terça-feira, 25 de novembro de 2014

101 – ISTO é HISTÓRIA da ARTE

DIVERSAS ONDAS  ESTÉTICAS  ANTAGÔNICAS.
São Paulo - br – HOTEL UNIQUE  – piscina alta-
Fig. 01 – A Arquitetura gerou o seu próprio campo de forças. Construiu e emancipou a sua História da ARQUITETURA partir destas energias. Ela foi cercada por teorias e aportes econômicos. Aportes necessários para gerir, usar e reaproveitar os recursos físicos indispensáveis para vida prática humana cada vez mais complexa e exigindo acumulação e circulação de capitais e suas especulações. Apesar das diferenças entre ARTE e ARQUITETURA o pensamento criativo, o novo e surpreendente criam sucessivas ondas de renovação e estímulo recíproco..

Se a autêntica HISTÓRIA da ARTE possui uma vantagem é aquela da sua competência para surfar sobre uma sequência de ondas e fazer caminhos entre estéticas diferentes e antagônicas. Os “caminhos se fazem andando e apenas deixam rastros”  (Machado, 1995: 62). O sentido da HISTÓRIA da ARTE é tentar reconstruir estas rotas navegadas nas quais deixaram as espumas flutuantes das obras de arte.
Neste caminho a HISTÓRIA da ARTE se irmana com a DEMOCRACIA e com todas as disciplinas que possuem a coragem, a competência e sabem por que se jogam pelos caminhos inexplorados dos campos abertos e sem garantias prévias. A HISTÓRIA da ARTE se irmana com o ESPORTE como o SURF e tantos outros ou o JOGO como dos DADOS. Alvin TOFFLER apontava, na década de 1980, esta sequência e acúmulo de ondas e de energias que se sucedem ininterruptamente e se estimulam reciprocamente. O mundo empírico seguiu seu rumo e a sua lógica independente desta abstração teórica. Os instrumentos humanos pertencem ao seu TEMPO e LUGAR. Como tais estão sujeitos à entropia e a corrosão.
As narrativas autênticas e únicas da  HISTÓRIA da ARTE não se rendem ao ecletismo e aos mecanismo de fuga. Retiram as suas energias, motivações e resultados da atenção de que a ARTE está em QUEM a PRODUZ conforme Aristóteles (1973: 243 114a 10.). Esta narrativa tira as suas energias da percepção, da compreensão e do respeito a esta fonte e origem da OBRA de ARTE. 
Fig. 02– A era industrial introduziu alguns instrumentos teóricos que podem avalia a extensões daquilo que é contínuo no tempo, lugar e cultura. Os eixos cartesianos podem ser aplicados ao principio da continuidade que segundo Leonardo da Vinci pode ser dividido em infinitas partes. Trata-se da INTELIGÊNCIA e é um INSTRUMENTO EXTERNO ao mundo e a fenômeno estético.. INSTRUMENTO EXTERNO útil para as NARRATIVAS HISTÓRICAS  nas suas construções teóricas, avaliações e para o feedback das suas comunicações.   

A era industrial criou uma estética especifica para perceber e compreender o seu TEMPO e o se LUGAR. Nesta visão taylorista a História da Arte  depende dum DESIGN preliminar, tirânico e uma fôrma padrão escolhida preliminar e antecipadamente que se replica indefinidamente pela máquina. A História da Arte da era industrial não vai a campo estético sem o seu metro e o seu método que descarta a tudo e a todos que não cabem nesta forma unívoca e linear a ser reproduzido pela máquina.
Esta HISTÓRIA da ARTE da era industrial já nasce pronta e com um mercado assegurado nas escolas, no turismo e na indústria gráfica. Ela vai ao campo estético munido de batedores que usam métodos de patrulhamento, de intimidação e de seleção que pouco ou nada tem a ver com a natureza da arte.  
Fig. 03 – A acumulação e as sedimentações  - provocadas pelas sucessivas ondas das culturas humanas - podem ser medidas e avaliadas  tanto na extensão da  sua horizontalidade (SINCRONIA) como na acumulação sucessiva na verticalidade (DIACRONIA)  da passagem do tempo. Uma das vantagens da PÓS-MODERNIDADE é dispor virtualmente deste patrimônio da humanidade. Na era industrial era necessário o acúmulo físico nos museus, arquivos físicos e a sua reprodução e multiplicação mecânica.

A atenção, o respeito e a compreensão de que a competência da ARTE está em QUEM a PRODUZ coloca o historiador, o cronista e professor em campo aberto e cheio de perigos ocultos. Campo aberto carente de um trabalho constante, exigindo permanentes condições de ruptura epistêmica e estética. A ARTE, a HISTÓRIA e a DEMOCRACIA são entes primitivos de linguagem. A sua materialização ganha forma perceptível em breves e fugazes momentos de sua expressão. Expressões variáveis que eclodem com intensidades e ciclos de manifestações que se entrecruzam. Expressões que confundem o novato até quem se julga seguro nestas áreas devido a um longo tirocínio e exposição aos mesmos.
O ENTE no seu SER e competente e capaz para tomar enorme e imponderável poliformia em estruturas das ondas e na intensidade da sua dinâmica. O SER expressa e  projeta esta dinâmica, intensidade e multiplicidade de forma nas OBRAS de ARTE. A HISTÒRIA da ARTE consegue perceber, registrar e comunicar - a um público mais amplo - algumas destas estruturas com maior evidencia e legibilidade. A maior parte desta energia e forças permanecem na sombra e no desconhecido a espera que alguém a descubra, evidencie e socialize. Esta potencialidade  do SER que expressa o seu ENTE na ARTE é o seu grande trunfo e vantagem. A natureza da ARTE mostra um futuro de energias e forças criatividade na busca do novo e do surpreendente.
A prática da DEMOCRACIA cultiva o mesmo potencial de energias e forças de criatividade. As condições para a EXPRESSÂO da DEMOCRACIA foram descritas por  Mary Follet (apud CARVALHO, 1979, p.60) como:
só teremos democracia verdadeira quando os jovens não mais forem doutrinados, mas formados no caráter da democracia. Portanto o meu dever como cidadão não se esgotou naquilo que trago para o Estado. Meu teste como cidadão é quão plenamente o todo é expresso em mim ou através de mim.
No sentido inverso, por mais que uma mente - dominada  pelo centralismo e pela tirania - se esforce para parecer democrática, aberta e flexível, nela irão transparecer nas suas narrativas e serão dominadas subliminarmente pelo totalitarismo e pelo patrulhamento ideológico
Fig. 04 – O arqueólogo pratica - nas suas escavações -  a separação, a leitura e a descrição das sucessivas ondas de acumulação e as sedimentações.  As sucessivas ondas das culturas humanas na passagem do tempo - podem ser medidas e avaliadas  tanto na extensão da  sua horizontalidade (SICRONIA) como na acumulação sucessiva na verticalidade (DIACRONIA)  . Especialmente em culturas ágrafas é possível verificar a origem da arte ou sua ausência em camadas mais antigas e profundas..

A audácia e a ação temerária do artista inspiraram  diversos profissionais empreendedores que perceberam na ação, gesto e obras do artista.  Nietzsche resumiu  (2000: 134) e desafiou :
a arte não pode ter sua missão na cultura e formação, mas seu fim deve ser alguém mais elevado que sobre passe a humanidade. Com isso deve satisfazer-se o artista. É o único inútil, no sentido mais temerário
Sem esta busca - e o cultivo gratuito daquilo que a ultrapasse a natureza dada - a humanidade ainda se estaria escondendo em cavernas e com medo de enfrentar um mundo desfavorável e aberto. Esta coragem e temeridade são essenciais em um sem número de atividades, profissões ou mesmo no esporte.
A OBRA de ARTE possui por competência a campo da EXPRESSÃO. A HISTÓRIA da ARTE está sob o império do campo da COMUNICAÇÃO. Esta terá maio garantia de êxito quanto mais unívoco, linear e ponderável forem as formas das suas narrativas. A COMUNICAÇÃO paga o preço de estar situada no TEMPO. Como tal cada geração, cultura ou local necessita reescrevê-la. A ARTE como EXPRESSÃO HUMANA - ao contrário - - busca o mundo aberto, o universal e flerta continuamente com o caos e o imponderável.  Esta  OBRA de ARTE é universal na medida em atinge, com êxito, o mundo aberto, o universal e se equilibra sobre o caos e o imponderável. Esta OBRA de ARTE carregada - no seu mínimo das formas físicas, com estas energias - transmite o mundo de sua origem para todas as épocas e gerações humanas e espaços onde ela peregrinar. 
Reunião com Conde de SAINT SIMON
Fig. 05 – A RAZÃO ganhou evidência nos discursos e nos escritos que se pautaram pelos paradigmas cartesianos. As máquinas de impressão da era industrial multiplicavam estes textos e os divulgava por meios de comunicação cada vez mais intensos e em rotas confiáveis. A formação de público  era o feedback daqulo que se constituía ao redor dos pensadores que davam origem aos discursos e aos escritos. Novas ideologias proliferavam por todos os recantos e que buscavam na arte a sua materialização para os sentidos humanos.

 A OBRA de ARTE precede o campo a COMUNICAÇÃO na medida em que ela for aberta, constante e universal. Assim a HISTORIA da ARTE exige o trabalho de profissionais experimentados e qualificados. Estes profissionais sabem dos seus condicionamentos unívocos, lineares e ponderáveis do campo da COMUNICAÇÃO.  Qualificações que supõem um arsenal de metodologias, de recursos logísticos e de comunicação pública. Qualificações da COMUNICAÇÃO que supões constantes predisposições para realizar efetivamente frequentes e profundas rupturas epistêmicas e estéticas. Os lampejos da OBRA de ARTE são captados, sistematizados e socializados pela HISTÓRIA da ARTE e coloca este arsenal ao seu serviço da humanidade como algo diferente e profundamente civilizador. Assim a OBRA de ARTE ganha relevo, recebe institucionalização e circulação segura. A HISTÓRIA da ARTE usa o campo da COMUNICAÇÃO como ferramenta conceitual ou material que não aprisiona, corrompe ou ofusca a natureza da OBRA de ARTE.
A HISTÓRIA da ARTE não trata a OBRA de ARTE como temeridade pela temeridade, a anarquia pela anarquia ou agressão aos valores pelo simples prazer de destruir. A ARTE possui também componentes agressivos, forças ainda não legíveis e evidentes energias negativas e autodestrutivas tanto para o próprio artista como para o seu público. A HISTÓRIA da ARTE exerce o seu papel civilizatório, na medida em que é competente para distinguir, entender e socializar, destacando e comunicando aquilo que é socialmente aceito na OBRA de ARTE e capaz de enobrecer a criatura humana. 
Fig. 06 – A improvisação, a busca de surpreender e provocar o improvável encontra em todas as gerações humanas formas de se expressar.  Em época de solipsismo e o refúgio em veículos hermeticamente fechados não desalenta os improvisados saltimbancos de 2014 ao estilo daqueles captados por Picasso no início do século XX.

Cabe à HISTÓRIA da ARTE a tarefa de selecionar, neste vasto e incomensurável repertório dos gestos e obras que se querem  arte, aquelas que são construtivas, as socialmente aceitas e enobrecem a humanidade como um todo.
Cabe, porém o aviso de que a HISTÓRIA da ARTE materializa a sua própria expressão em narrativas, orais, escritas ou icônicas. Marc Bloch avisava (1976: 60/1) que nestas narrativas:
“..a investigação histórica admite, desde os primeiros passos, que o inquérito tenha já uma direção. De início está o espírito. Nunca, em ciência alguma, foi fecunda a observação passiva. Supondo, aliás, que seja possível.
 Evidente que a direção deste inquérito pode estar errada desde o início. Como no ESPORTE, POLÍTICA ou ARTE a HISTÓRIA da ARTE não pode pedir desculpas por esta precipitação, este erro e deslize. O máximo que lhe permitido é a reparação do erro do prejulgamento, do erro ou dos danos. Como no surf é necessário procurar e subir sobre outra onda para chegar mais alto e longe.
Pegada Africana _ Vinicius Vieira _ Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre _ Praça da Alfândega 2
Fig. 07 – As ondas migratórias humanas estão em pleno curso na época pós-industrial. No entanto o continente africano parece ter as primeiras pegadas da transição entre os hominídeos até chegar aos seus descendentes atuais.  As ondas de uma das calçadas da Praça da Alfândega de Porto Alegre mostram um dos lugares de ingresso  das sucessivas ondas de ingresso africano em território sul-rio-grandense.

 A renúncia de passar imediatamente ao mundo dos projetos sem se arvorar como juiz e sem exercer uma atenção redobrada a cada obra de arte, artista devidamente colocado na sua época (ZEITGEIST), no seu lugar geográfico (WELTGEIST) e na sua sociedade (VOLKSGEIST).
A HISTÓRIA da ARTE exerce um papel inequívoco de mediação entre o PÚBLICO e a OBRA de ARTE. Consciente do seu papel mediador primordial, as narrativas constituem, de fato, EDIÇÕES limitadas e limitantes. Porém, por mais breves o equivocadas que sem estas  EDIÇÕES,  o seu objetivo básico é levar o seu público a circular no roteiro de sua elaboração. As autênticas narrativas da HISTÓRIA da ARTE contém mecanismo de reversibilidade para a sua origem. O desafio de Diderot - ao seu público - para que os seus leitores procurem os museus e as exposições dos salões de arte para se defrontar com as OBRAS de ARTE e realizar as suas próprias avaliações. O texto de Diderot a partir dos SALÔES é exemplar e produz uma das essências de qualquer sistema que é a CIRCULAÇÃO. Como tal um SISTEMA de ARTE forma ONDAS de público e de meios de comunicação com entrada, elaboração e saída com avaliação.
A maioria desta centena de postagens, do presente blog, não seria possível sem esta flexibilidade conceitual estética.
PAINEL AFROBRASILEIRO _ Pelópidas Thebano e Vinicius Vieira 2
Fig. 08 – Em 2014, o  artista de Poro Alegre, Pelópidas THEBANO,  criou a sua obra comandada plasticamente por grandes ondas gráficas.  Ondas que comandam o ritmo das cores, figuras e formas estabelecendo provocações e orientações visuais qu rimam com os sons conduzindo o seu tempo, intensidade e duração Uma narrativa universal e que prescinde as palavras do presente texto para quem se defronta fisicamente com esta obra.

No centro e no núcleo de qualquer rigidez estética encontram-se as questões e problemas que se erguem e impedem o caminho do PODER ORIGINÁRIO. Em qualquer narrativa histórica a LUTA PELO PODER ganha visibilidade e a primazia. A LUTA PELO PODER está presente na escolha, nas palavras e no ato de  evidenciar a obra prima. A LUTA física ou simbólica pelo PODER é denunciado nos termos de “a mais cara”,  “gênio” e do “modelo”. Nações hegemônicas impõem - sem contrato ou negociação - a sua própria estética como “incontornável, única e verdadeira”. Luta pelo poder que se desenha inclusive nas mentes melhor intencionadas e benévolas como percebeu e escreveu o diplomata e escritor Guimarães Rosa (1963: 18)
Querer o bem com demais força e de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar. Esses homens ! Todos puxavam o mundo para si, para concertar consertando. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo
É inegável que a DEMOCRACIA é um condicionamento, algo construído, artificial e contrário à Natureza humana primária. A vantagem da DEMOCRACIA é que ela trabalha com os resultados de uma deliberação e uma decisão. Como tal este regime se coloca no âmbito dos CONTRATOS HUMANOS nos quais é possível saber, controlar e cobrar os esforços e gastas ANTES, DURANTE e APÒS toda a ação coletiva. Não é possível qualquer AVALIAÇÂO onde não existe um projeto unívoco e linear anterior e que comanda os contratos coletivos.
PICASSO Pablo 1881-1973 - Guenon e o seu filho - 1951 -  bronze  52.7 x 33 cm x 60. cm
Fig. 09 – O artista Pablo PICASSO submeteu a sua obra ao improvável, buscou fontes desprezadas por muitos e conseguiu realizar RUPTURAS ESTÈTICAS consigo mesmo e com a sua obra de períodos anteriores. Picasso esteve sincronizado permanente com a sua própria onda por meio desta coragem, lucidez e trabalho diário. Esta onda foi construída com um lúcido projeto a partir dos olhares atentos, sensíveis e eficazes de Daniel-Henry Kahnweiller, seu galerista e jornalista.

Na falta de um projeto unívoco e linear anterior o historiador - de uma cultura denominada de periférica- é surpreendido e engolfado por ondas estéticas provocadas por culturas alheias. Todo historiador possui três recursos, apontados por Nietzsche (2000: 27) para se livrar desta hegemonia e não perecer. A primeira é prestar atenção a esta nova onda. A segunda é não  misturar as suas energias com estas novas energias. Em terceiro é tratar de não construir um projeto determinado e condicionado por estas forças estranham à sua praia. O cavalo de troia é uma metáfora valida no passado como no presente da era numérica digital.
Katsushika HOKUSAI 1760 - 1849 -a onda
Fig. 10 – A experiência de uma única obra de arte pode ser um fractal ou uma porção mínima de uma longa e penosa onda de pesquisas estéticas autônomas e singulares da passagem do tempo. A obra de HOKUSAI traduz um dos experimentos estéticos cujo tema era a série de vistas do Monte Fugi.
Estas vista pertencem a uma longa tradição nipônica cujas raízes mergulham na milenar cultura chinesa.
.
Mário de Andrade distingue (1942:45) a PESQUISA ESTÉTICA  da ATUALIZAÇÃO da INTELIGÊNCIA.  Esta INTELIGÊNCIA ATUALIZADA não é a razão de ser e o móvel da PESQUISA ESTÉTICA e da PRÁTICA ARTÍSTICA
A INTELIGÊNCIA exercita a atenção, suspende  juízos extemporâneos e mede  o distanciamento necessário diante da cultura alheia. A INTELIGÊNCIA ATUALIZADA mede e avalia as sucessivas ondas de modas estéticas, que se querem hegemônicas, tentam colonizar novas praias e estabelecer pontos de desembarque de interesses alheios. Estas ondas podem e  devem ser contempladas por meio da ATUALIZAÇÃO da INTELIGÊNCIA. Porém estas ondas não substituem o AQUI e o AGORA da PESQUISA ESTÉTICA e da PRÁTICA ARTÍSTICA. Ao contrário corroem, enfraquecem e falsificam o presente o local de uma cultura que as energias hegemônicas querem colonizar e por isto as denominam de “periféricas”.
Fig. 11 – As sociedades e as culturas mais contemplativas preferem a visualidade do PADRÂO INFINITO. Descobrem o movimento  para o interior de si mesmo. Neste movimento - para o interior de si mesmo - descobrem e evidenciam, na sua arte, as proporções matemáticas, as metáforas da álgebra e da física quântica. As sociedades e as culturas mais contemplativas descobrem nesta visão interna a confirmação nas estruturas em fractais que no micro estruturas replicam a partir das macroestruturas do universo e da matéria. Nesta representação a criatura humana se distingue do antropomorfismo e da sua própria figuração. É um dos fundamentos e uma justificativa do “Espiritual na Arte” do advogado e artista russo Wassili Kandinsky. .
.
há necessidade de concordar com Sêneca que escreveu no texto “Da Tranquilidade do Ânimo”, (p. 08):
Penso que muitos poderiam ter atingido a sabedoria, se não se tivessem imaginado ter chegado até ela, se não se tivessem fingido certas coisas em si mesmos, se não passassem por outras com os olhos fechados
Estes olhos fechados, este fingimento e uma imaginação acesa evidenciam que a criatura humana  prefere se distrair da atenção ao seu próprio ENTE no seu modo de SER.
É mais fácil e intuitiva a atenção e o encantamento com o movimento e a ação. Ação e movimento que são uma tendência geral dos seres vivos. Em arte não é diferente. Assim a imagem em movimento da sétima arte e o TEMPO em MOVIMENTO na Música retiram desta tendência que se acentua na espécie humana. A transposição deste encantamento e atenção resultante recebem a sua metáfora nas DIFERENTES ONDAS ESTÉTICAS e sua ANTAGÔNICAS que resultam da atenção quieta e contemplativa do próprio ENTE no seu modo de SER.
Otto-DIX -Triptychon-A GUERRA-Triptico
Fig. 12 – As ondas das guerras parece seguirem e  estabeleceram um ciclo que vai da aprendizagem dos horrores de uma guerra par o seu esquecimento e apagamento da memória para renascer numa geração humana que não teve desta experiência direta. A memória real da guerra é umas das primeiras coisas que a humanidade busca apagar. Esta Guerra real é substituída pela sua MITIFICAÇÂO HERÓICA. Se isto não é possível, ela é remetida diretamente para a naturalização das coisas ruins e adversas que lhe aconteceram no passado.

Numa conclusão provisória e parcial é possível afirmar que as RUPTURAS EPISTÊMICAS, ESTÉTICAS e SOCIAIS indicam as possibilidades, as competências e a amplidão (ou estreiteza) da cultura de uma pessoa ou de uma sociedade. Este processo inicia com as RUPTURAS EPISTÊMICAS, ESTÉTICAS e SOCIAIS, realizadas pela pessoa consigo mesmo. Esta energia renovadora se propaga em ondas que solapam constantemente os mais sólidos castelos da hegemonia alienante da essência da ARTE. Cabe também a distinção de que o processo destas RUPTURAS EPISTÊMICAS, ESTÉTICAS e SOCIAIS apenas distrai a criatura humana da sua essência do seu SER no TEMPO na concepção de Heidegger. E nesta essência que a ARTE revela que ela está em QUEM a produz e não que produz.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Mário. O movimento modernista. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do  Brasil, 1942, 81 p.

ARISTÓTELES (384-322). Ética a Nicômano. São Paulo: Abril Cultural1973. 329p.

BLOCH, Marc. Introdução à História.(3ª. Ed). Lisboa: Europa- América  1976  179 p.

CARVALHO, Maria Lúcia R.D.  Escola e Democracia. Subsídios para Um Modelo de Administração segundo as Ideias de Mary.P. Follet.  São Paulo: E.P.U. Campinas, 1979. 102p.
GUIMARÃES ROSA, João. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro : José Olympio, 1963, .  571 p.

HEIDEGGER, Martin (1889-1979) .Ser e tempo.  Tradução de Fausto Castilho. Campinas, SP: Editora da Unicamp – Petrópolis, RJ: Vozes. 2012. Texto bilíngue, 1199 p. ISBN 978-85-268-0963-5 (Unicamp) e ISBN 978-85-326-4340-7 (Vozes)

KANDINSKY Wassily Ponto e linha sobre o plano: contribuição à analise dos elementos da pintura: São Paulo: Martins Fontes, 2001, 206 p

MACHADO, Antonio (1875-1939). «De Campos de Castilla» in .Antología poética. Madrid: Alianza. 1995.  pp.31 – 70.

NIETZSCHE, Frederico Guillermo (1844-1900).  Sobre el porvenir de nuestras escuelas. Barcelona: Tusquets, 2000. 179

TOFFLER, Alvin. The third wave.  New York.  William Marrow & Compagny, 1980.
Tambor _ Vinicius Vieira de Souza
Fig. 13 – Um dos objetivos civilizatórios de toda cultura humana é reunir, congregar e criar energias coletivas. Um totem possui esta capacidade. Uma obra de arte pública autêntica possui também o  papel de substituir e denunciar o  pelourinho  do Brasil Colônia que lembrava e coagia pela força bruta da dominação implacável .  Os monumentos públicos são erguidos por governos dissociados do PODER ORIGINÀRIO e logo desrespeitados e vandalizados a semelhança do tratamento que os pelourinhos lusitanos que  derrubados e escondidos logo após a Independência do Brasil em 1822.

FONTES NUMÈRICAS DIGITAIS
ARTE  & OBSOLESCÊNCIA INDUSTRIAL PROGRAMADA

Conde de SAINT SIMON e socialismo utópico

DIX Otto (1891-1969) A GUERRA - tríptico

ESTÈTICA AFRO em PORTO ALEGRE

KAHNWEILER Daniel-Henry (1884-1979)
-

MACHADO, Antonio (1875-1939) Antología poética.  Madrid : Alianza, 1995,  p.66
POLIFORMIA

SÂO PAULO: Arquitetura: HOTEL UNIQUE

SAMBAQUI: – 1 leitura diacrônica: camadas de baixo par cima-
                        2 leitura sincrônica: na mesma camada
SUASSURE

SÊNECA : Da Tranquilidade do Ânimo
Este material possui uso restrito ao apoio do processo continuado de ensino-aprendizagem
Não há pretensão de lucro ou de apoio financeiro nem ao autor e nem aos seus eventuais usuários
Este material é editado e divulgado em língua nacional brasileira e respeita a formação histórica deste idioma.

Referências para Círio SIMON








Nenhum comentário:

Postar um comentário