sábado, 11 de março de 2017

198 – ESTUDOS de ARTE


COLÉGIO SÃO JOÃO - POA-RS - na década de 1960.
...entre o trabalho e a obra.


Um ambiente escolar educa, ou deseduca, por si mesmo. Além de lugar de ENSINO-APRENDIZAGEM é ambiente destinado, e preparado, com o objetivo de iniciar, de continuar e de fortalecer a FORMAÇÃO HUMANA nos princípios cidadãos e civilizatórios. Isto não se consegue por mera ESTETIZAÇÃO, de vulgar MARKETING e de um VOLUNTARISMO cego, surdo e mudo.

 A OBRA de ARTE educa por si mesma, apesar de silenciosa, pois ela é humanizadora e expressa materialmente. No mínimo de sua forma o imenso repertório necessário para um autêntico AMBIENTE escolar continuado.

De outra parte as OBRAS de ARTE NÃO FALAM por si MESMAS. Elas impõem a necessidade de a PALAVRA orientar o OLHAR em sua direção e seu sentido. O presente texto se destina a GUIAR o OLHAR e a ATENÇÃO  em direção do AMBIENTE FORMATIVO do COLÉGIO SÃO JOÃO de PORTO ALEGRE com os índices de OBRAS de ARTE que permaneceram da década de 1960.

A década de 1960 se caracterizou por mudanças da ERA INDUSTRIAL em direção da ERA PÓS-INDUSTRIAL. As fábricas desaparecem do QUARTO DISTRITO, no final da década de 1960 e após o seu apogeu na ERA INDUSTRIAL, ou, então, migram para a periferia da região metropolitana de PORTO ALEGRE.
Fig. 01 –  Localização do COLÉGIO SÃO JOÃO de Porto Alegre.   O Bairro São João pertence ao tradicional QUARTO DISTRITO. A Rua Dona Sebastiana e a sua continuação com o nome de Rua  Honório Silveira Dias marcam no seu entroncamento com as perpendiculares Av. Benjamin Constant e Av. Assis Brasil que neste ponto constituem uma espécie de  centro urbano e geográfico. Ambas começam a sua numeração neste entroncamento. Atualmente o bairro é residencial, de serviços e de intenso trânsito com conexões cidades da Região Metropolitana.  
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O COLÉGIO SÃO JOÃO situa-se no QUARTO DISTRITO de PORTO ALEGRE.  A acelerada urbanização do QUARTO DISTRITO acompanhou a sua transição entre o mundo rural e o urbano. O próprio QUARTO DISTRITO era área rural da capital e conhecida pela sua produção leiteira e hortigranjeira. A atual Rua Dona Sebastiana - nome de rua cujo traçado  continua na Rua Honório Silveira Dias - homenageia uma das proprietárias de terras cujo produto era destinado ao abastecimento de Porto Alegre.  A atual Rua Honório Silveira Dias conhecida como Rua HORTÍCOLA. Rua Honório Silveira Dias e Rua Dona Sebastiana marcam um espécie de centro, pois nelas que iniciam as numerações tanto da Av. Benjamin Consta como da Av. Assis Brasil.

A Floricultura Frida Schoenewald foi uma das últimas propriedades particulares destinadas ao cultivo de plantas. A atual sede da Casa Provincial e da Casa da Estrela da ordem Lassalista está localizada no terreno adquirido desta floricultura.

  De outra parte o próprio QUARTO DISTRITO se caracteriza mais com um grande estacionamento aeroviário, férreo e rodoviário. Membros natos da mantenedora do COLÉGIO SÃO JOÃO são de origem e com formação rural.

A década de 1960 marcou o final da educação separada por gênero, no COLÉGIO SÃO JOÃO, e que se preparou o ensino misto. No conjunto brasileiro ocorreu - ao logo desta década - o aumentou da pressão em direção ao ensino superior. No início de 1960 apenas 0.0019%, da população brasileira estava matriculada num CURSO SUPERIOR. No final de 1960 situa-se a origem de mantenedoras de cursos superiores. Muitos deles surgiram em antigos colégios. O COLÉGIO SÃO JOÃO manteve as suas tradicionais qualificações e graus de ensino apesar das mudanças nominais que ocorrem nas denominações e currículos nacionais.

O trabalho intuitivo e tradicional cedeu lugar para  a erudição e a qualificação tecnológica. Na ERA IDUSTRIAL  as instituições escolares formais acolhiam e buscavam formar além de profissionalizar para a tecnologia por meio do conhecimento e saber erudito. Na  ÉPOCA  PÓS-INDUSTRIAL as profissões tradicionais desapareceram e novo ambiente educativo exige criatividade, formação continuada fazendo com que escolas criadas na ERA IONDUSTRIAL se transformam num ponto de passagem. Na ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL é cada vez mais tênue e precária a distinção  entre o TRABALHO e OBRA, entre A FORMAÇÃO e A INFORMAÇÃO e entre o APRENDIZ e o MESTRE. Por esta razão a FORMAÇÃO da ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL supõe mais exercícios a criatividade, de arte e de cultivo do pensamento de alto nível e de alcance no imenso acumulado deste TEMPO.

Um prédio digno para a década de 1960.
Fig. 02 –  A fachada do prédio do COLÉGIO SÂO JOÂO com a formação da BANDA MARCILAL .. A tipologia deste prédio  foi concebida e materializada com a mão de obra qualificada nas técnicas construtivas em prédios industriais, comerciais e residenciais na arquitetura dominante no QUARTO DISTRITO na década de 1960.  A parte visível da Rua Honório Silveira Dias sempre foi da recepção, administração e serviços especializados. Este pavilhão é perpendicular ao prédio das salas de aula,  edificado sobre pilotis cujo térreo e livre  e serve de pátio coberto.
  

O prédio do COLÉGIO SÃO JOÃO é o resultado de decisivas campanhas da ASSOCIAÇÂO de PAIS e MESTRES. Foi concebido por um arquiteto recém-formado. O mestre de obras havia atuado com uma boa equipe vinda de construções de fábricas e prédio comerciais de QUARTO DISTRITO. Os dois cantuários eram originários da Espanha da costa do mar Cantábrico. Há necessidade de recuperar os nomes de todos estes profissionais que entregaram uma obra que resiste ao tempo e ao mesmo tempo é objeto de diversas mudanças que acompanham a evolução da educação.

Enquanto isto o  DIAMANTINO - um ex-pracinha da Força Expedicionária Brasileira (FEB) - desmontava, a dinamite, a rocha de granito cinza dando lugar ao atual Ginásio coberto do Colégio São João.



Recuo com jardim e um muro baixo.
Fig. 03 –  O acesso ao prédio do COLÉGIO SÃO JOÃO é realizado num espaço em forma de ferradura delimitado por muro baixo e convergente para a porta principal. Tanto o acesso como a porta principal é protegida por uma marquise ondulada em concreto.  A porta principal foi elaborada em ferro e cromo dourado. O desenho do cromo é em forma pirâmides entremeado de estrelas. Este projeto concebido de Círio Simon é resultado de uma aplicação de um exercício da Aula de Modelagem de Fernando Corona no IBA-RS.

 No recuo determinado pelo Decreto Municipal de nº 3013 de 04.02.1944[1] foi implantado um acesso, uma entrada pavimentada em ferradura, coberto por uma marquise em forma de corte de uma concha, um jardim delimitado por muro baixo e mural em mosaico. Não fazem parte do prédio propriamente dito e serviram para abrigo, orientação e identificação do local.

A marquise em concha.
Fig. 04 –  A marquise do prédio do COLÉGIO SÂO JOÃO foi concebida por Círio Simon na forma  do corte uma concha estilizada, que constitui um dos atributos de São João Batista e orago da Paróquia. Esta concha é um dos elementos  do escudo da instituição que se encontra  no vitral colocada  num óculo ao fundo e sobre esta marquise.   Para garantir a segurança e estabilidade desta marquise ela é ampara por duas colunas finas de ferra e inclinadas para fora com o objetivo de amparar o peso maior desta estrutura. Além disto,  ela é firmemente presa ao prédio por meio de tirantes de aço estriado e não visíveis ao transeunte,

A marquise é um elemento identificador do prédio do COLÉGIO SÃO JOÃO além da função de abrigo tanto dos usuários como para proteger a porta das intempéries. Não se conhece, em Porto Alegre, outra com idêntico desenho e função. Quanto à estabilidade não se conhece nenhuma ameaça de colapso desta marquise. Isto se deve ao cuidado de sua concepção e as garantias técnicas e materiais de sua elaboração. Também não se conhece nenhuma notificação de autoridade competente que descreva qualquer perigo nesta marquise.  


Luminárias serralheria artística e serralheria das janelas

O trabalho de serralheria do prédio do COLÉGIO SÃO JOÃO é um capitulo a parte e merece a devida atenção. Evidente que é artesanato e como tal um trabalho utilitário com fim específico. No entanto chega às raias de uma obra de arte quando transcende ao mundo do trabalho e se transforma em obra única que contém e transmite um pensamento próprio. Especialmente o par de luminárias que foram projetadas e desenhadas em função de um profissional que realizara a sua formação na Escola Técnica Parobé ao tempo em que os conhecimentos e habilidades ainda estavam vinculadas à Escola de Engenharia da URGS. 
Fig. 05 –   O trabalho em serralheria do prédio do COLÉGIO SÂO JOÃO foi realizado por um profissional qualificado nesta área pelo antigo Instituto Técnico Parobé da Escola de Engenharia de Porto Alegre..  O par de lustres se destaca neste trabalho de arte. Desenhados por Círio Simon a sua execução foi rigorosa e tecnicamente perfeito deste serralheiro qualificado,  São peças únicas e originais tanto na forma como na sua colocação funcional..

Mural de Nª Sr.ª de LOURDES
Fig. 06 –  O mural externo ocupa o final da parede do jardim de recuo entre a rua e o prédio do COLÉGIO SÂO JOÃO. O se tema se inspira nas tradicionais grutinhas de Nossa Senhora de Lourdes e que figuravam, na época, em numerosas casas e prédios do Quarto Distrito. O seu material é vidro colocado sobre cimento branco com pó de mármore..  O vidro colorido eram sobras de fábricas de vitrais de porto Alegre e que era destinado à fundição. Assim está vinculado ao final e apogeu da ERA INDUSTRIAL. As fábricas de vitral de Poro Alegre foram estudadas por Mariana Wertheim[1]

A parede cega que divide o terreno da escola com a residência vizinha recebeu um mosaico de vidro de vitral  sobre massa aglutinada de cimento branco com pó de mármore. Este mural completa mais de meio século. em 2017, de exposição continuada tanto ao sol, calor, frio e chuvas e sem abrigo.  Existem pequenas amostras de eventuais falhas e que são fáceis de corrigir. A sua limpeza pode ser realizada com aplicação de ácido muriático dissolvido em água.

HALL

Mural com vidro de vitral.

O mural na técnica de mosaico em vidro - colocado na parede frontal à porta principal da entrada Colégio São João - se inspira na obra lassalista – ESCOLAS CRISTÃS - mantenedora da instituição escolar espalhada pelo mundo.

Esta obra foi concebida numa composição em balança na qual o fiel é a figura do fundador da ordem na pessoa de São João Batista de La Salle. O branco da luz - que esta figura aponta - constitui uma pirâmide que envolve o globo terrestre e ilumina as obras humanas. As duas gigantescas asas protegem estudantes e professores que se encontram representados no primeiro plano e aos pés da composição e da figura central de pé.

O projeto ainda teve tempo para ser orientado por Ado Locatelli, antes deste falecer, repentinamente, no início de setembro de 1962


[1] WERTHEIMER, Mariana [Coordenação] - ESTUDO do PATRIMÔNIO de VITRAIS produzidos em Porto Alegre no período de 1920-1980. Porto Alegre: DVD- Patrocínio PETROBRAS [2009] -Indexação na Biblioteca da USP – julho 2009

Mariana Wertheim no Face Book  https://www.facebook.com/mariana.wertheimer

Foto do dia 02.01.2013          
Fig. 07 –  O artista plástico, arquiteto e professor  Selso dal BELLO[1] diante do mural do qual foi coautor com Círio Simon. Ambos foram estudantes das aulas de Aldo Locatelli. Este artista orientou a concepção e o projeto gráfico  deste mural. A técnica do suporte em massa formado por cimento branco e pó de mármore branco foi uma orientação do artista Danúbio Gonçalves na qualidade de diretor do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre e autor de diversos mosaicos do Rio Grande do Sul.

Mural de Pedras

Este tema -  da sala de entrada Colégio São João - se inspira na lenda do Negrinho do Pastorei e a sua “MADRINHA CELESTIAL”. Lenda registrada por Simões Lopes Neto e magistralmente levada para as tintas e pinceis por Aldo Locatelli na sua Via- Sacra do Negrinho do Pastoreio pintada no Palácio Piratini[2]. De outra parte foi tema constante de aristas plásticos sul-rio-grandeasses  como o escultor Vasco Prado a quem se deve a motivação da obra.  O tema, além de suas motivações educacionais destinadas à infância desamparada, possui muitos elementos característicos da cultura intuitiva da população desfavorecida do Rio Grande do Sul.  


[1]  Selso DAL BELO é VERBETE em ROSA, Renato et   PRESSER, Décio .Dicionário das Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. (2ª ed r) Porto Alegre : UFRGS, 2000, 527 p. ISBN 85-7025-522-5

FACEBOOK  SELSO DAL BELLO
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10202638417797295&set=ecnf.1703211104&type=3&theater

[2] VIA SACRA do NEGRINHO do PASTOREIO de Aldo Locatelli no Palácio do Governo

Fig. 08–  O mural de pedras do COLÉGIO SÂO JOÃO deve-se à técnica de dois cantuários espanhóis provenientes da antiga tradição cultivada nas margens do Mar Cantábrico.  .  As pedras de calcário branco, de granito rosa e o basalto negro do Rio Grande do Sul obedecem ao desenho, em cartão, de 1:1 fornecido por Círio Simon. A dificuldade, que uma obra destas apresenta, é que cada linha possui duas margens e que necessita ser obedecido duplamente. Tanto a pedra formadora como aquela do fundo devem repetir com a maior exatidão possível. Selso dal BELLO acompanhou a execução desta obra e aqui num visita ao mural no dia 02 de janeiro de 2013,

Mesa com mosaico

O centro da sala quadrada do hall de entrada Colégio São João recebeu ima mesa com estrutura de ferro e recoberta com um mosaico de vidro e cerâmica. O tema consiste no escudo da instituição. O suporte é uma placa de amianto plano. Os vidros de vitral eram das mesmas fábricas que forneceram as sobras dos recortes. A cerâmica dourada foi fornecida por ceramista e vitralista Hans Veit, proprietário da Escola Uaboi e executor dos escudos nacionais, em cerâmica, que identificam vários prédios da atual UFRGS.



Mesa de reuniões

A sala de reunião do prédio Colégio São João recebeu uma mesa em forma ferradura. Esta mesa destina-se para reuniões de até 10 pessoas ou então se constitui em mesa presidencial quando da realização de reuniões ampliadas.

O desenho em ferradura replica a forma de ferradura da entrada do prédio (fig.03)

Cavaletes de exposição da 1ª Galeria Didática de PORTO ALEGRE.

Os cavaletes para a exposição de obras foram elaboradas especificamente para a 1ª GALERIA DIDÁTICA de PORTO ALEGRE com sede no COLÉGIO SÃO JOÃO.

Formada por um retângulo de chapa de madeira compensada, cercado de um reforço de uma moldura em madeira, Estes quadros eram pintados de azul escuro. O seu suporte móvel e destacável com dois apoios perpendiculares e giratórios para serem guardados se, ocupar muito espaço.

Posteriormente foram usados como quadro de avisos e eventualmente como quadros negros.
Fig. 09 –  Os cavaletes d exposição da 1ª GALERIA DIDÁTICA do COLÉGIO SÂO JOÃO foram desenhados por Círio Simon e executados em marcenaria especializada.   .  Na parte superior um par de lâmpadas elétricas,  com anteparos,  iluminava as duas faces destes quadros de exposição  



Fig. 10 –  As exposições e os eventos da  1ª GALERIA DIDÁTICA eram preferencialmente para o público interno do COLÉGIO SÂO JOÃO. .  No entanto servia também para congregar os pais, amigos, autoridades interessadas em arte.

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Fig. 11 –  Na imagem acima uma inauguração  de uma das exposições e os eventos da  1ª GALERIA DIDÁTICA  foi presidida pelo Diretor,  Irmão Arnaldo Isidoro (fatiota escura), tendo ao seu lado direito Clóvis Peretti o expositor e ao fundo Engenheiro Edmundo Gardolinsky. No lado esquerdo do diretor esta Yunes Jorge o presidente da Associação de Pais e Mestres o Vereador Aloisio Filho, Paulo Peres, Roberto Cidade e Círio Simon. 
12 –  A primeira exposição  da  1ª GALERIA DIDÁTICA do COLÉGIO SÂO JOÃO foi realizada por Clovis PERETTI[1]  no dia 14 de novembro de 1967.

Este artista, residente, na época no QUARTO DISTRITO, realizou uma intervenção radical ao introduzir a arte cinética na vizinha Igreja de São João. Com um objeto de acrílico com 11 metros da altura e com um núcleo giratório e reagindo com  o som por meio de luzes de diversas cores.
Fig. 13 –   A última exposição  da  1ª GALERIA DIDÁTICA do COLÉGIO SÃO JOÃO ocorreu em abril de 1970  .  Este evento foi registrado numa crônica do jornalista, professor, vereador e ex vice governador Antônio HOHFELD. A acelerada e já decadente ERA INDUSTRIAL fez com que toda formação institucional se concentrasse em projetos pedagógicos profissionalizantes e utilitários imediatos. Neste projeto não existe espaço e meios para a criatividade individual e o diferente 

ATELIER LIVRE – ESCOLA de ARTES

A pesquisa estética livre é uma possibilidade que necessita a ser iniciada desde cedo, pois a ARTE é LONGA e a VIDA é BREVE. As atividades eram realizadas por estudantes da escola e outros interessados no turno inverso das aulas. O que de fato interessava era um espaço e a camaradagem entre aqueles que de tato gostavam trabalhar, do feedback imediato recebido dos colegas e eventual pessoa mais experimentada no caminho da arte. Muitos estes estudantes aproveitavam a  1ª GALERIA DIDÁTICA do COLÉGIO para socializar os seus primeiros passos num publico mais heterogêneo.
Fig. 14 –   Um grupo de estudantes do Atelier Livre   do COLÉGIO SÂO JOÃO  atualizando a sua inteligência, socializando experimentos e buscando pertencimento ao grupo de colegas da mesma idade.   .  Fixados na parede dois desenhos de Elton MANGANELLI que seguiu a carreira artística a partir desta experiência, passando para a Escolinha do IBA-RS e depois realizando a sua graduação superior em Artes Visuais no IA-UFRGS. Elton MANGANELLI trazia a visita do senador Guido Mondin, cronista do Quarto Distrito e pintor de grande sensibilidade cultivada desde os seus sete anos de idade
Fig. 15 –  Outra imagem de um grupo de estudantes do Atelier Livre   e um texto impresso no Relatório do COLÉGIO SÂO JOÃO de 1969. Este Atelier Livre foi concebido como    uma semente de uma sala especializada em Artes Visuais   Ao mesmo tempo se abria parao Quarto Distrito que até o ano de 2017 não possui uma sala publica e aberta para este tipo de atualização e experimentação estética livre e adequada para todas as idades e avanços culturais
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O DESIGN de RECURSOS e MATERIAS ESCOLARES

A vasta gama de objetos escolares necessita de uma identidade e uma unidade coerente de formas, cores e letras.

Destacam-se aqui o uniforme da banda marcial, a fivela do cinto deste uniforme e o uniforme do diário escolar.  
Uniforme da banda
Fig. 16 –   O uniforme dos integrantes da BANDA MARCIAL do COLÉGIO SÂO JOÃO foi desenhado por  Círio Simon no interior  do visual de equipamentos destinados à aparência visual desta manifestação rítmica e sonora  e específica desta banda. Além do uniforme, talabartes, escudo, quepe e fivela do cinto, as flâmulas e os bombos também receberam o escudo estilizado e os dizeres relativos a esta manifestação estética.  
Fivela do cinto
Fig. 17 –  A fivela do uniforme dos integrantes da BANDA MARCIAL COLÉGIO SÂO JOÃO desenhado por  Círio Simon e executado pela metalúrgica Eberle de Caxias do Sul
Fig. 18 –   O uniforme do diário dos estudantes COLÉGIO SÂO JOÃO desenhado por  Círio Simon servia tanto para identificação para os colegiais ao mesmo tempo que a sua ostentação individual significava algo diferente dos demais vestuários além dos prestigio da instituição

Escudo
Fig. 19 –  A identidade visual que acompanhava papeis, uniformes e locais do  COLÉGIO SÃO JOÃO na década de 1960.  .  A mantenedora da rede mundial deste estabelecimento lassalista uniformizou e estandardizou, no plano mundial, as suas franquias regionais e na lógica da época PÓS-INDUSTRIAL
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O escudo do Colégio São João é encimado pela cruz. Esta cruz é índice da NATUREZA das ESCOLAS CRISTÃS. O lema “IN HOC SIGNO VINCES[1] induz ao lema “SIGNUM FIDEI” representado pela estrela pitagórica. Esta estrela pitagórica [2] branca é representada no interior da concha azul. Concha que remete ao ofício de SÃO JOÃO BATISTA de  fazer nascer e renascer a FÉ no transcendente representada pela estrela. Esta concha e a estrela estão sobre um campo amarelo que na heráldica é o metal ouro.

Num campo vermelho (esmalte em heráldica) está representado quem SÃO JOÃO BATISTA veio anunciar, ou seja, o “CORDEIRO de DEUS”.  O vermelho é o SIGNO do sacrifício deste CORDEIRO.

 Num campo azul (também esmalte, em heráldica) está a heráldica da CASA NOBRE dos LA SALLE. Estilização de um guerreiro caído de cabeça para baixo, num campo  de honra de uma batalha e com as pernas quebradas. O branco, desta figura, é a prata na heráldica sobre o esmalte. O que importa, num campo heráldico, é separar metais e esmaltes. Nunca um esmalte pode ficar ao lado de outro esmalte ou um metal (ouro ou prata) ao lado de outro metal.

Outro campo em amarelo (ouro) contém as três primeiras letras do alfabeto, um globo e um sinal de raiz quadrada matemática. Representam os três graus que o COLÉGIO SÃO JOÃO mantinha, na década de 1960, no seu processo de ensino-aprendizagem. Na época este processo de ensino-aprendizagem era dividido em “PRIMÁRIO” (três primeiras letras do alfabeto), “GINÁSIO” (um globo terrestre) e “CIENTÍFICO” (raiz quadrada).



CAPELA

Numa instituição religiosa a capela é o local no qual, não só se desenvolvem ofícios sacros, mas também é um espaço separado e identificado para a formação religiosa. Assim no COLÉGIO SÃO JOÃO este ambiente foi identificado com objetos, obras de arte e equipamentos apropriados para esta formação.

Mural.

Entre as obras de arte figura um grande mural em mosaico removível e que ocupa toda a parede do fundo. Dividido em segmentos que no seu conjunto formam as coordenadas do globo terrestre que figura no Escudo do Colégio. O centro é ocupado pela representação do CRISTO em GLÓRIA (PANTOCRATOR[3] a partir da arte bizantina) sustentando o cálice e o pão.

Assim remete também à imagem protocristã da Última Ceia na qual se representa os seus doze discípulos. Discípulos espalhados em TODO GLOBO TERRESTRE (CATÓLICO)

Bancos.

Os bancos foram desenhados por Círio Simon e rigorosamente executados nas oficinas da marcenaria lassalista do atual Centro La Salle de Canoas. Moveis e leves podem ser agrupados em diversas formações destinadas para as diversas as aulas, exercícios e práticas que se desenrolam num ambiente desta natureza
Fig. 20 –  O mosaico ocupa  na parede do  fundo da capela do COLÉGIO SÂO JOÃO. O tema é centralizado na figura do CRISTO PANTOCRATOR cercado pela elipse geométrica. O altar circular, colocado frente ao mural  remete ao sentido da Última Ceia. As figuras   dos apóstolos convergem  para o Cristo que ostenta o Cálice e   o Pão. Na busca icônica projeta-se este tema sobre as coordenadas do globo terrestres. Ao mesmo tempo estas linhas das coordenadas são as emendas visíveis das placas de fibrocimento recortadas e parafusadas na parede com este propósito.  

Via Sacra

 A série de imagens da Via Sacra foram criadas com  suporte placas de amianto plano retangulares verticais alongadas. Sobre esta placa foi aplicada a massa de cimento branco e o pó de mármore sobre o qual foram fixados os cacos  de vidro colorido. São os vidros de vitral das mesmas fábricas que forneceram as sobras dos recortes.

As suas molduras são placas brancas e lisas de fórmica.  A sua verticalidade destinava-se a receber a proporção da figura humana isolada. Na década e 1960 uma serie de artistas de Porto Alegre produziram  Via Sacra Foi o caso de Ado Malagoli, de Guido Mondin. De Danúbio Gonçalves e de Emílio Sessa, entre outros. O que chamou particular atenção do publico e do autor desta série do Colégio São João, foi a séria de obras da Via Sacra pintadas por Aldo Locatelli exposta no Mata Borrão e destinados a Igreja de São Peregrino de Caxias do Sul

Esta via Sacra foi exposta na SEMANA SANTA de 1964 no Instituto Brasileiro Norte-Americano entre os dias 18 a 31 de março este ano e dia do Golpe de militar de 1964.
Fig. 21 –  Uma da imagens da via- sacra da capela  do COLÉGIO SÃO JOÃO.  .  A intencional verticalidade se inspira nanas proporções do corpo humano. A cor e as formas segmentadas e pontiagudas, dos cacos de vidro, reforçam o espaço simbólico deste sacrifício a  que é submetido este corpo humano..  
Fig. 22 –  Selso dal BELLO foi o autor de  uma Via-Sacra destinado à capela do Colégio La Salle Santo Antônio de Porto Alegre Esta obra e os seus estudos foram expostos na Faculdade de Arquitetura da UFRGS . Nesta imagem é do dia 02 de janeiro de 2013 na visita de Selso  ao COLÉGIO SÂO JOÃO Cada cena possui uma cruz de madeira que o símbolo maio da Via Crucis
Fig. 23 –   O sacrário da CAPELA do COLÉGIO SÂO JOÃO é uma esfera de bronze dourado. A materialização desta esfera perfeita  é o centro e núcleo das linhas das coordenadas geográficas do globo terrestre que figura no mural que ocupa toda a parede do se fundo De outra parte esta esfera retoma o tema  que consta no escudo do Colégio.

Altar

O altar circular é a projeção plana da esfera do sacrário da capela. Colocado sobre um estrado também circular permitiu a passagem do celebrante colocado de costas para os fieis para o seu deslocamento para o lado oposto e voltado para o público.

Sacrário esfera de bronze polido

A esfera de bronze polido foi produzida numa indústria de fundição de metais do Quarto Distrito. Integrado no altar e no mural  

Esta esfera constava com central da reforma e atualização da Igreja da paróquia São João Batista
Fig. 24 –   A igreja da Paróquia  SÃO JOÃO BATISTA do QUARTO DISTRITO teve uma reforma para adequar  este lugar aos ofícios religiosos apontados pelo Concílio Vaticano II. Esta reforma inspirava-se nas últimas tendências da ARTE CINÉTICA e nas numerosas reformas e construções  de igrejas europeias privilegiava a a presença dos fieis. Enquanto isto a figuração era substituída por objetos evocadores da transcendência. A esfera de bronze dourado parte da sugestão daquela da capela do  vizinho do Colégio São João.   No caso  da igreja paroquial São João esta esfera também é o sacrário suspenso e rima com o circulo giratório superior cercado de barra de acrílico translúcido e que irradiam as três cores fundamentais da luz. 
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Na conclusão desta postagem

O grande problema do processo ensino- aprendizagem é a busca desmedida dos meios para classificar conforme um padrão e um tipo ideal adequado para a lógica das máquinas. Neste condicionamento  os seus agentes o submetem  condicionantes da ERA INDUSTRIAL e seus educandos seguem obedientes aos rituais da LUNHA de MONTAGEM. Esta lógica, das máquinas, busca todos os pretextos para cravar um alfinete classificatório em todas as pessoas, processos e obras que caem, por acaso,  sob o seu campo de forças. Ato contínuo busca um espaço para exibi pessoas, processos e obras em quadros cartesianos guardados nos museus ou nos muquifos escolares.

A ÉPOCA PÓS-INDUSTRIAL acelerou e transformou as condicionantes deste processo dominador, classificatório e reificador num tremendo volume insustentável para a criatura humana.

A resposta silenciosa e individual -  a esta incomensurabilidade - é a abatia desta criatura humana, a fuga desta realidade concreta ou, então,  a mais rasa heteronímia assumida e a escravidão voluntária e perpetua.
Fig. 25 –  Quadro docente do Curso Primário do COLÉGIO SÃO JOÃO de Porto Alegre em  1968. (Da esquerda para direita do observador) 1 – Círio Simon; 2 – Ivo Loro ; 3- Schuster; 4 – Alzira ; 5 Geni Karlinsky; 6 – Jussara; 7 -  Suelcy; 8 - Felipe Pereira; 9 - Eimor F. Bíssigo; 10 - Olides Gótica; 11- ; 12 – Júlio;13 - Celso Fortes. A iniciar pelos docentes este  quadro realizou a transição entre a escola exclusivamente  masculina para o ensino misto.
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Entre  o trabalho e a obra.

Como síntese foi possível verificar que,  na década de 1960,  no COLÉGIO SÃO JOÃO importava o processo, o trabalho e o ambiente  destinado, preparado para ENSINO-APRENDIZAGEM. Processo, o trabalho e o ambiente humanizado com o objetivo de iniciar, de continuar e de fortalecer os princípios cidadãos e civilizatórios a FORMAÇÃO HUMANA.

Os vestígios presentes nas OBRAS de ARTE, deste período, parecem materializar índices deste processo. OBRAS de ARTE que carecem da palavra e do verbo para apontar e evidenciar o máximo de conteúdo e repertório que estas OBRAS de ARTE querem dizer no mínimo de sua forma sensível aos sentidos humanos.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS
CORONA, Fernando (1895-1979). Caminhada nas artes: 1940-1976. Porto Alegre: UFRGS- IEL/DAC/SEC-RS,  1977, 241 p.
CAVALCANTI, Carlos, AYALA, Walmir (Coordenação) DICIONÁRIO BRASILEIRO de ARTISTAS PLÁSTICOS. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973, 4º vol , Il, p.286
MEMORIAL do ANO de 1969 do COLÉGIO SÃO JOÃO. Porto Alegre: edição do Colégio São João textos e ilustrações.  
MONDIN, Guido Fernando (1921-2000) Burgo sem água- reminiscências do 4° Distrito -  Porto Alegre: FEPLAN,1987,  187 p.
ROSA, Renato et   PRESSER, Décio .Dicionário das Artes Plásticas no Rio Grande do Sul. (2ª ed r) Porto Alegre : UFRGS, 2000, 527 p. ISBN 85-7025-522-5 - http://archive.li/ptAjA 
WERTHEIMER, Mariana [Coordenação] - ESTUDO do PATRIMÔNIO de VITRAIS produzidos em Porto Alegre no período de 1920-1980. Porto Alegre: DVD- Patrocínio PETROBRAS [2009] -Indexação na Biblioteca da USP – julho 2009

FONTES NUMÉRICAS DIGITAIS

ESTÉTICA do QUARTO DISTRITO de PORTO ALEGRE
ESTÉTICA do QUARTO DISTRITO de PORTO ALEGRE
A ESTÉTICA do 4º  DISTRITO: sumário do mês de fevereiro de 2014  em:
A FESTA das ÁGUAS de NAVEGANTES e de VENEZA
QUARTO DISTRITO
QUARTO DISTRITO de PORTO ALEGRE:  ¿ o que é isto?
SOLAR COLONIAL do 4º DISTRITO ARRASADO
VIA SACRA do NEGRINHO do PASTOREIO de Aldo Locatelli no Palácio do Governo
2017
COLÉGIO SÂO JOÃO -  PORTO ALEGRE - RS
http://lasalle.edu.br/saojoao
http://saojoao80.blogspot.com.br/2013/10/historia-escultura-em-vidro-de-sao-joao.html 

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Fig. 26 –  Num olhar retrospectivo faltam muitas narrativas e elementos  do que foi o trabalho e as obras de arte da década de 1960 no COLÉGIO SÂO JOÃO de Porto Alegre .  Carente destas narrativas as obras visuais permanecem mudas e a espera das picaretas para reduzir todas elas à poeira da qual vieram. 
Fig. 27 –  Cirio SIMON como verbete de CAVALCANTI, Carlos, AYALA, Walmir (Coordenação) DICIONÁRIO BRASILEIRO de ARTISTAS PLÁSTICOS. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973, 4º vol, p.286

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