forma de sentir e expressar visual e de forma plástica na sensualidade do seu corpo. Evidente que houve o fenômeno do sincretismo, não só religioso mas em especial estético.
Estas questões estéticas e sociais sofrem severas restrições econômicas e politicas. Os descendentes afro-sul-rio-grandenses cultivam uma bela tradição politica como o da figura do deputado estadual Carlos da Silva SANTOS (1904-1989)



[1] - CORREA, Norton F.  Batuque no Rio Grande do Sul- antropologia de uma religião afro rio-grandense ( 2ª ed.). São Luis-Maranhão : CA-Cultura & Arte, 295 p

-----------------. Os vivos, os mortos e os deuses: um estudo antropológico sobre o batuque no     Rio Grande do Sul. Porto     
            Alegre :IFCH-UFRGS, 1988, 474 f –Dissertação Orientação de  Brochado, José Joaquim.

IGREJA do ROSÁRIO - POA-RS construída, partir de 1817, com o esforço dos escravos e demolida em 1951.
Ponto de partida da FESTA de NAVEGANTES
Fig. 12 – A cultura colonial lusitana mantinha interações monolíticas entre ESTADO, GOVERNO e IGREJA.  Uma destas interações era confiada à RELIGIÂO CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA e referendada por diversos tratados. Cabia  à esta IGREJA a organização da sociedade civil em IRMANDADES de caráter religioso e com vínculos profissionais ao molde das GUILDAS MEDIEVAIS de OFÌCIOS. Cabia a estas irmandades a criação de sociedades religiosas conforme os ofícios reconhecidos como tais. Por sua vez estas irmandades podiam ter seus templos e de ajuda recíproca na medida de sua submissão às normas emanadas da metrópole. Os seus templos recebiam todo o luxo que era proibido na ambiente doméstico da Colônia. A Irmandade do Rosário era dos escravos e afrodescendentes. .

03.3 -  ÍNDICES da ANTROPOLÓGICOS da IDENTIDADE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE.

Como uma visão antropológica recomenda-se o livro de Norton Corrêa[1] e que atualmente leciona e pesquisa na Universidade Federal do Maranhão. Numa pequena resenha desta obra destaca-se a sua apresentação ao seu leitor:
O Batuque do Rio Grande do Sul é um estudo de fôlego, apresentando vasto material coletado em longos anos de paciente pesquisa. Torna-se ainda mais valioso tendo em vista que até hoje o Rio Grande do Sul é uma das regiões menos conhecidas na literatura afro-brasileira. Apesar dos estudos precursores de Herskovits, Dante de Laytano, de Carlos Krebs, Roger Bastide e de alguns outros, o Batuque ainda é uma das manifestações religiosas afro-brasileira menos estudadas.
Este livro de Norton possibilitará aos interessados comparar o Batuque com outras religiões de origem africana com as quais possui semelhanças evidentes, como o Xangô do Recife, o Tambor de mina do Maranhão, o Candomblé da Bahia, e com manifestações similares em outros países, como Cuba.
É necessário um melhor conhecimento do Batuque, especialmente porque ultrapassou nossas fronteiras e se expande amplamente no Uruguai e Argentina, como demonstram estudos recentes.
Norton parece ter incorrido na tentação de dizer, de uma vez, tudo do muito que conhece sobre o assunto. Seu trabalho, entretanto, pode ser lido com grande interesse, pois escreve de forma clara, simples e agradável. Gostei especialmente de algumas partes, como a abordagem da dança, da economia do templo, das várias etapas das festas, do rito de dar a fala aos orixás, da festa do peixe, dos rituais fúnebres, da "balança" esta desconhecida nos demais cultos afro - além de outros temas de que trata.
O trabalho vem preencher uma lacuna nos estudos afro-brasileiros, permitindo um conhecimento mais amplo do Batuque do Rio Grande do Sul.
A contribuição deste autor é o seu convívio desde a sua infância com o ambiente afro e com seus rituais. A narrativa  preserva  a confiança que soube conquistar desta cultura sul-rio-grandense, sem abdicar ao mais alto nível da  erudição. A produção visual africana torna-se mais legível e compreensível neste ambiente e que exige ser surpreendida em pleno curso da vida, pois esta arte ainda não se distinguiu e não se separou da gratuidade da vida.
Fig. 13 – Os escravos libertos e descalços fotografados,  em 1884, pelo Atelier Ferrari eram proibidos de sorrir na foto exibem as condições que a ”Redentora” os jogaria legalmente quatro anos depois. Sem indenização, moradia fixa e sem trabalho ou salário fixo estavam entregues à própria sorte no meio de uma cultura que continuava a percebê-los como os OUTROS. Nestas condições extremas e dependentes das necessidades básicas para sobreviver a prática de qualquer manifestação artística mais consistente e duradoura era mera utopia

04         -A LOGÍSTICA e as ESTRATÉGIAS para o ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE.
04.1 -  RUPTURA com a IDENTIDADE EUROCÊNTRICA.
Neste sentido, lógica e necessidade a  estética Afro-sul-rio-grandense necessita de uma ruptura estética e conceitual com a clássica cultura europeia hegemônica. Ruptura para dar-se conta do que aquilo que a Arte Afro-sul-rio-grandense cultiva é diferente dos paradigmas hegemônicos. Ruptura com paradigmas das próprias percepções eurocêntricas. Admitir percepções de mundo distintas das suas próprias das quais é portador. Admitir forças estéticas distintas das suas e competentes para produzir obras sob o impulso de necessidades, sentidos e forças distintas das hegemônicas e de moda. Suspender os seus próprios juízos de valores das narrativas das quais se nutre, constrói e reproduz. Admitir que existem, num outro espaço e tempo, outras forças, cânones e legitimidade competentes também para se nutrir, construir e reproduzir em obras de arte. 
Fig. 14 – Ao longo de toda a sua existência o artista Carlos Alberto de Oliveira - carteiro de Novo Hamburgo - assumiu e foi coerente com a estética Afro Sul-rio-grandense. Além de nunca poder usufruir tempo integral a sua vocação artística o ambiente no qual desenvolveu seu talento não estava preparado conceitualmente para percebê-lo como valor em si. Nem o mercado profissional, as instituições de memória, de estudo e divulgação não estavam maduras para sua obra, Assim o carteiro artista embarcou na sina do sambista Heitor dos Prazeres.

  04.2 - ESTRATÉGIAS para o ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIO- GRANDENSE.

 A tarefa de remover entulhos conceituais, políticos e até físicos que acumularam sobre os índices da Arte  Afro-sul-rio-grandense é imensa e urgente. A memória da escravidão, das pesadas desqualificações, ainda vivas e ativas, somam-se a pobreza dos seus legítimos herdeiros. Os agentes da Arte  Afro-sul-rio-grandense não encontram  condições para se dedicarem, em tempo integral, à sua prática, estudo e reprodução ainda premidos pelas necessidades básicas da vida .
São Leopoldo-RS - O escravo Manuel   ZH 06.09.2010
Fig. 15 – Foto da época da escravidão legal de um  “negro-de-ganho”  do ambiente urbano . Escravos de ganho urbanos produziam e vendiam os produtos da cozinha nas ruas e feiras. Estes produtos além de satisfazerem as necessidades humanas básicas são suporte estético para  seu visual, paladar e olfato. Na mesa sul rio-grandense tanto na estética como na economia a presença e a herança afro-sul-rio-grandense é marcante. Porém é nas oferendas dos pratos e quitutes aos orixás está mais presente esta estética e é mais marcante.
A ESCRAVIDÃO entre os IMIGRANTES ALEMÃES     http://cdn.fee.tche.br/jornadas/1/s5a3.pdf


04.3 – ENTULHOS a REMOVER  no ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIO- GRANDENSE
Entre os entulhos a serem removidos pode-se elencar.
04.3.1 - remover do enfoque do PROBLEMA da pesquisa da Arte Afro-sul-rio-grandense o velho e batido clichê do contraste BRANCO x PRETO e da estéril intriga se a escravidão gaúcha era mais ou menos branda em relação ao resto do Brasil;

04.3.2 - remover do tema da Arte Afro-sul-rio-grandense o enfoque, a preguiça ou a desculpa de que REVISÃO BIOGRÁFICA do TEMA e  que não existem textos, atas, leis e poucos estudos meritórios e  que ainda não mereceram uma indexação lógica;

04.3.3 - remover os estreitos limites canônicos fixados na logística desta pesquisa focada em  materiais ricos e nobres específicos da obra da arte europeia e não coerentes com a vida destes artistas Afro-sul-rio-grandenses que produzem com materiais e técnicas não convencionais e canônicos da estética hegemônica;

04.3.4 - remover da mente do pesquisador os clássicos e canônicos recursos teóricos que pautam as planilhas na previsão das estratégias das operações de pesquisa, sistematização e de socialização das obras da Arte Afro-sul-rio-grandense cuja fonte e coerência partem  de recursos teóricos a estéticos diferentes;

04.3.5 -  remover nesta pesquisas as PLANILHAS de CUSTOS que humilham o artista Afro-sul-rio-grandense, atemorizam seus familiares e que no final promovem apenas o pesquisador externo e que se julga no direito a estes emolumentos e fama decorrente.; 

04.3.6 - remover desta pesquisa da Arte Afro-sul-rio-grandense a promessa vazia do mito da fama típica da indústria cultural vigente nos países hegemônicos e que estão acostumados com viradas culturais lastreados numa OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA constante e interminável de uma sólida oferta e procura;

04.3.7 -  remover os tradicionais e os batidos PRODUTOS da INDÚSTRIA CULTURAL das culturas hegemônicas sufocam, atemorizam ou são transformados em fetiches “pedagógicos”   como LIVROS e EXPOSIÇÃO que enchem as prateleiras enquanto as apresentações não passam de peças de marketing e propaganda cujo valor permanece neles mesmos e nos o artista honesto e coerente é apenas pretexto depois não se sustenta ao longo do tempo;
04.3.8 -  remover destas peças de marketing e propaganda que atropelam as instituições na sua competência  teórica, estratégica e logística da pesquisa sem que favoreçam a origem como foi o caso do museus antropológicos dos países colonialistas que percebiam apenas o exotismo e a inferioridade da culturas de origem deste acervo;

04.3.9 remover a burocracia das instituições depositárias e que não passam de meras carimbadoras burocráticas da parte logística e estratégica desta pseudo “pesquisa” sem fazerem parte do problema especifico devido a pouca e equivocada tradição na pesquisa da Arte Afro-sul-rio-grandense;

04.3.10 remover os temerários e os atravessadores da pesquisa da Arte Afro-sul-rio-grandense que nela apenas buscam cargos e não entendem, ou não querem entender, as funções de um autêntico corpo profissional de pesquisadores, arquivistas e museólogos específicos da Arte Afro-sul-rio-grandense forjados e experimentados em pesquisas anteriores sobre o tema e com currículo e referências culturais coerentes com o objeto e do campo de pesquisa; 
Fig. 16 – O artista plástico afro-sul-rio-grandense PELÒPIODAS THEBANO no centro de um evento no qual se comemora a conclusão e entrega pública de uma das suas obras.  A cultura possui como núcleo a necessidade humana de pertencimento nas suas mais variadas formas e expressões. O sentimento de pertencimento construído por meio de trocas materiais e simbólicas. As Artes Visuais possuem um papel preponderante na medida em que elas materializam este sentimento e o projetam tempo, gerações e civilizações afora.

04         ESTUDO da ARTE AFRO-SUL-RIOGRANDENSE sem PERDER a ESSÊNCIA.

05.1 -  A AFIRMAÇÃO da IDENTIDADE de fora e de dentro  da ETNIA AFRO

O exercício da Arte Afro teve êxito o Brasil e se expressou mesmo fora do âmbito desta cultura Este exercício é visível, entre tantos outros nas  obras de Caribé e Hansen Bahia, que não sendo afrodescendentes se nutriram, construíram e reproduziram obras de arte sob o impulso da estética matriz da humanidade. No Rio Grande do Sul  as obras de Gilberto Pegoraro (1941-2007)
No interior do âmbito dos afrodescendentes a coerência dos artistas Emanuel Alves de Araújo e  Ruben Valentim possuem ressonâncias de origem  coerência formais únicas. Sem se furtarem  aos necessários diálogos com outras tendências estéticas, não perdem ou renegam as suas origens e suas motivações. Recorrem aos meios formais de sua origem para afirmarem a sua verdade. Para tanto usam requintadas maneiras políticas para fazerem circulara as suas civilizadas obras e concepções.
Eles não tratam de perseguir o mito do TIPO africano puro na esteira da cineasta Leni RIEFENSTHAL (1902-2003) que se embrenhou fisicamente na África profunda para encontrar o polo oposto do TIPO ariano que ela havia exaltado e viu evaporar-se junto com a ideologia nazista.
Também não se trata de uma temeridade, de um capricho momentâneo ou apenas a busca de ser diferente. No Rio Grande do Sul não faltam concepções coerente provenientes das próprias raízes afro-sul-rio-grandense. Basta ler aquilo que o saudoso poeta Oliveira Silveira o deixou ou contemplar as o conjunto das obras plásticas  de Wilson Tibério (1923-2005)[1]. Ou então conhecer as fases, as lutas e história da “SOCIEDADE BENEFICENTE CULTURAL FLORESTA AURORA” criada em 1872 quando a escravidão ainda era “legal” no Brasil. Nestas circunstâncias não é possível ignorar as decisivas lutas de abolicionistas deflagradas e mantidas por sul-rio-grandenses de todas as etnias , credos e ideologias. Nestes espaço públicos a SOCIEDADE PARTHENON LITERÁRIO[2] manteve ativas campanhas a partir de 1868 não só para a abolição da escravidão como espaço de ativas interações entre as culturas locais
Fig. 17 – A culminância de uma Festa de Nossa Senhora do Rosário na catedral da cidade de Osório no Rio Grande do Sul. No centro do evento a coroação da RAINHA GINGA e do REI CONGO. A região do litoral do Rio Grande dos Sul guarda traços da união econômica, política e social com a Colônia, Império e os primórdios republicanos. O cimento desta interação encontra-se na cultura afro-sul-rio-grandense
CERIMÔNIA EM OSÓRIO  Osário - RS. Arquivado em Novo, VIDEOS por Alfredo Bello | 24, Dezembro. 2009


05- 2 -  COMPETÊNCIAS ESTÉTICAS do CONTEÚDO das FORMAS da ARTE AFRICANA.

Quando se trata de abrir os sentidos humanos e perceber cores, volumes, espaços, ritmos, sons, palavras e eventos descendentes afro-sul-rio-grandenses são competentes potencialmente para construir, sustentar e reproduzir obras diferentes das tradições e dos cânones consagrados. Esta competência é igualmente coerente com as concepções humanas da Arte universal.
Diante destes entulhos jogados sobre a riqueza, e  a potencialidade abrem-se dois cenários antagônicos para as tendências da Arte Afro-sul-rio-grandense. Um é a sua mitificação e no extremo oposto a sua naturalização. Na sua naturalização ela irá permanecer na escravidão e servidão de estéticas hegemônicos que irão julgá-la como apenas uma  corrupções da sua estética onisciente, eterna, onipotente e universal. Na mitificação ela se refugia numa torre de marfim onde também é cativa, espoliada e violentada por aqueles que se recusam a manter qualquer diálogo efetivo com o mundo externo.
No pior que pode acontecer é a sua obsolescência é deixa-la  debaixo dos entulhos da indiferença e da ignorância de suas potencialidades, suas exigências e as forças das contribuições no passado, no presente e no futuro. 
Fig. 18 – Wilson Tibério nasceu,  em 1923, na Rua da Paia a beira da água  em Porto Alegre e de mãe lavadeira.  Depois  de uma aprendizagem dos fundamentos da pintura no IBA-RS, Foi ao Rio de Janeiro e de lá, para a Bahia. Mudou-se definitivamente para  cultura francesa que o acolheu e prestigiou a sua obra a ponto de o artista esquecer a língua materna. Faleceu na França,  em 2005 quando se preparava para rever a sua terra natal. Ali teve condições para  conduzir a sua obra em direção das mais puras vertentes africanas fazendo emergir forças e os impulsos de suas origens e que a cultura francesa evoluída soube entender, promover e preservar como outro espaço e valor. O poeta Oliveira Silveira estava traduzindo uma autobiografia de Wilson Tibério escrita em francês quando a morte surpreendeu um após outro
Porém a sua memória corre o mesmo perigo que corre o estudo, sistematização e conservação de gerações de afro-sul-rio-grandenses. Estudos, sistematizações e conservações vistos como de OUTROS e para os quais não existe espaço, tempo, dinheiro e instituições interessadas e equipadas para tal.

05.3 -  O DESAFIO do ESTUDO, SISTEMATIZAÇÃO e SOCIALIZAÇÃO   da ARTE AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE.

Na medida em que a arte afro-sul-rio-grandense é vista como tabu do que totem pelas etnias concorrentes ela possui um problema concreto e objetivo a ser superado.  Objetivo e problema no meio do caminho que a desafiam  ao estudo, à sistematização e a distinção do que de fato pertence ao mundo simbólico dessa etnia, que deu efetiva e importante contribuição, não só no Brasil, mas no Rio Grande do Sul.
Neste ponto são lamentáveis não os arquivo e museus etnográficos sul-rio-grandenses e brasileiros. Evidente a lástima não é pelo seu número e boas intenções. Faltam-lhes profissionais especializados e em condições de projetar, de trabalhar e difundir de uma forma coerente, segura e reversível para as fontes. Reversibilidade logística para comparar, analisar e perceber em que circunstâncias as narrativas correntes relativas às artes visuais afro-sul-rio-grandense foram forjados e difundidos. Segurança para que o doador de um documento não o veja naufragar e se deteriorar sem conservação física. Museu cuja coerência provenha e seja sustentada por uma política maior e inclusiva no patrimônio local e mundial. 
Fig. 19 – Os raros eventos e meios de socialização das autênticas expressões das artes visuais da raiz afro-sul-rio-grandense acontecem sem uma linha cronológica de continuidade e ao sabor de esporádicas “boas vontades”. Estes avaros centros alheios  e “salões”, sempre patrulhados estéticos, retiram toda a base de uma interação entre artista e espectador de sua produção. Na ausência de uma autêntica circulação do poder da estética afro-sul-rio-grandense não se constitui uma consciência coletiva e o seu potencial público fica sem referenciais teóricos e práticos.

05.4 -  INTERESSES ECONÔMICOS, SOCIAIS e POLÍTICOS contra o ESTUDO, SISTEMATIZAÇÃO e SOCIALIZAÇÃO   da ARTE AFRO-SUL-RIO-GRANDENSE
Os argumentos contrários ao estudo, à sistematização e divulgação dos europeus aos valores africanos são evidentes e correspondem a interesses políticos, econômicos e sociais evidentes aos dominadores. A necessidade da dominação, exercida pelo europeu, só podia fazer enxergar o outro e o diferente no africano. Esse processo fez ver algo demoníaco e aberrante em qualquer manifestação cultural  africana (Langer, 1997, p. 116). A elite, no final da escravidão, propunha o branqueamento da raça, coerente com o temor desta elite dos valores do OUTRO. Esse projeto de branqueamento da  raça, é a forma mais subliminar de confessar os temores e uma busca desesperada para calar séculos de uma atroz escravidão física e espiritual do negro. O temor e a busca para silenciar uma cultura é uma forma de confessar a fraqueza e a pouca consistência da cultura europeia. Este temor possui o seu fundamento no fato de que a cultura africana possui as suas raízes na origem da espécie humana e conseguiu, há muito tempo elaborar as suas perdas e as suas contradições.
Como no caso indígena esta etnia também não pode ser vista como um todo monolítico e um tipo acabado. No Brasil há milhares de pequenas influências tribais e de nações africanas, cada uma ostentando valores e concepções absolutamente distintas entre si. Os “maçambiques” da cidade de Osório[1] conseguiram, com muita dificuldade, preservar  no Rio Grande do Sul, esse universo originário da África. Essas irmandades negras estavam sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário[2].
Visto pelo lado externo o afro-sul-rio-grandense foi objeto de obras memoráveis nas letras, na política e nas artes visuais. Nas artes plásticas destaca-se a temática do “NEGRINHO do PASTOREIO”. Interpretado na escultura por Vasco Prado e por Aldo Locatelli. Este o colocou de uma trágica e esplendorosa no Palácio Piratini, símbolo maior e sede do poder político do Estado[3].
A cultura afro-sul-rio-grandense consegue inegavelmente perceber-se do lado de fora no olhar do dominador,  jogar capoeira com a mirada e  movimentos do opositor. Na prática este flexibilidade está nas excelências dos jogadores de futebol, nos políticos e, sem dúvida alguma, nos valorosos Artistas Visuais do Rio Grande do Sul.



[1] - AGUIAR BRANCO, Estelita - Maçambique: coroação de reis em Osório. Porto Alegre: Comissão Gaúcha de Folclore. 1999, 87 p.

[2] - A recitação do rosário já era praticada  na repetição das mantras indianas e das suras alcorônicas. O cristianismo adotou esse ritual religioso ao longo da Idade Média. Muitos dos africanos  eram muçulmanos e já possuíam a prática das recitações islâmicas. Assim o rosário foi  naturalmente adotado para cultos católicos dos negros em substituição das práticas muçulmanas.
                        
[3] -   A VIA SACRA do NEGRINHO do PASTOREIO de Aldo Locatelli no Palácio do Governo


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Maria Lídia dos Santos  “MAGLIANI”  (1946-2012 ) -
. FIG.20 – A artista Maria Lidia dos Santos (1946-2012) - que assinava suas obras como MAGLIANI - lutou contra todos os preconceitos, pobreza e muito antes das cotas na universidade, foi fiel aos conceitos e com a estética Afro-sul-rio-grandense. Com formação erudita no IA-UFRGS sabia aquilo que devia pintar e o que devia evitar no espaço cultural historicamente dominado por tendências hegemônicas eurocêntricas.

05.5 -  FORTUNA na RESISTÊNCIA da  IDENTIDADE da ETNIA.AFRO
As fontes africanas são energias antiquíssimas e universais  das quais não se conhece os limites. .  A ERA PÓS-INDUSTRIAL é um tempo privilegiado para novas e antigas culturas humanas. A Arte afro-sul-rio-grandense constitui um caminho seguro para a EXPRESSÃO dos SENTIMENTOS universais HUMANOS desta nova ERA que se abre.
Mesmo no empate técnico constitui entre dominador e dominado  constitui vitória significativa para a estética afro Rio-grandense. Ela pode comemorar a fortuna d conseguir driblar os patrulhamentos étnicos, econômicos e culturais que forças externas e hegemônicas pretendem lhe impor como limites intransponíveis
Como a ajuda, destas forças materiais e transcendentes, certamente é possível verdadeiro milagre de, não só localizar os fragmentos das culturas africanas que se mantiveram e desenvolveram no Rio Grande do Sul, mas restabelecer a verdade, a justiça e a beleza de que esta cultura é mensageira e portadora de um mundo mais humano, igualitário e justo para todos.
Fig. 21 – As ondas dos descendentes das diversas etnias e culturas  africanas se espalharam por todo o planeta e continua a sua reprodução no código genético de toda a humanidade. Os seus descendentes continuam a desfilar pela calçada da Praça da Alfândega de Porto Alegre. A grande pegada -  na forma do continente africano - não ocupa espaço útil, não incomoda e silenciosa e subliminarmente continua a afirmar a sua identidade. Contraria, no entanto,  todos os tabus provenientes de um passado próximo e com perigosos e previsíveis desdobramentos futuros.


                                        
FONTES BIBLIOGRÁFICAS
CORRÊA, Norton  F. Os vivos, os mortos e os deuses: um estudo antropológico sobre o batuque no  Rio Grande do Sul. Porto Alegre :IFCH-UFRGS, 1988, 474 f –Dissertação -. Orientação de Brochado, José Joaquim.

----------Batuque no Rio Grande do Sul- antropologia de uma religião afro rio-grandense. São Luis-Maranhão : CA-Cultura & Arte, 2008, 295 p

LAYTANO Dante de (1908-2000). - Festa de Nossa Senhora dos Navegantes Estudo de uma tradição das populações  Afro-Brasileiras de Porto Alegre. Porto Alegre: UNESCO- Instituto Brasileiro Ciência e Cultura- Comissão Estadual de Folclore do Rio Grande do Sul - 6º Vol.  1955, 128 p. il

------------FOLCLORE do RIO GRANDE do SUL: levantamento dos costumes e tradições gaúchas (2ª ed) Porto Alegre: escola Superior de Teologia São Lourenço de Brides – 1987, 350 p ISBN 8570610718

ROSA, Renato et  alii .MAGLIANI A solidão do corpo Porto Alegre : Pinacoteca Aldo Locatelli-Prefeitura de Porto Alegre   2013 , s/p. il col.

Em relação as


BATUQUE

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Religiões afro-brasileiras - recomenda-se o texto disponível em

VIA SACRA do NEGRINHO do PASTOREIO de Aldo Locatelli no Palácio do Governo
WILSON TIBÉRIO







SÉRIE de  POSTAGENS ARTE no RIO GRANDE do SUL

[esta série desenvolve o tema “ARTE no RIO GRANDE do SUL” disponível em http://www.ciriosimon.pro.br/his/his.html  ]


123 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 01

GUARDIÕES das  SEMENTES das ARTES VISUAIS do RIO GRANDE do SUL




124 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 02

DIACRONIA e SINCRONIA das ARTES VISUAIS do RIO GRANDE do SUL nos seus ESTÁGIOS PRODUTIVOS.




PRIMEIRA PARTE

125 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 03

Artes visuais indígenas sul-rio-grandenses




126 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 04

O projeto civilizatório jesuítico e a Contrarreforma no Rio Grande do Sul




127 – ARTE no RIO GRANDE do SUL – 05

Artes visuais afro--sul-rio-grandenses




128 – ARTE no RIO GRANDE do SUL – 06

O projeto iluminista contrapõe-se ao projeto da Contrarreforma no Rio Grande do Sul.




129 – ARTE no RIO GRANDE do SUL – 07

A província sul-rio-grandense  diante do projeto imperial brasileiro




130 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 08

A arte no Rio Grande do Sul diante de projeto republicano




131 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 09

Dos primórdios do ILBA-RS e  a sua Escola de Artes até a Revolução de  1930




132 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 10

A ARTE no RIO GRANDE do SUL  entre 1930 e 1945




133 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 11

O  projeto da democratização da arte após 1945.




134  – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 12

A ARTE e a ARQUITETURA em AUTONOMIA no RIO GRANDE do SUL




135  – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 13

A ARTE no RIO GRANDE do SUL entre 1970 e 2000



SEGUNDA  PARTE

Iconografia e Iconologia das artes  visuais de diferentes projetos políticos do Rio Grande do Sul.

136– ARTE no RIO GRANDE do SUL - 13
As obras das artes visuais indígena do atual território do o Rio Grande do Sul.

137 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 14
Obras das artes visuais afro-sul-rio-grandense

138 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 15
Obras de arte dos Sete Povos das Missões Jesuíticas como metáfora da Contrarreforma

139 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 16
A “casa do cachorro-sentado” como índice açoriano no meio  cultural do Rio Grande do Sul .

140 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 17
Obras de Manuel Araújo Porto-alegre

141 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 18
Obras de Pedro Weingärtner

142 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 19
Obras de Libindo Ferrás

143 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 20
Obras de Francis Pelichek

144 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 21
Obras de Fernando Corona

145 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 22
Obras de Ado Malagoli

146 – ARTE no RIO GRANDE do SUL - 23
Obras de Iberê Camargo

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Referências para Círio SIMON








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